cap_ 10

Não tenho dinheiro para continuar no hospital, checaram os meus documentos e tentaram pedir ajuda pelo INSS.

Constatou que sou casada e contataram meu marido, tentei impedir que o chamasse, todavia para sair do hospital preciso pagar pelo tratamento que recebi. O diretor foi chamado pela gravidade da situação e a minha recusa em chamar Gabriel.

— Sabe que seu tratamento precisa se iniciar agora? — diz o gentil senhor.

Comecei a chorar sem parar, cobrindo meu rosto, pois estou à beira da morte. O velho médico se sentou na cadeira perto da cama, ouvindo meu choro silenciosamente enquanto dava pequenas batidas na costa.

Esperou pacientemente acalmar para voltar falar comigo.

— Sei que meus colegas de profissão devem ter te avisado da gravidade do seu tumor. Conhece todos os riscos, cada dia sem tratamento piora as suas condições físicas, está morrendo lentamente. Queremos salvar sua vida, mas para isso precisa querer viver. Faremos tudo que tiver ao nosso alcance para receber a cura, é uma luta difícil e as chances são de 50/50. Por favor, aceite a nossa ajuda.

—Nn... Não... — Gaguejo. — Ele não acredita em mim, não adianta ligar, só vai piorar tudo.

Ele olhou dentro dos meus olhos com pena, lamentando a minha dificuldade. Garantiu que falaria com o meu marido e faria que assumisse a sua responsabilidade.

— Não quero ser um fardo, sei que estou morrendo, vou lutar pela minha vida, mas não quero contato com o meu marido.

Ele balançou a cabeça, saindo do quarto desapontado. Respirei fundo olhando para o rumo da janela do hospital, onde correm as memórias.

O dia que finalmente descobri que Gabriel é o desconhecido por quem me apaixonei. Lembro da reação que tive, achei que estava brincando com meus sentimentos e tentei me afastar, totalmente magoada. Ele segurou meus braços pedindo para confiar no seu sentimento por mim.

Seus amigos riam, outros estavam chocados demais para esboçar reação. Chorei me debatendo pedindo para ser solta, recebendo seu cálido calor.

Sua mão parada na minha cabeça colocada carinhosamente no seu ombro, seu rosto amoroso dizendo o quanto era importante para ele. Na frente de todo o colégio pediu para ser sua namorada.

Se tivesse recusado ir naquela festa nunca teríamos nos tornado amantes. Gabriel teria continuado com seu jogo, mas um de seus colegas se interessou por mim.

Henrique seu nome, um rapaz de 1,95 de altura, ombros largos, cabelos castanhos, moreno, olhos esverdeados, um "dom Ruan" , conquistador de várias garotas. Seus namoros só duraram uma semana, pegando todo tipo de mulheres de todas as idades.

Cafajeste mais tarde descoberto, nunca assumiu nenhum erro que cometeu, vez muitas meninas abortarem seu filho. Seu pai, um grande chefe de estado, cobrindo com dinheiro as porcarias do filho.

Ele colocou os olhos sobre mim, após fazer uma brincadeira e responder seriamente que jamais o namoraria.

Por ser próximo de Gabriel, sabia das mensagens que trocamos, também tinha consciência que não havia me encontrado com o " desconhecido". Foi por esse caminho utilizado para me enganar, na festa pós baile dos graduados do terceiro ano.

Fui ingênua em acreditar nele, Gabriel não sabia que seu amigo estava me enganando, porém achou estranho vendo o quão próximos começamos ficar.

Vivia falando para afastar dele, tomada pela cegueira pedi para parar de se intrometer na minha vida. Brigamos muito por causa da insistência do sentimento que estava a dar para o homem errado.

No dia da festa, Henrique pediu para ir com ele, comprei com muito esforço um vestido de segunda mão para a ocasião. Lembro que pela primeira vez usei maquiagem e fiz um penteado com tutorial do youtube.

Faltei ao serviço para ter tempo o bastante, arrumando pois nessa ocasião depois da festa iria ter minha primeira vez para provar meu amor. Henrique foi todo um cavaleiro, vestido com pele de cordeiro, na intenção de me humilhar na frente de toda a universidade.

Todos sabiam do que ocorreria após a festa, ficaram fazendo apostas e comentando sobre a coragem dele em pegar uma pobretona.

Nessa noite cheia de dor, Gabriel impediu de cometer o pior erro da minha vida. Revelando na frente de todos as mensagens que trocamos, dizendo que ele é o desconhecido que se aproximou de mim.

— Desculpa, Elisa. Nunca quis te enganar.

Splá! Minha mão acertou seu rosto.

Chorando gritei em meio a risos de todos.

— Foi engraçado, brincar com meus sentimentos? Está feliz por me fazer de palhaça?

Henrique colocou os braços envoltos de Gabriel zombando do meu sofrimento.

— Pensou que algum de nós iríamos se apaixonar por alguém como você? Não tem onde cair morta! Claro que queríamos nos divertir contigo.

Gabriel o empurrou e os dois trocaram socos, aproveitei a confusão para fugir dali. Envergonhada por ter sido burra, deixando ser levada pelos filhos dos ricos que me desprezam.

O pior foi no outro dia ir para a faculdade, ter que encarar todos os olhares. Infelizmente era uma bolsista, faltar aula significa perder a bolsa. Enfrentei de cabeça baixa, comentários e sarcasmo pelo percurso que caminhei.

Na hora da refeição evitei ir para o refeitório, não respondi nenhuma mensagem do Gabriel. Passei longe da biblioteca com medo dele me encurralar, fazendo de tudo para não ter contato.

Num dia como outro, solitária no terraço, Gabriel estava com seus amigos segurando um megafone com cartazes implorando por perdão.

Alunos ficaram nas janelas, outros correrem para fora, querendo saber da fofoca. Henrique estava vestido ridiculamente como uma garota, escrito babaca na roupa.

Seus outros amigos com roupas de corações fazendo uma dança estranha. Gabriel todo tímido cantando uma música sobre perdão.

Os professores tentaram o impedir de continuar, todavia outros alunos impediram de se aproximarem. Do alto do prédio, tive vergonha por eles, escondendo nas batidas rápidas do coração emocionado.

Uma de suas amigas me encontrou escondido vendo toda a comoção embaixo. Levei um susto ao sentir sua mão no meu ombro.

— Te respeito, garota. Conseguiu algo que nenhuma outra fez.

— Não sei do que está falando.

— Idiota, vai logo pegar seu homem, antes que me arrependa de ter ajudado os idiotas.

Tive medo com receio de ir até Gabriel, acanhada olhando para baixo.

— Gabriel nunca fez algo tão constrangedor na vida para obter perdão de uma garota cujo ele nunca levou para a cama. Quase perdeu amizade de anos devido as brincadeiras de Henrique. Ele te ama, garota.

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Comments

Mari

Mari

não dá pra entender, no primeiro capítulo ela viu ele na faculdade, ele fazendo palestra e ela ouvinte. ela não acreditou que ele chamou ela pra jantar e agora ele fazendo toda essa palhaçada pra "conquistar" ela, sendo que sempre foi apaixonado pela Camila. No primeiro capítulo ela era filha de pessoas do interior que tinha uma pequena fábrica, e alguns capítulos pra frente ela já cresceu em um orfanato. sem falar que a palhaçada toda tá acontecendo em uma faculdade e ela tem que trabalhar em dois serviços como garçonete

2025-04-03

0

Caroline Louuiise

Caroline Louuiise

autora mulher , faz ela se transforma né uma mulher empoderada , de opinião, faça ela esquecer ele , e se apaixonar pelo felipe , pelo amor Deus , faz essa mulher reagir

2025-03-20

1

Mari

Mari

Universidade? Ela tem universidade e trabalha em lanchonete?

2025-04-03

0

Ver todos

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