Lembrar desses dias da juventude é muito difícil, o homem que jurei amar por toda a vida, me trocou por sua ex-namorada.
Ele nem imagina que estou doente, fico pensando se mudaria alguma coisa caso lhe conte. Provavelmente só vai parecer mais patética na frente de ambos.
Ainda assim... Ainda assim, derramo lágrimas da alma, pois o amo. O perdoaria sem pensar duas vezes caso me peça para voltar. Não é isso o seu desejo, também sei que se continuar insistindo vai acabar se afastando de Camila.
Mas, teria de disputar sua atenção. Utilizar meios baixos para o manter do meu lado. Para alguém que o ama tanto, não estou disposta em recorrer a métodos como estes.
Não tenho uma família para quem pedir ajuda, meus sogros me odeiam, seus tios e avós acham que estou com ele por dinheiro. Estou sozinha no mundo novamente e está tudo confuso.
Tenho pensado em muitas coisas, na doença, no meu casamento e no passado. Minha mente não funciona bem, não consigo me concentrar, passando várias cenas na memória que sequer quero lembrar.
Como um filme volta, o dia do casamento. Disse para mim muitas vezes que não reviveria aquele momento, no entanto, ela retorna como um fantasma para me assombrar.
A cena de todos gritando, Gabriel com raiva, seus pais alterados, todos da família me encarando com ódio. E eu querendo chorar, a sensação que tive continua martelando meu peito fortemente.
Após o casamento, Gabriel tratou de obrigar sua família a engolir minha presença. Sempre indo mesmo sem convite para os eventos familiares, foram muitas vezes que houve briga entre eles.
Chegando ao dia das brigas pararem, seus insultos contra mim continuaram e forçaram a trabalhar como funcionária da casa. Sentia que deveria ajudar com algo, queria que me vissem como parte da família.
Era a primeira em se oferecer para ficar com as crianças, quando comentavam sobre viagens. Cunhadas passaram a deixar seus filhos sem aviso na minha casa, tive de muitas vezes refazer minha programação.
Gabriel se irritava profundamente por estar fazendo algo que poderiam contratar uma babá.
— Por que está cuidando deles? — Irritado.
— Amor, eles estão começando me tratar melhor. Sua cunhada me chamou para o natal, nunca recebi um convite antes. — digo animada.
Ele beijou minha testa com carinho, numa expressão preocupada.
— Se isso te faz feliz, está tudo bem. Porém, combinei com alguns amigos de sairmos juntos, terei de cancelar. — Diz suspirando.
— Oh, não! Não cancele, amor! Vá!
— Ficará bem sozinha?
— Não estou sozinha, vou me divertir com as crianças. — Sorri.
Lembro que pareceu muito preocupado comigo, lidando com duas crianças sozinhas, mas onde cresci tive de cuidar de crianças pequenas numa idade onde deveria brincar de boneca.
Época que não gosto de falar com ninguém, porém não foi tão ruim. Foi naquele lugar que aprendi se defender, aprendi lutar, guardar dinheiro e sobreviver com pouco.
Com cinco anos de idade havia aprendido lavar pratos, fazer conta... Oh!
Estou entrando em um lugar perigoso da conversa, melhor mudar de assunto.
Em várias viagens para o exterior fiquei para trás, todos esperavam que cuidasse dos seus filhos. Mesmo quando dava para ir com todos, a maioria do tempo passei a vigiar crianças.
Filhos de amigos dos meus sogros, cunhadas, cunhados, primos, qualquer menor de idade era de minha responsabilidade. Quando adoecia recebi olhares desgostosos, por atrapalhar o dia deles, ficava péssima pela incapacidade de ajudar.
— Está doente mesmo? — Sogra fala num tom arrogante.
— Desculpe.
— Quanta incompetência, não sabia que marcamos um evento importante hoje? Tinha que adoecer? Inútil demais.
— Desculpe, sogra.
— Pare, mãe! Minha mulher está ardendo em febre, precisa de descanso! — Gabriel exalta.
— Tanto faz! Promessa é promessa! Ela deveria ter se cuidado melhor!
— Vão embora e levem essas crianças daqui! Elisa não está bem!
— Isso é mentira! Estão fazendo teatro para não cumprir com a promessa! — Grita a cunhada.
— Irmão, sua esposa é muito egoísta, enfim estamos lhe aceitando, pedimos o mínimo para ela.
Cansada da briga deles, concordei em olhar as crianças. O pior erro que cometi, Gabriel foi para o evento, pois não poderia perder a oportunidade.
Ficaram doze crianças comigo, ardendo em febre, na fraqueza tive de levantar da cama para fazer algo para eles comerem, porém, acabei desmaiando na cozinha.
Bati a cabeça contra o chão, acordando sobre o grito da sogra com meu marido. Estavam reclamando por ter perdido a festa pelo meu desmaio.
Eles não pediram mais para cuidar das crianças ao estar doente. No entanto, passaram a controlar tudo que ingeri, cuidando da dieta para me manter saudável.
Festas do final do ano passou ser feito na nossa residência. Gastos que tive de cobrir para decoração e tudo do melhor para os receberem.
Cada tipo de carne, verduras diferentes para o paladar exigente da família. Reclamavam de tudo, muitas vezes chorei escondida no banheiro forçando meu sorriso depois de cair em prantos para não estragar a noite de festas.
Lembro de levar um tapa no rosto, ah...! Levei muitos tapas na rosto pelas mulheres da família. Diziam que devia respeito para todas elas por estar chegando agora na família e ser uma intrusa.
O filho da cunhada caiu na piscina e ele não sabia nadar, enfurecida veio para cima de mim. Puxando meus cabelos por ter deixado seu filho sozinho.
Estava ocupada com os serviçais garantindo que não faltasse carne nos pratos e fossem servidos corretamente. Foi tanta correria que pedi para Gabriel avisar que não poderia estar de olho nas crianças.
Quando tentei justificar, ela respondeu que não importa minhas tarefas seu filho podia ter perdido a vida. Seu marido quis me bater também, mas Gabriel bêbado expulsou todos da casa, furioso por uma das crianças ter quebrado a maquete que custou uma fortuna para fazer do seu novo projeto.
Foi retroceder ao princípio quando nos ignoravam, duas vezes pior, Gabriel passou por viajar à trabalho. Sua mãe ficava vindo sem avisar na intenção de pegar alguma traição.
Para provar minha inocência dei uma cópia da chave, mas nada funcionou.
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Atualizado até capítulo 68
Comments
Caroline Louuiise
a autora sério , não aguento mais essa mulher fraca , cadê o amor próprio a dignidade a auto estima pelo amor de Deus , sério existe mulher assim meu Deus 🤬
2025-03-20
2
Sueli Silva
misericórdia , não creio que existe tanta Burrice numa mulher só
2025-02-26
1
Danielle Pereira
essa mulher é uma imunda nojo desse tipo de mulher então q morre logo aff
2025-03-06
0