Apesar de estarmos brigando o tempo inteiro, nunca me ocorreu receber um tapa no rosto do meu marido. Recebi o golpe, confusa por arder as bochechas avermelhadas. Imediatamente minhas mãos pousaram no rosto e as lágrimas desceram, não pela dor, mas pelo ódio que vi dentro dos olhos do meu marido.
Consolando outra mulher enquanto grita comigo, algo que não ouso. Magoada e confusa, virei as costas indo para o quarto, abri o guarda roupa procurando por uma mala, ao encontrar joguei minhas roupas do cabide dentro.
Só quis sair daquele lugar o mais rápido possível, havia aguentado o suficiente deles. Agora mais do que nunca, tive a certeza que nunca fui amada.
Sem lágrimas, com o coração explodindo em dor, calma mais fervendo mágoa. Ao descer as escadas, Gabriel está abraçado com Camila pedindo desculpas.
— O que está fazendo? — Diz irritado.
Não quis conversar, pois senti que iria cair em prantos, então continuei andando para a porta. Ele impediu minha saída bloqueando a porta.
— Onde pensa que vai? Você não tem família, nem amigos! — Diz nervoso.
— Não é da sua conta! — Disse empurrando suas mãos.
— Sou seu marido! — Grita.
— Não mais. — Falei sério abrindo a porta para ir embora.
Gabriel tentou me impedir, mas Camila fingiu desmaio. Ele correu para a socorrer e sai fechando a porta, sempre serei a sombra dessa mulher nessa casa. O amo demais, tanto que estou em pedaços, porém não consigo manter minha sanidade convivendo com os dois agindo como casal na minha frente.
Por isso fui para um hotel, poderia ir para um dos milhares de apartamentos do Gabriel, todavia quis sair de vez da sua vida. Não tenho muito na carteira, conseguindo um lugar longe do centro da cidade, num bairro pobre.
Foi como regredir ao tempo, lembro que saí do orfanato procurando um lugar para viver com pouco dinheiro, cheia de sonhos, sobrevivendo dias com sanduíches e outras besteiras.
Um bom tempo.
Gabriel sempre chamou atenção de muitas mulheres, o típico garoto popular. Éramos de mundos diferentes, enquanto estudava com uma bolsa de estudos onde teria de obter boas notas, ele era o garoto das festas e baladas, rico com boas notas.
Nós conhecemos por causa do seu hábito de ler, um escape talvez, como pegava vários turnos para cobrir meus gastos, dormia muito nas aulas, tive de me virar sozinha para aprender outras matérias.
Gabriel me viu dormindo sobre a pilha de livros e tentou acordar antes da biblioteca fechar, mas como não acordei ele tomou a liberdade de corrigir minhas tarefas e até dar uma pontuação.
Naqueles dias claros não tive ideia que era ele quem deixava anotações nas minhas tarefas em vermelhos. Acordava sem ninguém por perto, na frente um café com um bilhete de boa sorte.
Todo o primeiro semestre tivemos esses encontros secretos onde procurava a pessoa que havia me ajudado. Tentei descobrir a identidade dele, no entanto ele deixava bilhetes com risadas e carinhas de deboche.
Estava me apaixonando por um desconhecido e deixei um bilhete no caderno para falarmos por mensagens. Passei a ficar acordada, dias sem nenhuma notícia do desconhecido. Mas, daí, ele reapareceu enquanto buscava um livro.
Chegando uma mensagem no meu celular.
14:34_Gabriel: Tome o café antes que esfrie."
Ps: Desconhecido.
Falamos todos os dias por mensagens curtas e bobas.
11:59_Elisa: O lanche da cantina está horrível, não coma.
Ps: Eu.
12:00_Gabriel: Acho que vou almoçar em outro lugar.
Ps: Desconhecido.
Dia 13 de fevereiro:
7:45_ Elisa: Conseguiu entender a matéria do professor Fernando?
Ps: Eu.
7:46_ Gabriel: Vou estudar com o grupo, quer ir?
Ps: Desconhecido.
8:50_ Elisa: Onde?
ps: eu.
8:51_Gabriel: Na biblioteca da universidade.
Ps: Desconhecido.
Quando cheguei na biblioteca, não havia ninguém, esperei por muito tempo até adormecer e quando acordei havia um caderno de anotações na minha frente com um pedido de desculpas.
Perguntei o que aconteceu naquele dia, ele apenas respondeu desculpa. Ficamos nos falando por muito tempo em troca de mensagens. Tínhamos muito em comum, mesmos gostos para a música, artes e o desejo de abrir a própria empresa.
Contei sobre meu projeto e ele foi o primeiro em acreditar na minha capacidade. Ficamos muito amigos, até pedir para o conhecer, cansada desse mistério todo.
Ao enviar o pedido para um encontro, por dias sumiu sem dar alguma respostas. Quando voltou a mandar mensagem, colocou o local e o horário.
Chegando em um lugar tão chique, tive vergonha, quase não entrando no restaurante. Apertei minhas roupas sobre o olhar de julgamento da atendente que perguntou se havia feito reserva.
Vi Gabriel sentado com um ramo de flores, no entanto não liguei os pontos que ele era meu desconhecido. Estava muito nervosa naquele momento e fugi constrangida. Pedi desculpas para o desconhecido, disse que aquele tipo de ambiente não era pra mim. Mas ele, não respondeu.
Depois do episódio, Gabriel se aproximou de mim, aos poucos fomos conversando era estranho a conexão que senti por ele. Tive medo dele estar fazendo algum tipo de trote, aposta ou penitência.
Ficando com o pé atrás com suas intenções. Suas amigas amavam me colocar para baixo, com comentários agressivos disfarçados de elogios. Aos poucos várias pessoas estavam rodeando minha mesa, se sentando comigo quando só queria ficar sozinha.
Gabriel comprava exatamente as minhas comidas favoritas, fazendo questão de me alimentar. Por várias vezes tentei argumentar com ele inutilmente, ele não ligava para os olhares maldosos dos outros, ou para sua reputação que poderia estragar.
Houve muitas fofocas, garotas inconformadas por ele estar perto de mim que era tão sem graça. Um dia me cercaram perguntando que tipo de bruxaria havia feito, pedi para pararem, insultaram Gabriel e eu explodi.
— Ele não é isso! Gabriel é sempre gentil, tem um bom coração e sei que só tem pena de mim! Por isso não o insulta por favor!
— Por que não? En? Por que devo te escutar? Você o ama? É isso! Ama ele? — Colocada contra a parede.
— Amar?
— Não se faça de boba! — Grita outra aluna com raiva.
— Somos amigos!
— Conte outra! — Joga meus materiais no chão.
— Por favor parem!
Estava quase chorando quando Gabriel afastou as meninas de mim. Sendo protegida por seus braços enquanto lançou um olhar feroz para as garotas.
— Não mexam com minha garota! — Grita.
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Atualizado até capítulo 68
Comments
Ione barbosa
deve ter alguma cláusula que prejudica o marido dela se eles se separarem por que ele tenta apaziguar as coisa ele deve perder muito ela precisa da ajuda do amigo urgentemente
2025-03-30
0
galega manhosa
ela encontrou o amor próprio e a dignidade e a vergonha na cara
2025-03-18
1
Ione barbosa
ela precisa ir até o amigo e família dela
2025-03-30
0