É assustador ter que enfrentar a doença sozinha, receber o diagnóstico na consulta ao lado do cliente quando deveria estar ao meu lado meu marido.
O impacto que surgiu na mente, devastando o meu mundo inteiro, sonhos, planos e toda a dedicação que tive ao longo da vida, simplesmente sair das minhas mãos.
O susto que tive junto da sensação de estar perto da morte, querendo uma mão para segurar nesse momento difícil. Tudo se parte como um espelho quebrado que não tem conserto, o pior que podia me ocorrer.
Minha situação em casa já estava estranha com a chegada de Camila, ignorada pelo meu marido que abertamente vive um romance com outra, na minha presença.
Foi seu tapa que doeu...
Foi seu olhar cheio de fúria que machucou...
Foi suas palavras que estão me matando.
Encurralado pra sobreviver há algo que está deteriorando minha mente. Atormentada pelas memórias felizes que vivenciamos juntos.
Meu Deus...
Sinto as lágrimas escorrendo do rosto, quero parar de chorar, tenho que ser forte. Mas, o peso que carrego está esmagando meu corpo. Essa imensa carga quebra meus ossos, sufoca a garganta e acelera os batimentos cardíacos.
Estou em pânico.
Pânico este que sinto o mundo engolir enquanto luto para escapar de ser tragada.
Por Deus! Mereço passar por tanto sofrimento? O que fiz para ter uma vida tão sofrida? Sempre estive lutando para sobreviver e quando enfim pensei ser feliz, estou abandonada no escuro novamente.
Toc! Toc! Bam!
Alguém bateu na porta fortemente, despertando do abismo que estava me afundando.
— Abre! Elisa, sou eu! Abre! — Voz de Gabriel.
" Gabriel?" penso. Ele deveria estar com sua amada, não tem como saber meu endereço. O que está fazendo do outro lado da porta batendo tão forte?
— Não vou embora! Não vou desistir do nosso casamento! Por favor, abre a porta. — Sua voz está ferida como se estivesse sofrendo como estou.
Ele continua falando.
— Te jurei! Lembra? Para toda a vida. — Ouço ele encostar na porta, sinto medo de aproximar da porta. — Podemos tentar novamente, preciso de você. Elisa não vou suportar se te perder também, fica comigo, imploro.
Não respondi.
Queria responder, no entanto minha garganta se fechou ao ouvir suas palavras. Fiquei parada no mesmo lugar, ouvindo seu choro, chorando silenciosamente. Gabriel continuou na porta a noite inteira, ao amanhecer ele se despediu dizendo que voltaria. Ouvia seus passos afastando, tive vontade de abrir correndo a porta e dizer que o amo.
Mas, resisti... Como está doendo. Descrever o que sinto nesse momento é o mundo ficando cada vez menor, as cores desaparecendo e o céu azul se tornando cinza.
Vivendo um luto em vida.
Tive de lavar o rosto choroso, passar uma maquiagem para melhorar a aparência e ir procurar um emprego. O tratamento, como já disse, é muito caro, não tenho tempo pra ficar lamentando, devo achar um emprego.
Caminhei com o estômago vazio um longo percurso até encontrar uma porta que precisava de assistente. Entrei cheia de esperança para conseguir o emprego, porém o destino me levou para o único que tenho medo de descobrir a situação que me encontro.
Ver Felipe fez meu corpo tremer violento, a cabeça começar a girar e desmaiei. Ao acordar, estou no hospital recebendo soro, Felipe do lado da cama com expressão nada amigável.
Olhei para ele em pânico, doendo a cabeça numa forte dor.
— Calma, por favor não se estressa. — Diz suavemente cobrindo meu corpo gentilmente. — Parece que a vida está me castigando duas vezes.
Fico confusa com suas palavras.
— Castigando? — Sussurrei.
— Nada não, só fica tranquila.
— Tenho que ir.
— Elisa, quer mesmo me torturar dessa forma? Por Deus, vou enlouquecer por sua culpa.
Suas palavras foram como flechas atiradas no peito, não quero machucar ninguém, mas acabei incomodando um desconhecido várias vezes.
— Sinto muito. — Abaixado a cabeça em depressão.
Felipe me abraçou com um aperto gentil com uma pitada de sofrimento. Nunca imaginei que ele fosse um homem tão sensível e considerado com uma desconhecida.
— Não sou um homem gentil, Elisa. Estou furioso e não tenho interesse em manter a cabeça fria. Onde está o seu marido? — Pergunta num ódio amargo sob o abraço doce.
— Deixei minha casa. — Falei calmante.
Seus olhos se viraram para mim, abrindo um sorriso forçado cheio de compaixão.
— Não vou perguntar mais nada. — Continuou abraçado comigo até dormir.
Ao acordar Felipe já tinha ido embora, deixando claro para os enfermeiros não deixar sair do hospital. Imediatamente o tratamento começou ser iniciado, seguranças passaram me ajudar no processo.
Outros pacientes também me ajudaram por compaixão, fiquei internada por uma semana, logo recebi a alta para ir para casa, mas deveria voltar para receber a intravenosa.
O hospital me comunicou que recebi o tratamento de graça após avaliarem minhas condições financeiras. Um alívio pra a cabeça cheia de preocupações, voltei para casa cheia de cartas no caixa de correio.
Gabriel sentado num terno amarrotado, rosto de uma pessoa que não dorme a dias, cheiro horrível de quem não tomou banho. Correndo veio na minha direção abraçando com ternura.
— Elisa! Elisa, por Deus! Estava louco sem notícias ! Onde você foi? O que estava fazendo?
— Vamos entrar. — Respondi seca.
De cabeça baixa me seguiu para dentro, machucado pela frieza na minha voz. Olhou em volta do local pequeno, sentou no chão e começou a falar antes de deixar colocar a cabeça na escolha de palavras.
— É nesse muquifo que vai viver? Tem uma casa boa, um marido que faz tudo o que deseja, a família que sempre sonhou! Meus pais contrataram vários agentes para te encontrar, todos estão preocupados contigo.
— Vamos nos divorciar.
— Elisa! — Grita se levantando furioso. — Quer mesmo acabar com tudo por causa de Camila? Quantas vezes lhe disse que ela é minha amiga! Ela está doente, precisa de ajuda! Não seja este tipo de pessoa!
— Preciso descansar, por favor, vá embora.
— Não irei, nem vou lhe dar divórcio! Vamos para casa!
— Gabriel eu...
Ele olhou no fundo dos meus olhos mandando uma mensagem do celular, entrando vários homens.
— Vamos para casa, lá depois de um longo banho, vai pensar com clareza.
— Gabriel acabou. — Diz firme.
— Só acaba quando eu dizer!
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Atualizado até capítulo 68
Comments
Eloi Silva
será que não e ela a dona do dinheiro e ele precisa dela com ele
2025-01-15
0
Silvaneide ferreira
tem alguma coisa nesse casamento que beneficia ele pq ele não gosta dela tá com a ex e mesmo assim quer continuar com ela
2024-11-20
0
Fatima Vieira
Felipe ajuda ela logo
2024-07-14
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