Cap_12

Ver o ódio no olhar de Gabriel realmente me assustou, olhar frio com total indiferença para minha aparência nada saudável.

Qualquer pessoa que vê o meu rosto imediatamente nota que estou doente. Por isso não consigo entender a dificuldade de Gabriel aceitar que estou doente, no entanto, Camila, mesmo com aparência saudável, ele fielmente acredita.

Seus homens invadem a residência, pegam em meu braço arrastando para fora da residência. Comecei a gritar implorando por ajuda, gritando e movendo o corpo para se livrar das mãos deles.

Gabriel gritava para parar de dar trabalho, mexendo na cabeça como se estivesse com dor de cabeça.

— Ridícula! Querendo fugir de casa por bobagens! Tem obrigações para cumprir!

Chorei arrasada, acabei de perceber o que represento para este homem que tanto amei. Alguém para cuidar da casa e das suas necessidades, mas nada além de uma empregada boa.

Desisti de lutar, da mesma forma que desisti de viver, caminhando em silêncio para minha sentença de morte. No caminho Felipe parou o grupo com seus homens.

— Solte-a! — Gritou enfurecido.

— Quem é você? Elisa, acho bom começar a se explicar!

Antes de poder me agredir, Felipe o acertou com um belo soco. Seus homens me soltaram sobre a mira do revólver dos seguranças de Felipe. Gabriel incrédulo limpou uma pequena ferida que se abriu no canto da boca devido ao soco.

— Desgraçado! Vou te matar!

Friamente Felipe aponta sua arma para a cabeça de Gabriel, impeço dele ser morto segurando a mão gentilmente.

— Não o faça.

— Está o defendendo! — Grita inconformado.

— Se o matar, vai acabar indo para cadeia, não quero que destrua sua vida por uma moribunda.

Nunca senti um abraço tão gente como o dele, nem mesmo meu marido alguma vez chorou por mim, como as lágrimas que molham meu ombro. Gabriel ficou indignado, mas nada pôde fazer.

— Venha comigo ou vou acabar com a vida de ambos aqui. — Disse apertando o abraço.

— Elisa! — Grita Gabriel. — Você é minha esposa! Minha mulher!

Olhei de rabo de olho morrendo o pouco do amor que havia por ele.

— Ainda me lembro do nosso primeiro beijo, estava muito nervosa, tremi como vara verde, então senti o gosto doce da sua boca e vi um novo mundo se abrir para mim. Gabriel, obrigada pelo amor que lhe dei.

— Está indo com um desconhecido? Sou seu marido!

— Por favor me responda, se tivesse que escolher entre a minha vida e a da sua amiga, qual de nós salvaria?

— Sabe o quão ridícula é essa pergunta?

— Imaginei que diria isso. — Olho para baixo desapontado.

— Elisa, ninguém no mundo aceita uma órfã que não tem onde cair morta. Este homem está lhe iludindo, pense bem.

Não tive forças para continuar discutindo ou mostrar para ele o quanto está me matando. Apenas virei indo embora, abandonando o meu doce primeiro amor.

Felipe jogou os papéis de exames que comprovam minha doença em Gabriel, seu rosto gelado diz tudo o que está pensando sobre o rosto que perde a cor caindo de joelhos.

— O único idiota é você. — Caminha indo embora na minha direção.

Fechei os olhos e apressei o passo entrando no carro, Felipe sentou de lado e o motorista deu partida dirigindo para longe. Gabriel correu atrás do carro, tentou abrir a porta, Implorando por perdão, seguiu um bom trajeto antes de perder para a velocidade do carro.

Foi extremamente estranho que meu coração esteja em paz. Pensei que iria chorar ou que doeria um pouco mais, porém sinto como se tivesse tirado um peso sobre o corpo.

Fui levada para uma clínica especializada em tratamento de câncer, como minha situação é um pouco grave, fiquei internada no hospital novamente. Nem sei como pagar tanta dívida que estou acumulando com Felipe. Estranho sua ajuda, somos totalmente desconhecidos um para o outro, mesmo assim ele tem me salvado.

Sinto vergonha por desconfiar, mas não consigo parar de pensar no que leva essa ajuda. Após serem deixadas no hospital, mensagens de desculpas passaram a inundar o meu celular, de alguma forma descobriram o meu novo número.

Não consigo abrir nenhuma das mensagens, tenho medo do meu coração dar um passo atrás e voltar à vida miserável que estava vivendo.

O médico tem me alertado que o estresse que ando sofrendo afetou meu tratamento, queria poder dizer que estou sendo forte, superando tudo isso com garra e força.

Mas... Oh? Estou chorando de novo.

Mas, sou uma humana que só sabe chorar, entrando numa profunda depressão. Sem ânimo para levantar da cama, sem vontade de encarar o tratamento, é difícil passar pelo processo sozinha com a piedade de desconhecidos.

Às vezes penso em sair da clínica, ir para casa e morrer na minha cama. Tenho feito terapia, porém cada dia que falo estou me fechando. Tento manter a linha da mulher forte que está se recuperando e lutando para a vida.

Uma mistura horrível de gostos na boca, o medo de decepcionar a equipe médica que cuida do meu caso e o Felipe que tem feito tudo por mim. A vontade de simplesmente aceitar a morte com um abraço amigável.

Quero pedir desculpas para todos que estão torcendo para minha recuperação, dizer que lamento ser tão inútil e fraca, implorar para não me odiarem por estar desistindo.

Esses pensamentos acabam sempre que Felipe entra no quarto apagando seu cigarro, cheio de feridas nos dedos com manchas de sangue.

— Está melhor? — Pergunta preocupado. — Andou pensando em bobagens de novo?

— Com quem brigou dessa vez? — Evito o assunto.

— Com uns idiotas.

Adoro ouvir sobre suas brigas e a rotina diária do seu trabalho. O único que não tem um pingo de piedade nos olhos, ele me trata da mesma maneira que no passado, não como a coitada doente quase terminal, mas como a garota do bar que conheceu.

Essa frieza de certo modo é boa, ele não tem cuidado, ou preocupação em falar da sua alegria, ou raiva. Sempre reclama dos seus problemas, falando como se fosse o cara mais azarado do mundo.

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Comments

Caroline Louuiise

Caroline Louuiise

cara não e possível ele ter vivido esse amor cm ela na adolescência e fazer ela sofre desse jeito , autora faz ela esquecer ele e começa a se apaixonar pelo Felipe 🥰🥰

2025-03-20

2

barbiedechernobyl11

barbiedechernobyl11

ela não tinha pais que tinha empresa de ração de gado no 1 capítulo????

2025-03-18

1

Katia

Katia

Essa obra tão bizarro q não duvido q o Felipe era o desconhecido e não o Gabriel.

2025-03-03

0

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