Tive de enviar mensagens cada vez que saísse de casa, mandando a localização para onde estaria indo, com quem e quanto tempo demoraria. Caso acontecer um imprevisto mandava fotos comprovando a veracidade.
Gabriel voltava da viagem indo direto ao meu encontro com presentes e pedidos de desculpas.
— Desculpe, querida. Não é fácil lidar com minha família e agradeço sua paciência com eles.
— Está tudo bem.
— Ainda não acredito que me casei com uma mulher tão boa. É difícil pensar sem viver com você, faz tudo para mim fácil demais.
— Só quero te fazer feliz, é o que boas esposas fazem.
— Prometo que passe o que passar jamais vou me separar de você.
Sou a responsável por manter a casa funcionando, os gastos maiores são alimentos e manutenção da casa, nunca tive interesse em gastar com maquiagem caros ou outros itens supérfluos. Sobrando muito dinheiro de Gabriel para lazer, como sempre estou cuidando de seus sobrinhos, até às viagens são mais baratas.
Para economizar dinheiro, aprendi montar e desmontar as peças da cozinha, sou eu quem instalo e formato o computador da casa. Além de fazer a maior parte dos contratos que vão para os acionistas da empresa.
Reviso a documentação antes de passar pelo meu marido que só assina. E trabalhava em dois empregos para comprar presentes para ele.
O serviço de casa também era feito por mim, jantar, almoço, lavar roupas, passar, limpar a casa e o jardim. Um dia ele implicou com o vizinho " bonitão", esse homem sempre corria pela vizinhança sem camisa mostrando seus perfeitos abdômen.
Como levantava cedo para comprar mantimentos para o café da manhã fresco, ele me ajudava carregando as compras pesadas. Em gentileza oferecia café e ficamos amigos com o tempo. Gabriel não gostou nada de falar com outro homem, sorrindo como uma qualquer em suas palavras.
— Mulher casada, não tem amizade com homem!
— Mas, você tem amigas.
— É diferente!
— Não entendo, o que é tão diferente? Não confia em mim?
— Confio em você, não nele!
Depois da discussão horrível que tivemos, nos mudamos para o apartamento na cobertura do seu hotel de luxo.
Instaladas câmeras por todo o local para minha proteção. Gabriel se preocupava em ter que viajar e ficar sozinha no prédio, explicou que de longe queria ter certeza que estava segura.
Por causa do vizinho ele se tornou um pouco possessivo, estava feliz com seus ciúmes, de certo modo provava seu amor.
Nunca estive tão errada.
Aqui encolhida na escuridão de um apartamento barato penso em tudo que vivi do seu lado. Por que Camila apareceu justo agora? Ela não poderia apenas viver para sempre longe como fez no passado?
Abraçando meu corpo às lágrimas escorrem como chuva fina numa avalanche de emoções guardadas no fundo do meu interior.
Quero culpar a todos por meu casamento ter dado errado, sabendo que o homem que amo nunca me amou de verdade.
Chorando sou interrompida por chamada telefônica, minha sogra está ligando.
Sogra: Onde está irresponsável? Seu marido precisa de você e é assim que lida com os problemas, fugindo?
Elisa: Eu... ( choro) Por que me liga quando nunca gostou de mim?
Sogra: O quê?! Como ousa falar isso pra mim? Te aceitei por meu filho, o mínimo era ser a esposa que desejei para ele! Egoísta!
Outros insultos foram ditos ao longo da linha, deixei o celular de lado e deitei a chorar silenciosamente enquanto descarregava o seu ódio por mim.
Acordo no dia seguinte, com mensagens e chamadas perdidas de Gabriel, meu primeiro impulso e tentar entrar em contato. Ao lembrar que estamos separados e do tapa, detive o impulso.
Respirei fundo e levantei para tomar um banho, tenho que procurar um emprego para iniciar o tratamento para minha doença. Estou me agarrando nisso para não surtar, na beira do penhasco, pronta para pular segurada por um fio de linha.
Criticando as ações que cometi no passado, erros que fiz tentando acertar, crescendo ansiedade no peito. Saio do local com o peito angustiado, vagando pelas ruas ocupando a mente que não para, atrás de algum emprego.
Chegou a hora de ir para o segundo emprego, mas lembro do Felipe e sei que não posso voltar para aquele emprego.
Meu saldo é insuficiente para comer duas refeições por dias, terei de andar de volta para casa mesmo sendo um trajeto enorme, custará mais de três horas ir para casa.
Já passei por isso, só que não estava preparado para está situação novamente. Vivi confortável com Gabriel, seu mundo de privilégios, esquecendo da onde vim.
Na metade do caminho o telefone toca, Gabriel está na chamando, não sei o que fazer. Meu coração não para de disparar, quero escutar sua voz, voltar para casa e fingir que nada aconteceu.
Atendi pensando em todos os momentos maravilhosos que tivemos, tantas vezes ele me defendeu de sua família, seus carinhos e a vida pacífica que tenho ao seu lado.
Gabriel: Onde está?
Elisa: Estou bem.
Gabriel: Pare de graça e volte para casa. Camila não pode...
Elisa: Me ligou para falar da sua amante?
Gabriel: Elisa, que merda! Para com esse drama! Camila está doente, morrendo! Tenha compaixão!
Não consegui segurar as lágrimas.
Elisa: Eu também estou doente! Estou morrendo, Gabriel!
Gabriel: Nossa, Elisa! Sério? Caraca, quer competir com uma pessoa que está doente?
Elisa: Estou falando sério! Estou morrendo, Gabriel! Estou morrendo!
Gabriel: Uau! Isso é muito baixo! Sempre te respeitei e defendi, mas, está indo longe demais por ciúmes.
Engoli o choro e falei da melhor forma que pude.
Elisa: Tenho câncer, Gabriel. Estou morrendo...
Gabriel: Chega! Pensei que era melhor do que isso! Não acredito que casei com uma mulher tão horrível, usando uma doença tão séria pelos ciúmes nada haver.
Ele desligou o telefone e fiquei na rua chorando inconsolável, quebrada por dentro e por fora. Senti escorrer líquido do nariz, ao limpar vi sangue e desmaiei. Não sei o que ocorreu depois do meu desmaio, acordando num hospital. Os médicos e enfermeiros falaram comigo sobre o estágio da doença e o tratamento que deveria começar.
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Atualizado até capítulo 68
Comments
Luzia Lúcia Silva
áaaacoda altora pelo amor de Deus faça essa mulher acordar e se vingar /Angry//Angry//Angry//Angry/
2025-02-27
2
Antonia Teófilo
nossa que horror, essa mulher tem que se amar, e esquecer esse traste covarde afsss
2025-03-10
0
galega manhosa
sério que ela não tomou chá de vergonha na cara
2025-03-18
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