cap 4

Sabe quando os pés parecem afundar no chão, quando o mundo fica pequeno ao ponto do ar sumir ou quando o relógio está girando rápido demais?

Ouvi todas as explicações da Karla, mas minha mente não estava ali. Felipe o tempo todo segurando minhas mãos, aliviando esse pânico que sinto.

Sem ele segurando minha mão teria surtado e chorado horrores. Graças às mãos suadas, tremendo gelados igual ao bloco de gelo que pude manter a sanidade.

— Quando o tratamento começa? — Felipe pergunta.

— Agora se quiser. — Responde Karla.

— Pois comece.

Respirei fundo voltando a razão, desaparecendo o medo da morte.

— Tenho que falar com meu marido, virei assim que conseguir o dinheiro para tratamento.

— Marido? — Pergunta Karla confusa.

— Do que está falando? Precisa dar início ao tratamento, isso é mais urgente! — Briga Felipe.

— Felipe me explica isso direito. — Diz Karla preocupada.

— Tenho que ir.

Levanto agradecendo Karla, pego os exames para ir embora. Atrás Felipe gritando para começar o tratamento primeiro e depois avisar quem preciso. As coisas já estão difíceis no casamento, se sumir assim sem explicar nada vai piorar tudo.

Amo Gabriel e pelo menos por agora quero seu apoio, talvez tenha algo de carinho por estar doente.

— Felipe, vou voltar amanhã. Confie em mim.

— Promete que vai voltar?

— Prometo que vou buscar tratamento mesmo que num hospital diferente.

Ele aperta as mãos, respira fundo e volta para dentro.

Caminho para o ponto de ônibus com vários pensamentos passando na cabeça. Entro no ônibus e me sento perto da janela vendo a vida passar diante de meus olhos, sonhos que deixei para trás, humilhações que passei no casamento, minha família que há anos não visito.

Chegando na porta de casa , ouço risadas do lado de dentro. Gabriel bebendo, comemorando algo com Camila, meu rosto amargo destrói o ambiente feliz deles irritando Gabriel.

— Sério? Tem que chegar estragando o bom humor de todos?

— Agora não, Gabriel.

Tiro a blusa de frio, morrendo de dor de cabeça. Deixo espalhado no chão meus objetos e subo para a cama.

Permaneço deitada chorando em silêncio sem saber como dizer para Gabriel que estou morrendo. Pensando na sua reação, apesar de estarmos brigando, ainda sou sua esposa e vivemos uma vida felizes juntos.

Pouco tempo depois escuto batidas na porta, Gabriel entra e senta na cama. Estou aliviada que veio me ver, existe esperança para nós.

— O que houve? Aconteceu algo no trabalho?

Sento na cama com lágrimas puxando seu corpo para um abraço.

— Está me deixando preocupado! O que aconteceu?

— Gabri... Gabriel, você me ama?

Ele não responde.

Nunca ouvi da sua boca : " Eu te amo". Quis ter certeza que em algum momento desse casamento fui amada.

— Elisa pare com ciúmes da Camila, para ser verdadeiro contigo entre ela e você, sempre vou escolher Camila. Temos vivido uma boa vida, não estraga tudo. Não force a pedir o divórcio.

Martelada no dedo doe menos do que essas palavras.

— Escolhe sua ex? Mesmo se estivesse morrendo?

— Que saco! Por mim que morra, assim tenho paz pra essas encheções de saco! — Sai do quarto batendo a porta.

Chorei até deixar secar meus olhos. Os dois continuam agindo como "paqueras" o tempo todo, e toda vez que tento dizer algo sou tratada como incômodo. Para evitar brigas, fico no quarto saindo para trabalhar.

Meu patrão arregalou os olhos me vendo, pensou que havia deixado para o tratamento. Suponho que Felipe tenha contado por preocupação, ele tenta me convencer ir para casa descansar, no entanto, sinto mais cansada no meu lar do que aqui trabalhando.

— Preciso trabalhar ou vou enlouquecer.

Uma única frase o convenceu de deixar trabalhar, mas não como garçom ou balconista. Fico na sala de reunião arrumando as papeladas que estão jogados para todos os lados. É tudo que pode oferecer sem causar problemas para ele e para mim.

— Obrigada.

Vejo Felipe como sempre com seus amigos do alto, seu humor não é dos melhores. Quem está animado num dia tão nublado como hoje?

Para outras pessoas pode ser maravilhoso, para mim que enfrento uma doença e a ex do meu marido é um dia horrível.

Quando sai da sala no final da noite, Felipe ficou furioso gritando com meu chefe, pedi calma e expliquei que pedi para trabalhar. Ele se acalmou, mas me obrigou aceitar sua carona.

— Não volte para a boate.

— Preciso do emprego, Felipe, por favor.

— Precisa se tratar!

— Como farei sem dinheiro?

— Não contou para seu marido?

Virei o rosto envergonhada e chateada, escondendo o fato dele dizer que sempre vai ficar do lado da ex.

— Vou contar no momento certo.

— MERDA, ELISA! QUER ME DEIXAR LOUCO? NÃO ACEITA MINHA AJUDA, NEM DO SEU MARIDO, QUER MORRER?

— Vou falar no momento certo.

— Não volte na boate, essa é minha palavra final.

Saí do carro em prantos.

De volta nessa casa sufocante, dessa vez antes de entrar, Felipe me aparta com violência com Camila no colo. Vejo sangue escorrendo do seu nariz, não tenho chance de perguntar nada.

No seu carro que têm mais ciúmes, a colocou sujando o banco levando para o hospital. Pelo menos por algumas horas vou poder dormir sem as risadas deles me incomodando.

Sem meu segundo emprego perco uma renda alta, olho no aplicativo do celular para ver quanto tenho de reserva, já que todos esses anos gastei com presentes caros. Guardei pouco dinheiro, queria de alguma maneira ser reconhecida por meu marido.

Pesquiso os gastos que terei com os medicamentos e idas no hospital. Fazendo umas planilhas, pois não sei o quanto posso precisar. Acabo dormindo fazendo as contas passando da hora de trabalhar no turno do dia.

Gabriel está sentado no sofá com o rosto de poucos amigos. Tento evitar discutir, inutilmente.

— Agora quer controlar como gasto meu dinheiro?

— Nunca tentei!

— NÃO FAÇA A INOCENTE, VI SUA PLANILHA! É TÃO EGOÍSTA QUE ESTÁ FAZENDO CONTA DOS GASTOS QUE PROPUS AJUDAR CAMILA! MULHER BAIXA!

— VAI AJUDAR ELA? NEM SABIA DISSO!

— APOSTO QUE FICOU OUVINDO NOSSA CONVERSA ESCONDIDO!

— DEVERIA OUVIR? SOU SUA ESPOSA!

— Pra minha má sorte! QUERO O DIVÓRCIO, ELISA!

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Comments

Ione barbosa

Ione barbosa

Ela precisa ter vergonha na cara se amar gostar de quem gosta dela

2025-03-30

0

Sonia Bezerra

Sonia Bezerra

Amo essas histórias,e quando esses escrotos começa a correr atrás.

2025-03-30

0

Elisete Protazio

Elisete Protazio

credo ela se rebaixa demais e ainda fala em amor isso é doença

2025-03-25

0

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