...|Vincent Vantoch| ...
...Quatro dias ...
...antes do assassinato...
ALGUMAS HORAS DEPOIS, um grandioso sol já podia ser visto lá no alto, adornando a mais bela vastidão azul do céu. Jennifer Grayson ainda não havia acordado quando Vincent retornou ao quarto. A garota continuava plena, adormecida em seu lugar. Sua respiração não havia se alterado; ainda permanecia leve e tranquila. E esta foi, sem dúvidas alguma, a última vez e a última boa lembrança da garota que Vincent tinha para si, em sua mente. Ao trocar suas roupas, o homem, de olhar frio e de cabelos tão negros quanto a noite mais profunda, retirou-se novamente do cômodo, silencioso. Ele queria todas as respostas para as suas perguntas, porém, não seria Jennifer que as responderia.
Com os cabelos presos para trás, Vincent saiu da casa e caminhou até a sua velha e querida camionete azul. Acomodando-se no interior da mesma, ele colocou a chave na ignição do veículo, e então a partida foi dada. Já bastante experiente com o volante, Vincent sabia muito bem como manusear qualquer veículo. Seguindo pela estrada tranquila, ele seguiu em direção à única clínica hospitalar de serviços particulares da pequena cidade. Ele precisava conversar com Davies, o médico de confiança dos Grayson.
Em seu caminho, tudo poderia ter sido calmo, sem mais agitações, porém, quando menos esperou, seus olhos depararam-se com os de Bradley Smith. De fato, Vincent estava bem próximo da área destinada às palafitas, mas, de qualquer maneira, não esperava que fosse encontrá-lo. O garoto estava realizando seus exercícios matinais. Ao vê-lo correr, vindo em sua direção, Vincent diminuiu a velocidade da camionete. Brad tentou manter firme o seu foco em qualquer outro ponto, porém, sentindo o olhar sério de Vantoch pesar sobre si, foi completamente inevitável para Brad não encará-lo.
Desde que retornara à cidade, ele soube que Jennifer Grayson estava vivendo ao lado de outro cara, porém ele nunca soube, exatamente, quem era o tal cara. O homem de cabelos negros o conhecia, porém Brad não sabia quem era Vincent Vantoch. Ao ultrapassar o jovem rapaz, Vincent observou por mais alguns segundos pelo retrovisor manchado da camionete, e depois, só depois, ele aumentou a velocidade do veículo. Após este primeiro encontro indesejável, Vincent dirigiu o mais rápido que pôde. Com o trânsito tranquilo, Vincent desrespeitou os sinais e as várias placas de indicação encontradas em seu caminho.
E em exatos sete minutos e dez segundos após sair de sua casa, Vincent chegou à clínica hospitalar. O fluxo de pessoas ainda era mínimo, e isso, com certeza, facilitou muito as coisas para Vincent. Afinal, sem pacientes e suas longas consultas, ele seria o próximo.
...• • •...
Com sua camionete estacionada ao lado da clínica, Vincent desceu do veículo e caminhou, veloz, até as portas de vidro, que, ao empurrá-las, o mesmo teria acesso à grandiosa e bem organizada recepção. O olhar atento de Vincent percorreu todo o local, observando cada mínimo detalhe. E de fato: o fluxo de pacientes ali, naquele horário, era quase inexistente. No grande balcão da recepção havia uma moça. Vincent caminhou até lá. Ele queria ao menos uma informação sobre o médico Davies, porém, a jovem moça que estava atrás do balcão estava muito concentrada, organizando alguns formulários e fichas de pacientes.
— Bom dia, moça. – Vincent disse, a voz neutra.
Concentrada, a recepcionista nem sequer percebeu a presença de Vantoch. Seu sangue gelou ao ouvir aquela voz grave e um tanto rouca.
— Ah, merda! – ela praguejou. Por conta do horário e da quase escassa movimentação de pessoas, ela não esperava que alguém, naquele exato momento, estivesse atrás de informações sobre algo na clínica. Seus olhos de tonalidades azuladas direcionaram-se à Vincent. — Me desculpe por isso, senhor!
Um meio-sorriso surgiu na face de Vincent.
— Sem problemas. – ele disse, um meio-sorriso em seus lábios. — Eu que peço desculpas.
Tímida, a jovem moça sorri.
— Em quê posso lhe ajudar? – ela perguntou; a timidez era algo muito nítido em sua voz.
— Eu preciso falar com o médico Davies sobre uma paciente que atende há alguns anos. Ele está? – Vincent perguntou.
— Sim – a recepcionista disse. —, ele chegou há alguns minutos atrás.
— Ótimo. Então vou vê-lo em seu consultório. – ele disse, afastando-se do balcão, porém logo a voz da tímida recepcionista o parou.
— Não, espere! – ela disse, quase gritando. — O senhor não pode entrar assim. Primeiro tem que me dizer o nome do paciente que o doutor Davies atende.
Uma pasta foi colocada sobre o balcão. Havia várias fichas de pacientes guardadas ali. Respirando fundo, Vincent aproximou-se novamente do balcão.
— É Jennifer. Jennifer Marie Vantoch. – Vincent diz.
Com a pasta de fichas alfabeticamente organizada, ela analisou todos os nomes iniciados com a letra "J". Seus olhos foram de cima a baixo, porém não havia nenhuma paciente com este sobrenome.
— Tem certeza de que disse o nome de maneira correta, senhor? – ela perguntou, duvidosa. — A única paciente que temos chama-se Jennifer Grayson.
Vincent força um sorriso e então diz:
— Peço perdão, eu sou Vincent Vantoch, marido de Jennifer Grayson. – ele disse e, mais uma vez, a jovem mulher da recepção o encarou com um olhar duvidoso. — Se não está convencida com as minhas explicações, olhe nos papéis. Minha esposa tem data marcada para retorno, porém decidi por vim alguns dias antes e conversar com o doutor Davies.
— Não, tudo bem. – ela diz, desconcertada. — Pode entrar, senhor Vantoch.
Sem dizer mais nada, Vincent deu as costas e seguiu o mesmo caminho que fizera ao lado de Jennifer Grayson, há alguns dias atrás. Os corredores estavam silenciosos, porém não totalmente vazios. Havia algumas pessoas ali que mais pareciam haver passado a noite e a madrugada inteira, sentadas nas cadeiras dispostas no corredor. E por certo foi exatamente isso que aconteceu. Avançando um pouco mais, Vincent logo avistou a porta do consultório do médico particular dos Grayson. A porta estava entreaberta e Davies logo sairia por ela. Sairia para tomar o seu típico e costumeiro café, porém Vincent foi mais rápido em sua abordagem, surpreendendo o médico.
Quando Davies saiu de seu consultório, Vincent o chamou.
— Senhor Davies! – a voz de Vincent ressoou, autoritária, por todo o corredor.
Confuso, o homem apenas o encarou, neutro. Vantoch continuou avançando pelo extenso corredor de consultórios médicos. Davies esperou ali, porém, mesmo tendo-o diante de si, ele ainda continuava muito confuso. Sua mente era fraca demais quando se tratava em lembrar de nomes ou de pessoas.
— Me desculpe, senhor – Davies disse, uma expressão confusa surgiu e tornou-se cada vez mais evidente em sua face. —, este ainda não é o meu horário para fazer consultas. Peço que volte daqui algumas horas e com certeza irei lhe receber em meu escritório.
O olhar de Vincent ao encará-lo era sério, procurando sempre manter seus olhos fixos aos do médico.
— Você é ou não é o médico particular dos Grayson? – Vincent indagou, sério.
— Sim, sou eu. Mas quem é você para falar desse jeito? – ele rebateu, calmamente.
— Eu sou o marido de Jennifer Grayson. – Vincent disse, o olhar sério e fulminante ao fitá-lo. — Há alguns dias atrás, nós estivemos aqui. Ela veio para fazer uma consulta e também ter a primeira ultrasom do filho que está esperando.
Calado em seu lugar, o médico pareceu estar pensativo, mas logo lembrou-se.
— Aconteceu alguma coisa? A data marcada para o retorno de Jennifer é em alguns dias, não agora. – o médico diz.
— Sim, eu sei! – o homem de cabelos negros eleva seu tom de voz, frustrado. — Você deve ter cometido algum erro quando fez a ultrassom!
— Não. Não houve nenhum erro, senhor Vantoch. – o médico adiantou-se em dizer.
— Então, já que é o médico que acompanha Jennifer desde quando criança, você é o único que poderá responder a minha pergunta! – Vincent disse, a indecisão e os inúmeros por quês em sua mente já estavam o consumindo por completo. — Me diga a verdade. Apenas a verdade, senhor Davies!
— Tudo bem.
— Aquela realmente foi a primeira ultrassom de Jennifer Grayson?
Com um olhar de pena, o médico negou. Vincent, decerto, esperava por uma boa notícia, porém quando não a teve, ele sentiu seu sangue gelar e seus batimentos estavam muito irregulares.
— Então...quantos de gestação ela já tinha? – ele questionou, incrédulo.
— Cinco meses. Está esperando um menino.
Cinco meses.
Cinco meses era uma idade gestacional bastante duvidosa para Vincent, já que, há exatamente três meses atrás, ele a tocou pela primeira. E agora ela estava grávida, carregando em seu ventre um bebê de cinco meses, uma única possibilidade vinha aos pensamentos de Vincent: aquela criança não era seu filho. A raiva e o ódio eminente lhe subiu a cabeça, o que deixava em evidência seus maiores e mais profundos tormentos, os quais se seguiriam a partir daquele momento.
— Por quê mentiu para mim? – Vincent questionou, a voz abafada.
— Ela me pediu para que não lhe contasse, senhor Vantoch. – o médico responde.
— Ótimo!
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Atualizado até capítulo 20
Comments
💕Sonia Sapelli
caso muito complicado.
2024-06-11
0
Sandra Regina
não foi ele que matou ou foi porque essa menina Anny não fala todas as verdades
2023-12-20
1
Cecilia geralda Geralda ramos
a mentira é difícil ,e um relacionamento confuso piorou.
2023-09-11
1