Overdose de Cisordinol.

Em sua mente havia várias lembranças. Lembranças boas, de tempos bons vinham à tona. Foram incontáveis os muitos domingos ensolarados e repletos de alegrias que tivera ao lado de Jennifer Grayson.

Com uma câmera fotográfica em mãos, Vincent capturava os momentos mais preciosos e que jamais deveriam ser esquecidos. Inúmeras fotos da garota foram tiradas. Seu olhar angelical e seu sorriso brincalhão haviam se tornado a sua maior fonte de vida. Sem Jennifer Grayson ao seu lado, como seria a vida de Vincent? À qual inferno estaria ele condenado?

...|Vincent Vantoch|...

QUANDO OS SEUS SENTIDOS RETORNARAM, Vincent sentiu dores horrendas se espalharem por todo o seu corpo, fazendo-o gemer em dor. Agora deitado, preso, a uma cama hospitalar, ele ainda lutava contra os resquícios finais de seu surto. Suas lembranças antes do desmaio eram vagas demais. E mais uma vez, ele sentiu uma dor lhe atingir, um pouco mais abaixo de suas costelas. Um gemido de dor beirou seus lábios, escapando logo em seguida. Bem acima de seu rosto havia uma lâmpada, à qual era muito incômoda aos seus olhos, ainda fechados. Sentia dores, muitas dores em seus braços e em seus punhos. Assustado, ele tentou se mover, entretanto, qualquer esforço era em vão. Seus punhos e seus pés estavam amarrados a cama. Sua visão doía com aquela luz branca, fazendo-o piscar seus olhos, incômodo, por um par de vezes.

— Que bom que você acordou, grandão. – uma voz autoritária ecoou por todo o lugar. Era um homem, e se aproximava cada vez mais. Ele tinha algo em sua mão direita. Ou melhor. Ele tinha algo entre seus dedos da mão direita.

Desconfortável, Vincent tentou mover-se, mas, como já era se esperar, seu corpo estava completamente imobilizado sobre a cama. Seus punhos e pés estavam amarrados com cordas grossas e resistentes. Vincent era um homem robusto e fisicamente forte, porém conseguiria sair sozinho de uma situação como aquela. Ele estava alheio, sob o domínio do homem ao seu lado, que, vendo a sua dificuldade que tinha para abrir os seus olhos, o médico-psiquiatra fez o gentil favor em desligá-la.

E só então Vincent pôde abrir seus olhos. Aos poucos seus olhos iam se abrindo, mas desde o início, desde quando recobrara os seus sentidos, ele sabia que não estava em seu cela individual, tampouco na cela solitária.

— O que você quer?! – questionou Vincent, em um fio de voz. Sua garganta estava seca e seus lábios, ressacados. — Me tirem daqui! Agora!

Vincent tentou juntar todas as suas forças possíveis, porém seu corpo estava frágil demais. Depois de sua frustrada tentativa de suicídio, ele ficou desacordado por horas, o que deu aos especialistas do hospital psiquiátrico tempo o suficiente para imobilizar e cuidar da área comprometida do antebraço de Vantoch. Dezessete pontos foram dados e uma transfusão de sangue fora feita – mas claro, respeitando o seu tipo sanguíneo.

— De você eu não quero nada. – o médico psiquiatra disse, impassível. — Só estou aqui para cumprir com o meu trabalho.

O médico o ignora por alguns momentos, e segue caminhando em direção de uma mesinha metálica que havia no canto esquerdo da sala onde estavam. Frustrado, Vincent olhou ao seu redor. Decerto, ele esperava por encontrar algo bom, mas não havia nada. Aquela sala estava praticamente vazia e suas paredes brancas estavam sujas. Talvez fosse mofo.

Logo mais, o médico retornou a sua atenção ao interno. Ele tinha uma seringa entre seus dedos, porém, desta vez, a mesma havia sido preenchida por uma substância amarelada. Vincent ficou assustado ao ver o líquido amarelado, afinal, ele já havia passado por um procedimento similar a este, e, sem dúvidas alguma, os resultados não foram os melhores. Aquela era uma overdose de medicamentos fármacos que, obviamente, agia de maneira bastante agressiva no corpo, já que, uma vez que entrara em contato com a corrente sanguínea, o efeito era devastador.

Mostrando-se estar completamente desinteressado nas reações de Vantoch, o médico apenas conferiu, calmamente, se a agulha estava seca, pronta penetrar a pele de Vincent e injetar as trezentas miligramas de Cisordinol em sua corrente sanguínea.

O homem se aproximou. Vincent, em sua defesa realizou um movimento brusco ao vê-lo se aproximar, porém os cintos de contenção fixavam o seu corpo na cama.

— Não! – Vincent tentou se defender, porém o psiquiatra interveio. 

— Está na hora dos seus remédios, grandão. – ele diz.

O homem enfiou a agulha no braço direito de Vincent, injetando trezentos miligramas de Cisordinol. O médico sabia que, depois daquela alta dosagem, Vincent Vantoch não seria mais o mesmo por alguns longos minutos. Então, optou por lhe tirar as cordas que prendiam seus braços e pés a cama. O efeito da alta dosagem tinha um efeito imediato, e, quando estava retirando os cintos de contenção, o médico viu os lábios de Vincent estremecerem e suas pupilas se contraíram.

Vincent arfou. Seu corpo inteiro começou a se contorcer e a se debater, mas ainda estava muito longe em alcançar a rigidez absoluta. Sua cabeça se esticou para trás, as costas ficaram arqueadas sobre a cama. Fortes convulsões iniciaram, e o corpo de Vincent despencou da cama – à qual não contava com nenhuma proteção em suas laterais –, e foi-se ao chão. Seu corpo inteiro ainda se contorcia e se debatia. O médico-psiquiatra apenas observou toda a cena em silêncio.

A saliva de Vantoch desliza por sobre a bochecha, e continua a escorrer em seu pescoço.

Espasmos dolorosos uniram-se à convulsão prolongada de Vincent, em uma união terrível e devastadora. Agora, os seus gritos estridentes podiam ser ouvidos por todos. Verdadeiros rugidos guturais eram dados por Vincent, o qual ainda se contorcia e mordia a sua própria língua.

Vendo as lágrimas deslizar por sobre as bochechas de Vincent, o médico-psiquiatra não conseguiu conter um micro sorriso de satisfação.

— Ok, grandão – ele diz, exibindo à Vincent um grandioso sorriso. —, acabamos por hoje.

Vincent o encara com um olhar fulminante. Sua maior vontade naquele momento era espancá-lo, mas, por ora, ele teria que se acostumar com a sua atual condição.

— Vá a merda, seu maldito filho de uma puta! – ele disse, em um fio de voz.

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Comments

corrinha

corrinha

esse infeliz tirou as cordas só pra que ele caísse e se machucasse com a queda

2023-11-01

1

corrinha

corrinha

a infeliz desumano queria que fosse no rabo dele

2023-11-01

0

corrinha

corrinha

aí que judiação! ninguém merece 😞😞

2023-11-01

1

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