...| Vincent Vantoch |...
...Meses antes...
...Dez dias antes...
...do homicídio....
ELE ESTAVA RADIANTE DE ALEGRIA COM A NOTÍCIA. Seus olhos nunca estiveram tão brilhantes como naquele momento ao encarar o monitor no consultório médico, o qual exibia a imagem de um pequeno serzinho que se desenvolvia de maneira rápida e saudável. Muito em breve teria a honra em ser pai pela segunda vez, mas desta vez estava por vir o primeiro fruto de sua relação instável com Jennifer Grayson. Ambos já dividiam o mesmo espaço há alguns meses, então a idade gestacional do feto não fora nenhuma surpresa para Vincent, no início. Aparentemente tudo estava acontecendo como deveria ser.
— Parabéns. O bebê está forte e saudável. – o médico disse, os olhos fixos ao monitor e um meio sorriso em sua face ao observar o pequeno feto que se desenvolvia no ventre daquela jovem mulher que encava com um olhar tão ingênuo e confuso. — Tem aproximadamente 11 cm, o que me leva acreditar que o bebê de vocês já esteja com uma idade gestacional similar a 3 meses.
Os barulhos apressadinhos dos batimentos cardíacos de seu pequeno bebê ecoavam por todo o consultório, e faziam Vincent entrar, cada vez mais, em um profundo estado de êxtase. Ainda não podia acreditar que estava ali e que ouvia o coraçãozinho de sua pequena criança.
— Doutor, já podemos saber o sexo ou ainda é cedo demais para isso? – ele perguntou, sorridente, em um estado profundo de alegria.
O médico sorriu, analisou um pouco mais a imagem em preto e branco exibida através de seu monitor, e então assentiu.
— O bebê não está em um posicionamento bom, mas olhando bem, tenho quase certeza de que se trata de uma menina, senhor Vantoch. – ele disse, apontando com o dedo indicador em direção ao local exato onde seria suas genitais, e que pouco podiam ser vistas por um olhar desatento. — Talvez na próxima consulta, poderemos saber com mais precisão sobre o sexo do bebê.
Mesmo tratando-se uma possibilidade, o coração de Vincent disparou novamente na mais profunda felicidade, exibindo, então, um largo sorriso ao profissional que conduzia, gentil, toda aquela rotineira consulta. Porém era uma pena que Jennifer Grayson não sentisse a mesma coisa que seu companheiro. Por muitas vezes durante as muitas explicações do médico, ela se pegou olhando para ele. Ele irradiava suas alegrias e as exaltava de todas as formas. O seu amor pela criança que crescia no ventre de Jennifer Grayson, sugando-lhe cada vez suas forças. No início, tudo poderia ter sido mais fácil. Tudo poderia ter tomado um outro rumo se ela não tivesse lhe contado sobre a gravidez. Ou melhor, se ele não a tivesse descoberto antes mesmo que a garota pudesse tomar qualquer decisão precipitada.
...• • •...
Ao seu lado, o médico continuou a dar mais explicações à Vincent. Falava sobre todas as coisas que poderiam acontecer no início da gravidez, as precauções que deveriam ser tomadas para que nada contrário acontecesse ao feto, e o dia de retorno para a próxima consulta. Seu companheiro estivera, de fato, muito arrebatado com a idéia em ser pai, e isso a assustava. Vincent sempre fora muito imprevisível com relação às suas emoções. Ele era um tipo muito estranho, mas com uma aparência física bastante agradável. Um cara valente, super-protetor, adepto ao álcool, desbocado, muito impulsivo em suas ações, e, que, às vezes, beirava a obsessão e a agressividade.
Ela estava muito assustada. Não sabia onde tudo isso iria parar; os grandes problemas que iria causar.
— Não se preocupe, eu vou seguir a risca cada uma de suas recomendações. Garanto ao senhor que Jennifer Grayson Vantoch, esta lindíssima mulher, e nosso pequeno bebê estarão sob os melhores cuidados. Acredite em mim. – Vincent disse, sorridente. Ele sabia muito bem como agir, sabia escolher minimamente cada uma de suas palavras e direcioná-las com perfeição às outras pessoas.
O médico sorri, gentilmente.
— Não duvido. Você, senhor Vantoch, me parece ser um marido bastante dedicado, e é exatamente da sua dedicação que sua esposa e seu filho precisam.
Levantando-se lentamente da maca hospitalar gélida, Jennifer recebeu das mãos do médico um lenço para limpar o gel que havia sobre sua barriga. Tímida, ela o agradece. Os olhos atentos do médico recaem sobre ela e sua silhueta frágil, juvenil. Ela aparentava ser bem mais jovem que seu companheiro, mas, obviamente, buscar argumentos para se meter ou questionar a intimidade de um casal não era trabalho de um profissional da saúde. Seus olhos mudaram o foco, direcionando-se novamente à Vincent Vantoch. O homem, de aparentemente 34 anos de idade, estava olhou-o com fixação. Demonstrava, mesmo em silêncio, que incomodado com algo. As expressões enrijecidas, o olhar sério e as sobrancelhas levemente arqueadas o denunciavam.
— Muito obrigado, doutor, mas creio que devemos ir agora. – o homem disse, tomando a mão de Jennifer.
Suas expressões faciais estavam mais enrijecidas que o normal. E isso assustou a garota, que com muito facilidade conseguiu disfarçar o seu espanto.
— Algum problema, senhor Vantoch? – perguntou o médico, intrigado. Ao encará-lo, questionava-se internamente sobre como alguém poderia mudar suas emoções de maneira tão abrupta.
Há alguns momentos atrás, ele parecia tão sorridente, extasiado, não sabendo controlar ao certo tamanha felicidade em seu peito. Agora, o médico via-o nitidamente irritado.
— Não.... – ele diz, forçando um sorriso amigável. — Não há nenhum problema, mas penso que se ficarmos um pouco mais, vamos acabar atrapalhando a sua rotina de trabalhos.
Risonho, o médico meneia a cabeça para os lados, em um gesto de negação.
— Está tudo bem. Eu sou o médico particular dos Grayson, então sempre estou disponível para qualquer precisão.
Vincent força mais um sorriso amigável ao médico e logo caminha em direção à porta de saída do consultório. Ele pouco havia dado tempo para que Jennifer conseguisse abotoar os últimos botões de sua camisa. O toque de sua mão contra o punho da garota era forte demais, ao ponto de fazê-la reclamar, baixinho, de dor. Todas as pessoas que estavam presentes nos longos corredores do hospital os observaram com estranheza. Afinal, a agitação que Vincent Vantoch transparecia não era nada comum, e tampouco a forma rude com a qual segurava o pulso de Jennifer, que praticamente corria para tentar acompanhá-lo em sua rápida caminhada a passos largos.
— A partir de hoje, o seu médico será outro. – ele diz em um tom de voz baixo, sabendo que apenas Jennifer poderia ouvi-lo. — Será uma mulher. Não quero saber de homens tocando em você ou no meu filho.
— Mas....o doutor Davies atende a minha família há décadas... - ela tentou dizer, porém Vincent aumentou a força de seu agarre contra o seu punho.
— Ou você decide fazer o que eu estou mandando, ou você vai ficar trancada em casa pelos próximos meses. Dane-se essa merda de acompanhamento médico! – ele diz ainda em um tom de voz baixo, mas desta vez tornou-se algo mais ameaçador. — O que você escolhe, Jenny?
A garota sente seus olhos marejarem e suas bochechas arderem. Sendo uma pessoa emocionalmente frágil, ela esteve a ponto de chorar, porém se conteve.
— Tudo bem....e-eu faço isso... – ela diz.
Um sorriso vitorioso surge quase que imediatamente nos lábios do homem ao seu lado. Vincent diminuiu a velocidade de seu passo e envolveu Jennifer em seu abraço, de uma maneira deveras carinhosa.
— Lembre-se de uma coisa, meu bem: eu faço isso porque eu te amo. E te perder eu não quero. Aliás, meu amor, eu não consigo imaginar a minha vida sem ter você ao meu lado.
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Atualizado até capítulo 20
Comments
Gleide Sousa
credor esse é mesmo abilolado dá cabeça viu
2024-10-14
0
💕Sonia Sapelli
louco é pouco
2024-06-11
0
Cecilia geralda Geralda ramos
parece psicopata.
2023-09-10
1