16 de julho, 2009 - As mensagens de Brad.

...|Jennifer Grayson|...

...Quatro dias antes...

...do assassinato...

UM FORTE TEMPORAL CAIU COMO UM VÉU POR TODA A CALIFÓRNIA. Fazia três dias desde que fora à casa de sua mãe e reencontrara Annya Dumont, sua melhor amiga. Jennifer Grayson já podia sentir a saudade despontar em seu peito quando se pegava lembrando das duas, porém, de uma certa forma, um único pensamento parecia consolá-la naquele momento. E este mesmo pensamento lhe enchia cada vez mais de novas esperanças, fazendo-a crer que, muito em breve, iria poder estar ao lado delas, longe das ameaças e pressões feitas por Vincent.

Esta simples cogitação ainda lhe soava como algo completamente absurdo, porém, esta era a única saída. Entretanto Annya e Bradley estavam decididos. E ao saberem das reais condições de Jennifer, o retorno de Brad à cidade foi definitivo. Os dias para a grande fuga já estavam contados, e, infelizmente, os dias de Jennifer e Brad também.

...• • •...

...6:50 da manhã...

Mais um dia estava começando na vida de Vincent Vantoch, entretanto ele não havia conseguido dormir, passando, então, uma noite inteira olhando para as paredes, pensando e repensando em tudo que ouvira. Incômodo, ele mudou sua posição sobre a cama, estando agora frente a frente com Jennifer Grayson. Sua respiração era calma e leve. Seus olhos se fixaram à sua imagem plácida e de traços angelicais. Ele amava observá-la, principalmente quando dormia ou quando os pouquíssimos raios solares adentravam e tocavam, gentis, seu rosto sereno e de pele alva. Porém nada disso aconteceu naquela manhã. Pela primeira vez, Vincent a repudiou ao observá-la.

Ele novamente mudou suas posições sobre a cama, retirando, jogando para longe todo o grande cobertor que lhe cobria o corpo, e sentou-se, ainda muito pensativo, sobre a borda da cama. Seus pés frios tocaram o assoalho gélido. Um longo e duradouro suspiro escapou de seus lábios entreabertos, suas mãos deslizaram, com um certo pesar, sobre seus cabelos negros, parando então em sua nuca. Sentindo sua garganta seca, ele levantou. Seu único intuito naquele momento era ir à cozinha, beber um pouco de água e logo voltar de novo ao quarto, porém algo o chamou a atenção.

Havia pisado em algo ao dar o seu segundo passo ao levantar da cama. Muito calmamente, Vincent direcionou seu olhar ao chão, e, um pouco abaixo do criado-mudo, estava a bateria do celular de Jennifer. No começo, ele ignorou totalmente aquilo, porém ao se lembrar da conversa, do que ouvira sair dos lábios de Jennifer Grayson, ele viu-se tentado em pegar a bateria do celular e descobrir do que realmente se tratava as tais mensagens que a garota disse ter recebido. Quando ele levantou da cama, Jennifer Grayson ainda dormia. Então, se aproveitando disso, Vincent caminhou em direção a uma pequena cômoda que havia no canto do quarto parcialmente escuro. Sabia que lá poderia encontrar o que estava procurando. E sim. Lá estava o celular. Tratando em ser o mais silencioso possível, ele pegou o celular e saiu caminhando para fora do quarto. Em passos largos e apressados, Vincent atravessou todo o corredor e desceu, veloz, cada um dos degraus da escada, indo-se ao piso térreo da casa.

Sua garganta ainda continuava seca quando cruzou a sala, jogando o celular e a bateria contra o sofá. Decerto, ele imaginava que não seria algo ruim, e, por este exato pensamento, Vincent subestimou o que encontraria na caixa de entrada daquele celular. Chegando a cozinha, Vincent pegou um copo que havia sobre o balcão e o encheu de água. Dois grandes goles foram dados até conseguir esvaziar o copo, por completo. Havia uma janela ali, as grandes cortinas arrastavam sobre o chão. Embora isto não lhe fosse como uma típica ação de seu cotidiano, Vincent tentou observar o nascer do sol através da pequena fresta que havia entre as cortinas. Aos poucos, o céu enegrecido era rompido, o que significava que logo mais o sol subiria a linha do horizonte.

Adentrando com seus dedos em sua mediana cabeleira negra, Vincent caminhou até a sala e sentou sobre o sofá. Sua mão alcançou o celular e a bateria. Os olhos negros de Vantoch estiveram bastante atentos, e ao colocar a bateria em seu devido lugar, ele esperou o celular iniciar. De alguma forma, ele chegou a jurar que estava apenas perdendo o seu tempo, porém não. Quando enfim a tela inicial surgiu diante de seus olhos, Vincent logo se deparou com várias e várias mensagens. Confuso, ele leu com atenção as primeiras quinze mensagens.

Bradley Smith havia enviado mais de vinte mensagens, e, em todas estas, ele implorava para que fugisse ao seu lado. Entretanto apenas uma única e específica mensagem o que havia chamado a atenção. Talvez fosse a sexta ou a décima mensagem de texto enviada por Brad, entretanto a simples maneira, a qual foi usada por ele para se referir à Jennifer e a criança que se desenvolvia em seu ventre havia sido mais do que suficiente para causar um certo ar de estranheza e apreensão em Vincent.

..."Vamos fugir! Vamos para Boston, Jen. Lá poderemos ter uma vida ótima. Ou melhor, nós e o nosso pequeno bebê vamos ter uma vida maravilhosa!."...

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