...|Saul Harris| ...
...Um mês depois......
UM MÊS HAVIA SE PASSADO DESDE O SEPULTAMENTO DE JENNIFER GRAYSON. E neste meio-tempo muitas coisas aconteceram e o segredo da morte da garota foi descoberto. O que Saul temia aconteceu: repórteres e curiosos o perseguiam diariamente, em busca de mais informações sobre o caso, que, muito recentemente, tornara-se algo público. Mas quem foi o responsável por vazar informações sobre a investigação confidencial das autoridades? Simples: Margareth Grayson.
No início, ela tentou manter o seu silêncio sobre tudo, porém, a filha estava sepultada no cemitério da cidade. Seu tumulo muito bem adornado, continha muitos detalhes singulares em suas estruturas, os quais atraíam os olhares curiosos. A filha do advogado contratado pela elite americana estava enterrada ali. E, por certo, com a repercussão da fúnebre notícia, Margareth e Wilbur Grayson tornaram-se o foco de tudo.
Por outro lado, ainda tínhamos Vincent Vantoch. Desde a última vez em que fora visto por Saul, ele já aparentava uma péssima saúde física e emocional, mas agora tudo parecia estar pior. Segundo o diretor-geral do hospital psiquiátrico, Vincent havia entrado em um estado depressivo, o qual se agravava cada vez mais. Os remédios já não faziam o mesmo efeito. Em uma das muitas ligações feitas, Joey Miligan explicava à Saul as novas dificuldades que tinham para manter intacta a segurança de Vantoch. Miligan falou sobre suas frustrações e também assumiu seu erro ao duvidar dos transtornos mentais do interno.
E agora, Saul Harris e os outros agentes se preparavam. Estavam nas vésperas do julgamento de Vantoch. E Saul seria o responsável por guiar Vincent, em segurança, até a viatura que o conduziria até o tribunal. Decerto, toda a mídia local faria o possível para acompanhar ou ter alguma informação sobre o caso ou o julgamento. Então todo reforço policial seria necessário.
...|Vincent Vantoch| ...
...Um dia antes...
...do julgamento...
Sentado em uma cadeira de aço e com suas mãos algemadas para trás, Vincent havia sido levado novamente à pequena sala, à qual era usada apenas em casos de visitas aos internos. E, naquela manhã, naquela exata manhã, ele fora alertado que alguém estava ali para vê-lo. Isso, sem dúvidas, foi uma grande surpresa em saber que alguém estava ali para visitá-lo, e quando o homem de cabelos negros questionou sobre a tal visita que estaria prestes a receber, a resposta que lhe fora dada o deixara mais supreso ainda.
Quem estava ali para visitá-lo e ter alguns momentos de conversa era exatamente sua ex-esposa, Emily Ross, e sua única filha, Amelie Ross Vantoch.
• • •
Com um coração descontrolado em seu peito, Vincent esteve muito ansioso por reencontrá-las. E ao vê-las adentrar o interior da pequena sala disposta pelo hospital psiquiátrico, um grande sorriso surgiu em seus lábios. Uma alegria grandiosa encheu seu peito de alegria. A última, talvez. Contando 31 anos de idade, Emily Ross era uma mulher linda. A mesma era possuidora de um belo sorriso e um par de olhos verdes que cativavam até mesmo o ser mais bruto que poderia haver.
Emily Ross o amava de verdade. O amou por dez anos, e mesmo agora que estavam separados, o sentimento continuava o mesmo. Porém, por mais que o amasse muito, ela teria que ser firme em suas palavras.
— Oi, Vincent. – ela disse, a voz neutra.
A menina, Amelie, estava em seus braços, e, ao proferir aquele simples e seco "oi", ela a colocou no chão. A pequena menina sorriu ao ver o pai e correu na sua direção para abraçá-lo. Vincent não sabia como explicar ou descrever o amor que sentia pela filha. Amelie ergueu seus bracinhos para abraçá-lo, porém o homem de cabelos negros tinha seus movimentos limitados; não podendo fazer outro movimento, se não inclinar seu corpo na direção da garota.
— Fiquei muito feliz em saber que você estava aqui e que queria me ver. – ele disse, um sorriso enorme delineou-se em seus lábios.
De fato, Emily estava muito feliz por vê-lo. Ela quis sorrir, retribuir o sorriso, porém se conteve.
— Eu apenas vim até aqui porque Amelie queria te ver antes de nós irmos embora. – ela disse, a voz firme.
Descrente do que ouvira sair dos lábios de Emily, os olhos de Vincent arregalaram-se, surpreso.
— Você vai voltar para Londres, Emily? – ele questionou, a voz abafada.
Engolindo seu choro a seco, Emily Ross assentiu à pergunta de Vincent. O grande sorriso que o homem tinha em seus lábios desapareceu, assim como o brilho em seu olhar. Sua filha iria ser levadas para longe, definitivamente.
— Vamos amanhã mesmo. – ela diz.
O olhar de Vincent era tristonho, desamparado, ao fitar o rostinho delicado de sua filha. O homem de cabelos negros depositou um beijo na testa da menina, o qual seria um de despedida. Afinal, não iria vê-la mais.
Lábios estavam trêmulos, os olhos marejados. Ele quis falar algo, porém Emily balançou a cabeça para os outros, negando-lhe a palavra. Vincent estava completamente paralisado em seu lugar, não sabia como reagir. Se antes estava se mantendo por um fio, agora, sabendo que nunca mais veria sua filha, ele sentiu que este mesmo fio que o mantinha firme havia sido rompido, fazendo-o despencar e cair em seu mais profundo e irreversível inferno.
Quando Emily pegou novamente a pequena menina em seus braços e retirou-se da sala, Vincent sentiu como se seu coração estivesse sendo brutalmente apunhalado. Era uma dor profunda, indescritível. Minutos depois, ele foi levado de volta à cela, porém não ficaria ali por muito tempo. Na manhã seguinte seria o seu julgamento. Vincent não queria ir, relutava aos montes. Porém, as vontades da justiça eram bem maiores do que as suas.
• • •
No silêncio de sua cela, uma única lágrima deslizou sobre a face de Vincent. As câmeras de monitoramento não flagraram o momento, o que tornou as coisas um pouco mais difíceis depois. Sentado na borda de sua cama, disposta em sua cela, Vincent tinha algo escondido em sua mão esquerda. Através das câmeras, Cody Sanders não conseguiu ver o movimento sutil das mãos de Vantoch. Desde a sua primeira tentativa de suicídio na cela solitária, Vincent Vantoch esperou, paciente, a chegada de um outro dia.
Segurando com firmeza um outro grande caco de vidro, Vincent precisou de um único golpe. Um golpe contra o seu próprio pescoço foi o suficiente. Uma grande perfuração fora aberta e o sangue jorrou, vívido, salpicando contra tudo. No início, ele não sentiu nenhuma dor, apenas uma ardência temporária. Com o sangue escorrendo cada vez mais, ele sentiu seu corpo inteiro amolecer, caindo ao chão logo em seguida. Uma poça de sangue formou-se embaixo de sua cabeça. Sua visão era turva, porém, à medida em que seu sangue jorrava, lembranças de seu passado retornavam à sua mente.
O alarme de segurança soou, estridente, por todo a instituição. Os seguranças armados correram à ala intensiva. Joey Miligan, assim como todos os outros funcionários entraram em desespero.
Caído ao chão, Vincent pôde ouvir o barulho das trancas da porta de aço serem abertas, e então, ouvira os passos apressados dos seguranças no corredor, vindo em direção de sua cela. Porém já era tarde. Ele já havia conseguido fazer o que tanto queria desde o início. Com os olhos fechados e um sorriso torto em seus lábios, a imagem vívida de Jennifer Grayson veio à sua mente, e, junto com ela, as entrelinhas não lidas de sua última carta, à qual fora feita especialmente para a mesma.
"...vamos ter a vida que sempre desejamos ter. Eu prometo. Você é a minha fonte de vida, e por isso quero estar sempre ao seu lado. Eu te amo muito, Jenny.
Com amor,
Vincent".
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 20
Comments
Gleide Sousa
nossa que história triste para esses dois
2024-10-15
0
💕Sonia Sapelli
muito bom o livro sério nota mil
2024-06-11
0
Ana Silva
Nossa livro me prendeu do começo ao fim ,muito bom parabéns autora, só foi triste ele ter matado ela e o bebê.
2024-04-10
2