12 de julho, 2009 - As Mensagens.

...|Vincent Vantoch|...

...Oito dias antes...

...do assassinato....

PARADA, NO MEIO DA SALA, Jennifer ouviu o barulho do cadeado no portão. E mais uma vez ela estava trancada dentro da casa. Com lágrimas e mais lágrimas escorrendo sobre a sua face, a garota correu de volta para o quarto. A porta atrás de si fechou-se em um baque estrondoso, o qual resoou por toda a casa. Jennifer atirou-se sobre a cama e, pela enésima vez, a mesma se permitiu em se afundar em tristezas enquanto usava um travesseiro para abafar seus gritos desesperados.

Pressionando o travesseiro contra o rosto, a garota gritou. Estava infeliz com a vida que levava. A indiferença de Vincent a machucava, porém nada mais parecia ser mais cruel do que sentir na própria pele a dor do desprezo e da indiferença. E por estar vivendo ao lado de um homem bruto e rígido como Vincent Vantoch, muitas pessoas a chamavam de louca, entretanto, a realidade nem sempre fora essa. No início, Vincent era um homem completamente diferente. Ele era sorridente, carinhoso e repleto de piadas ruins, as quais fazia em seus momentos de descontração.

Lembrava-se ainda com clareza a primeira que o vira. Ele era seu vizinho, e durante muitos meses, a garota nem sequer o havia dado atenção. Mas foi após uma longa conversa em um chat virtual na internet que ambos se aproximaram. Ele era uma pessoa incrível. Tinha todas as qualidades possíveis de um homem digno de respeito. Quando iniciaram um relacionamento, as críticas pesaram contra os dois, porém, segundo o próprio Vincent, ele faria de tudo para estar ao seu lado. E essa ideia de "estar ao seu lado" havia se tornado obsessiva demais, entretanto Jennifer nunca pensou que fosse lhe afetar tão grandemente. Essa obsessão que se iniciara a partir de uma simples jura de amor, tornou-se a sua própria perdição. E quando tudo ia bem, uma segunda pessoa surgiu em sua vida.

Desde que concluíra o colegial, ela estava certa de que nunca mais iria reencontrar Bradley Smith, seu ex-namorado.Talvez...tudo fosse por conta da chegada de Bradley à cidade. Vincent sabia que o garoto recém-chegado era ex-namorado de Jennifer, e, por este exato momento, ele o repudiou desde a primeira vez. Vincent sabia que ainda restava resquícios de um sentimento amoroso entre Jennifer e Bradley. Era um sentimento sincero ao jovem rapaz, coisa que Vincent não teve a honra em ter. Ele amava Jennifer com todas as suas forças, indo ao mais irreversível e impiedoso ponto extremo apenas por ela. Apenas para tê-la consigo, ao seu lado.

...• • • ...

Já um pouco mais calma, Jennifer, aos poucos, parava de chorar. Agora, abraçada ao travesseiro, ela tinha o seu olhar fixo ao teto de seu quarto. Sua mente estava vazia. Vazia o suficiente para entrar em um estado de relaxamento profundo, porém um barulhinho singular conseguiu desviar sua atenção. Ao seu lado, em um pequeno criado-mudo, estava seu celular. Uma mensagem acabara de chegar.

Preguiçosa, Jennifer esticou seu braço direito para alcançar seu celular e trazê-lo para si. Ela realmente esperava encontrar alguma mensagem de alguém conhecido, entretanto esteve muito surpresa ao dar-se conta que a mensagem direcionada a si vinha direito de um remetente desconhecido.

Confusa, Jennifer ergueu ambas as sobrancelhas ao ler a primeira mensagem na caixa de entrada.

Hey, Jen! Sou eu, Bradley! – Assim dizia a primeira mensagem. Jennifer sentiu seu coração disparar. Era realmente quem ela acha que era? E se fosse, por quê ele estaria lhe enviando aquela mensagem depois de vários meses?

Uma outra mensagem chegou enquanto Jennifer ainda analisava, incrédula, a primeira mensagem.

Brad? Como você conseguiu o meu número? – Ela respondeu rapidamente. A garota estava confusa.

Pensativa, Jennifer largou o celular por alguns instantes. Mil pensamentos passaram pela sua mente como um raio. Não poderia continuar conversando com Brad depois do que havia acontecido. O que ela mais queria era esquecer de tudo e seguir em frente, como se nada houvesse acontecido. Ela não precisava de Bradley; Vincent já estava ao seu lado para isso.

Simples: a Annya me passou. E aliás, Jen, nós precisamos conversar. – A mensagem chegou, fazendo o aparelho celular vibrar sobre a cama. Nervosa, Jennifer sentiu seu coração disparar mais uma vez.

Por favor, Brad, nós não temos nada para conversar! – Ela enviou, e sua resposta não durou nem ao menos 10 segundos para ser respondida.

Alguns flashes de acontecimentos passados invadiram sua mente. Há alguns meses atrás, em uma festa privada, realizada apenas para os ex-alunos do campus, Jennifer Grayson e Bradley Smith estiveram frente a frente após o dramático término. Ele estava bêbado, completamente bêbado. E ela? Ela ainda agia como uma louca apaixonada. Quando tudo aconteceu, Jennifer e Vincent já estavam mais do que envolvidos amorosamente. E agora ela pagava pelo seu "erro impulsivo'', por assim dizer.

É sério, Jen. Nós precisamos conversar! – Ele insistiu mais uma vez.

Olha, não me envie mais nenhuma outra mensagem, apague o meu número e me esquece! – Jennifer deu sua palavra final.

Jennifer sabia que Brad não desistiria tão cedo. Decerto, ele enviaria mais e mais mensagens. Então, a garota não conseguiu pensar na melhor situação para fazê-lo esquecer e ficar longe de si. Levantando-se de sua cama, Jennifer deu as costas para a porta. Caminhando de um lado para o outro em seu quarto, ela se viu presa em um verdadeiro problema. A bateria de seu celular havia sido retirada, e agora estava sobre a palma de sua mão esquerda.

Ela suspirou profundamente, e quando estava prestes a tomar alguma grande decisão, uma voz grave e máscula desviou-lhe a atenção. E ali, exatamente ali, recostado contra a parede, estava Vincent. O homem a encarava com um interrogativo.

— Jenny? – proferiu ele novamente, recostado contra a parede.

Ao ouvi-lo, o coração assumiu um ritmo descompensado e suas pernas ficaram trêmulas. A presença de Vincent fora algo completamente inesperada. Jennifer não estava preparada para receber um susto como este. Como ele havia conseguido entrar assim, tão silenciosamente? Ou melhor. Por quanto tempo ele estava ali?

— Vincent?! – ela disse, surpresa.

A forma como a garota reagiu ao lhe ver havia sido o suficiente para despertar a sua curiosidade. Jennifer estava segurando algo, mas ao vê-lo, o mesmo objeto que estava em sua mão acabou por cair. Atento, ele viu quando caiu, e sabia muito bem onde encontrá-lo. Ele poderia questioná-la sobre seu comportamento estranho, mas se conteve.

— Jennifer, eu estive pensando no que você me falou. – ele disse, ignorando tudo que vira e caminhando em passo lento em direção da garota.

— Você vai permitir que eu vá na casa dos meus pais? – ela perguntou. Sua voz tornou-se algo trêmula ao sentir a respiração quente de Vincent se chocar contra a sua face.

Vincent se aproximou cada vez mais, já podendo sentir o doce aroma que exalava da pele de Jennifer Grayson. Aos seus olhos, tudo nela era único, incomparável.

— Amanhã. Vamos amanhã mesmo fazer uma visita à eles. – ele disse, quase sussurrando.

Jennifer suspira, pesadamente.

— Às vezes eu não consigo te entender. – Jennifer diz. Vincent a encara, surpreso. — Ora você diz sim, ora você diz que não. Como posso saber se está sendo sincero?

As mãos do homem se posicionam sobre as laterais do rosto de sua amada Jennifer Grayson.

— Jenny, apenas tenha em mente uma coisa: eu te amo muito, e de forma nenhuma quero te perder.

— Então...se você me ama, por quê me trata dessa maneira? – ela questionou mais uma vez.

Um meio sorriso nos lábios de Vincent. Jennifer não conseguiu entender a motivação para o seu sorriso.

— Apenas esqueça isso, Jenny.

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Comments

Núh

Núh

super tóxico esse cara, ela tem a faca e o queijo na mão e continua quieta

2023-10-10

2

Cecilia geralda Geralda ramos

Cecilia geralda Geralda ramos

uma escolha errada e tudo vira um caos.

2023-09-10

1

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