...Departamento Policial ...
...da Califórnia....
...Horas depois......
— SENHOR HARRIS, AS PROVAS ARQUIVADAS NO DEPARTAMENTO PRINCIPAL EM L.A. JÁ CHEGARAM. – um jovem agente, recém-chegado, adentrou o escritório de Saul, levando consigo uma caixa mediana, à qual possuía o nome "confidencial" em suas laterais.
Com pilhas formadas de papéis e documentos pendentes em sua mesa, Saul Harris, debruçado sobre toda aquela bagunça, suspirou pesadamente. Desde que chegara ao Departamento, após sua rápida visita ao Hospital Psiquiátrico, o detetive-inspetor trancou-se em seu escritório, e de lá, não saiu para mais nada. Há alguns minutos atrás, quando pensava que nada mais seria suficiente para atormentá-lo naquela manhã, Nadia Harris, sua esposa, ligou-o por três vezes seguidas. As primeiras três ligações passaram despercebidas, dado que seu aparelho celular estava no modo silencioso, entretanto quando enfim retirara o aparelho de seu bolso para conferir as horas, recebera uma quarta chamada de sua esposa. Desde que retornaram das férias no Hawaii, sua esposa, Nadia, estava muito preocupada com a saúde de Nolan, e foi por este exato motivo que tentara aos montes entrar em contato com Saul. O garoto – filho único do casal – sempre sofrera com quadros severos de epilepsia, mas agora, suas convulsões mais pareciam haver atingido o ápice.
Após a quarta e última ligação de Nadia, uma mensagem de texto chegou na caixa de entrada de seu celular. Era Nadia Harris. Naquele exato momento, ambos estavam distantes, porém, na forma como estava colocada as mensagens, ele já podia imaginar o quão furiosa ela estava. E isso não era pra menos. O filho ainda era uma criança de pouca idade, e estar sujeita a uma situação como aquela era algo deveras perigoso. Nolan Harris poderia não resistir ao forte ataque epilético.
— Realmente eu espero que neste dossiê contenha informações importantes sobre o caso. – Saul resmungou, erguendo sua cabeça e direcionando o seu olhar ao oficial recém-integrado. — Os arquivos que este Departamento possuem sobre o caso são uma verdade perda de tempo!
O jovem agente, apreensivo, tragou um pouco de sua própria saliva e colocou a caixa de arquivos confidenciais que trazia consigo sobre um espaço mínimo que havia sobre a mesa de Harris.
— Senhor, este é o arquivo completo. – o jovem oficial disse; Saul Harris ergueu ambas as sobrancelhas, surpreso. — O laboratório forense de Los Angeles também irá mandar para cá as evidências coletadas em ambos os cadáveres. E também eu ouvi dizer que vão autorizar o translado dos corpos, como um complemento à investigação.
— Mas eu pensei que os corpos estivessem sepultados. – disse Saul, levantando de sua cadeira e inclinando-se para alcançar a caixa deixada sobre sua mesa.
— Não. A polícia distrital não permitiu o enterro. – ele explicou, inquieto. — Eles dizem que ainda será necessário uma nova necrópsia nos corpos.
Aquela era, sem dúvidas, uma péssima ideia. Uma ideia absurda que havia sido tomada de forma impensada pelas autoridades californianas. Enquanto os corpos estavam sendo mantidos em estado de congelamento extremo no laboratório forense da sede principal do Departamento Policial em Los Angeles, as duas famílias seguiam desoladas, tocadas pelo luto irreversível e injustiçadas pelo assassinato dos filhos. Para eles não haveria paz alguma enquanto não fosse realizado um funeral e enterro solene para ambos os corpos.
— Eu quero os laudos forenses. – Saul disse após um longo e duradouro suspiro.
— Senhor Harris, todos os documentos possíveis sobre Jennifer Grayson e Bradley Smith estão incluídos no dossiê. – disse o jovem oficial. O novato recém-integrado era John Graham, um jovenzinho de pouca idade, vivendo o auge de sua rebeldia, e, em seu contragosto, agora brincava de "polícia e ladrão", trabalhando ao lado de homens maduros em um grandioso Departamento Policial.
Ao explicar, pela segunda vez, que tudo que Saul necessitava saber sobre o caso estava contido naquela caixa, ele pediu permissão ao superior, deu meia-volta e se retirou do escritório, deixando novamente o detetive-inspetor sozinho, imerso em seus pensamentos. Nos corredores próximos ao escritório de Harris, os novos agentes recém-integrados pareciam estar empolgados demais com algo que, sem dúvidas, não tinha nenhuma ligação com o trabalho naquele momento. Junto a eles havia um agente mais velho, o qual agia como sendo uma espécie de "supervisor" para que grupo de jovens. O agente reformado, Alfred Murphy, era sempre muito rígido em suas palavras aos mais novos, e, felizmente, isso sempre funcionava, já que o mesmo sabia como colocar aquele bando de garotos em seus devidos lugares. Naquele momento, Saul Harris agradeceu aos céus pela chegada de Alfred Murphy, afinal ele precisava de paz e tranquilidade, caso contrário, àqueles jovenzinhos estariam ferrados.
Com os laudos forenses em mãos, Saul começou a lê-los, mas já era bem óbvio que o primeiro pertencia à Jennifer Grayson. De início, o detetive-inspetor leu sobre algumas coisas sem importante abordadas no resumo do laudo. Harris deslizou os olhos com desinteresse por toda aquela parte inicial do documento, entretanto o foco de sua atenção logo fora atraído a uma informação destacada em negrito: "Causa oficial da morte."
Atraído ao tópico destacado, Saul começou a lê-lo com atenção:
"Causa oficial da morte: asfixia. A tranqueia e a laringe colapsaram por conta do trauma, e isso impossibilitou a chegada do oxigênio nos pulmões. Levando em conta as informações mais aprofundadas, o dito trauma fora causado por pressão manual. Muito provavelmente pelas mãos de alguém. (...) A vítima morreu por volta das 10:00 horas da noite. Em exame de sangue feito no cadáver, descobriu-se a presença do hormônio gonadotrofina coriônica humana, sendo este produzido pelos ovários no início de uma gravidez."
— Merda! – praguejou Saul. A partir daquele ponto, ele fez uma pequena pausa em sua leitura.
Jennifer Grayson estava grávida de poucos meses quando foi morta pelo ex-companheiro. A investigação tornou-se difícil ao perceber que a vida de um ser inocente havia sido envolvida. Naquele momento, não lhe faltou quaisquer dúvidas sobre Vincent Vantoch e sua conduta fria e depreciativa. Que tipo de homem era capaz de assassinar a companheira e o filho, o qual ainda contava com pouca idade gestacional? Em outras palavras, Vincent era um monstro da pior espécie. Ou menos era isso que Harris julgava ser.
Retirando uma rosquinha com recheio de chocolate de um pacote aberto que estava sobre sua mesa, Saul começou a ler as informações acerca de Bradley Smith. Desde que saíra da casa dos pais, o garoto morava sozinho em uma palafita, há alguns metros de distância da casa onde Jennifer Grayson e Vincent Vantoch moravam. Segundo as anotações feitas pelo legista, Edgar Ferguson, o corpo de Bradley estava repleto de hematomas. Ao que tudo indicava ser, o mesmo havia sido pisoteado brutalmente até que seus órgãos internos entrassem em um estado grave e que algumas de suas costelas fossem quebradas. Houve também uma intensa hemorragia interna; Bradley estava agonizando quando seu agressor decidiu pôr um fim definitivo em sua vida. Sem forças para lutar, o jovem rapaz teve sua vida findada a partir de um corte profundo em sua garganta. O sangue jorrou, formando uma grande poça de sangue.
A polícia chegou à palafita dos Smith muitos dias depois do assassinato. Os gases produzidos pelo corpo em sua decomposição haviam chamado a atenção dos pescadores e caçadores locais. O forte odor de carne podre havia se espalhado por todo o ambiente. E antes acionar a polícia, o caçador, Thierry MacCain, havia encontrado o corpo de Bradley, e, segundo o próprio caçador em seu relato às autoridades, o rapaz estava irreconhecível: o rosto estava inchado, a tonalidade de sua pelo era horrível à primeira vista, e seu corpo, assim como a sua cabeça, estava inteiramente inchado, espalhando um odor desagradável por toda a casa e em suas proximidades. O depoimento do caçador foi recolhido dias depois do corpo de Bradley ser encontrado em sua casa. Agora pesava sobre os ombros de Saul Harris outra grande tarefa: manter todas as possíveis testemunhas do crime em contato frequente com as autoridades.
Nada, absolutamente nada poderia passar despercebido em uma situação como esta. Os Grayson eram bastante influentes, qualquer mínimo erro de Saul ou de sua equipe, poderia acarretar em um grande e impiedoso problema para todos do Departamento. Então, a partir do momento em que Saul Harris começasse, de fato, a trabalhar com as investigações mais aprofundadas sobre ambos os casos, o tão determinado detetive-inspetor estaria se metendo em um grande e enigmático quebra-cabeça, o qual ainda continuava incompleto, aguardando por suas peças finais que logo muito em breve seriam descobertas.
...Hospital Psiquiátrico de segurança máxima. ...
...Ala de recreação....
Horas depois da saída do detetive-inspetor, o diretor-geral Louis Miligan confiou na super eficiência de seu novo sistema de vídeo-monitoramento e ousou em retirar-se um pouco. O velho homem precisava respirar um pouco de ar puro, afim de purificar o seu espírito pesaroso. Ou melhor. Precisava dar uma merecida pausa em seu trabalho. Quando mais achava que estava ficando tão louco e perturbado como os seus internos, lhe caiu sobre os ombros a imensa responsabilidade em chefiar Vincent Vantoch, que decerto era o primeiro criminoso portador de esquizofrenia não especificada em seu instituto.
Na sala de monitoramento havia uma única pessoa responsável por analisar e monitorar cada uma das câmeras existentes no instituto. Cody Sanders era um prodígio, recém-chegado ao hospital psiquiátrico. Com relação ao quesito acadêmico, o jovem rapaz podia ser facilmente considerado um belo exemplo a ser seguido. Entretanto, se fôssemos levar em conta os seus rendimentos no trabalho, este mesmo jovem rapaz seria considerado um péssimo profissional. Em outras palavras assim poderíamos defini-lo: um cara descompromissado, interessado apenas na alta quantia de dinheiro que ganharia se permanecesse trabalhando naquela instituição de segurança máxima.
E, em um exato momento, o qual necessitara ao máximo de sua atenção, o jovem rapaz havia saído de seu posto na sala de monitoramento para reabastecer sua garrafa de água. Nas imagens nítidas, exibidas em cada monitor disponível, via-se com exatidão a movimentação incomum de um dos internos. John Pollock – o mesmo que se dizia o mais valentão de todos – ultrapassou os limites impostos e caminhou em direção de Vincent Vantoch.
Com suas inúmeras tatuagens cobertas pelas roupas dispostas pela instituição, Pollock inflou seu peito e foi ao encontro de Vincent. Uma péssima escolha, logicamente. Afinal o resultado de uma briga entre dois drogados transtornados não seria a melhor de todas.
— Ei, você! – disse John Pollock, aproximando-se cada vez mais de Vincent. — Você é um merda! Entendeu? Um merda!
Vincent não disse nada, apenas moveu minimamente a cabeça para o lado. Pollock continuou avançando em sua direção.
— Você é um covarde! – o mais velho continuou. — Onde está a sua mulher agora, hein? Está morta! Isso mesmo! Está morta, porque você a matou!
Vincent voltou-se na direção de John Pollock. Seu olhar era ameaçador, mas não o bastante para intimidar o companheiro de isolamento. Os cabelos de Vantoch estiveram um tanto desordenados ao serem atingidos por uma leve brisa que se chocara contra o mesmo. Um sorrisinho sarcástico se delineou em seus lábios ao contemplar a tamanha audácia vinda de John Pollock.
Diferentemente de Pollock e todos os outros da ala, Vincent Ambrose Vantoch possuía cabelos negros, medianos, que iam até a altura exata de seus ombros; possuía também uma estatura alta, olhos escuros e uma pele, cuja a tonalidade era facilmente descrita como sendo algo similar a um "moreno claro". E sem esquecer de mencionar que o mesmo descendia de uma nobre linhagem de nativos americanos. Seu falecido pai era neto de um nativo americano, nascido em seus territórios demarcados.
— Você não vai falar comigo? – Pollock insistiu, risonho. — Ora, vamos! Ou o gato comeu a sua língua?
Um segundo sorriso delineou-se nos lábios cerrados de Vincent. E diante de tal ato, John Pollock sentiu-se, de alguma forma, afrontado com apenas um simples sorriso que Vantoch lhe dedicara. O interno avançou um pouco mais adiante, estando agora frente a frente com Vincent Vantoch.
— É. Vejo que você é um fraco. Um inútil. – provocou novamente o interno mais velho.
— É melhor me deixar em paz e voltar para o seu lugar, John. – pela primeira vez, Vincent quebrou o seu silêncio.
O interno mais velho riu-se as gargalhadas, debochando de Vincent e sua boa vontade.
— Nossa! Você sabe falar! – ele ironizou. — Então agora podemos conversar como dois homens...
— Não quero conversar com ninguém! – Vincent adiantou-se em dizer.
A intensidade das gargalhadas de Pollock aumentaram. Estaria Vincent com medo, ou apenas evitando algo pior?
— Você é um merda, Vincent!
"Você é um merda, Vincent" estas foram as últimas palavras ditas por John Pollock antes de tudo acontecer. Retirando um caco de vidro – o qual possuía um tamanho consideravelmente grande – de seu bolso direito, Vincent Vantoch cravou o objeto pontiagudo com todas as suas forças contra o peito de Pollock, que imediatamente cambaleou para trás. John berrou, sentindo as dores agudas espalharem-se por todo o seu peito. Os primeiros sinais de sangue tornaram-se cada vez mais notáveis, tingindo, então, o tecido branco de sua camisa, fazendo-a adotar uma tonalidade vívida de um vermelho puro. Com um sorriso satisfeito, Vincent ultrapassou os limites impostos e avançou em direção de John Pollock.
O homem mais velho se manteve em pé por alguns minutos, porém logo sentiu seu corpo desabar sobre o chão grosseiro do pátio. Havia sido pego desprevenido e agora pagava por sua desatenção. Vincent o pisoteou por repetidas vezes, chegando ao ponto de fazê-lo cuspir o seu próprio sangue. Poderia tê-lo matado naquele exato momento, porém a sirene de alerta havia sido acionada, e, em pouquíssimos segundos após isso, a ala de recreação fora invadida por vários seguranças armados.
— Da próxima vez, fique longe de mim... – Vincent advertiu antes mesmo de ser levado de volta à sua cela.
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Atualizado até capítulo 20
Comments
corrinha
onde será que o Vincent achou esse caco de vidro o colega achou por ser mais forte iria bater no Vincent quebrou e cara e perfurou o peito
2023-10-30
2
Núh
falta de aviso não foi 😅 isso que da mexer com quem ta quieto 🤭
2023-10-10
2
Cecilia geralda Geralda ramos
da até medo .
2023-09-10
0