Estreitando Laços

Samuel

- Não gostou do filme?

- Eu não entendi nada – Yuri resmunga tentando encaixar o disco de atirar no seu relógio do homem aranha.

- Quando eu tinha a sua idade era o jogo de vídeo game mais legal do mundo e tinha vários\, Mario Kart era meu preferido.

Yuri me olha com uma cara de “fala sério, pai”. Checo o telefone mais uma vez, mesmo que não esteja no silencioso, tenho medo de perder alguma coisa.

- Você jogava Minecraft? – Yuri indaga\, ele não olha pela janela como das outras vezes\, está olhando para mim\, o vejo pelo retrovisor do teto e sorrio.

- O que? Isso é ofensivo. Eu jogava Mario\, Donkey Kong\, Zelda\, Sonic.

- Sonic?

- Era um ouriço azul que corria mais rápido que o flash.

- Eu sei\, vi no cinema com a mamãe.

Essas coisas apertam meu peito, toda vez que ele diz algo que fez com Melissa e eu não fazia ideia. Eu era apenas um hospede na minha casa, como se vivesse uma vida separada da minha família e precisei ser corno para perceber.

- Bem\, ainda temos uma hora\, o que quer fazer?

- Sorvete – ele grita com uma animação que nunca tinha sido dirigida a mim antes.

Procuro pela sorveteria mais próxima no Google e agradeço aos céus pelo sinal, o lugar mais próximo é uma hamburgueria temática da Nintendo. Viro a próxima direita e após alguns quarteirões estamos na fila para entrar. É uma sorte que o dono da lanchonete ao chegar no local me reconheça, nos deixando entrar em seguida.

Yuri olha para mim como se eu fosse a porra do Neymar e isso faz eu me sentir ótimo. O local todo é rodeado de papeis de parede imitando os jogos do Pac-man e há esculturas enormes dos personagens dos jogos que eu gostava na infância. Ficamos no salão de jogos enquanto esperávamos uma mesa, certamente isso levaria mais de uma hora, mas para ser sincero não estou mais ligando, depois de conferir o celular uma última vez, guardo no bolso.

- Olha isso – grito ao parar em frente a um fliperama do Street Fighter – duvido ganhar de mim.

- Não\, você tem que me deixar ganhar – ele braveja e eu estou disposto a perder de propósito.

Yuri não sabe como jogar e nem alcança a altura certa ara os botões então coloco contra a máquina e o seguro no colo, mas ele não consegue andar e bater então levanto minha perna e o coloco sentado na minha coxa, por sorte não sou do tipo que pula o treino de perna, assim consigo ajudá-lo enquanto ele aperta todos os botões.

Perdemos por várias vezes até que o garçom chegue nos dizendo que vagou uma mesa, Yuri pede uma taça grande de sorvete e um minuto depois está reclamando da demora.

- O que achou do jogo?

- Mais ou menos.

- Mais ou menos? Você tá mentindo\, adorou.

Ele ri e tenho certeza de que aquele sorriso é coisa mais linda que já vi na vida. Acho que esse amor de pai sempre esteve ali, encubado nos anos que me matei de trabalhar para dar uma vida boa a ele.

Yuri toma metade da taça e diz que está muito gelado, “é sorvete”, respondo. Mas vejo que seus olhos estão cansados, então concordo em levá-lo para casa.

Ele dorme no meio do caminho e quando estaciono na garagem, tenho que leva-lo no colo até o elevador, segurando com um braço, decido ver quantas vezes Melissa me ligou, passa das onze, mas ela não mandou se quer uma mensagem, entendo o motivo quando entro no apartamento e vejo Sonia esperando na sala.

A babá se levanta e se apressa para pegar Yuri no colo.

- Ah\, ele dormiu sem banho? Melissa não vai gostar.

- Ela não está? – pergunto ignorando o que Sonia disse.

- Não\, disse que precisava ir a um evento de caridade e voltaria tarde.

Certamente ela esperava que eu levasse Yuri ás oito da noite como o combinado e não tão tarde daquele jeito, assim eu nunca saberia que ela ficou na rua até as onze.

Sonia leva Yuri para o quarto e decido ficar um pouco e juntar algumas coisas minhas que ainda estão no apartamento, pela milésima vez na noite pego o celular e abro a conversa com Bianca, depois da mensagem “Oi, é o Samuel. Só garantindo que ainda tem meu número.” Havia apenas uma troca de palavras cordeais.

Mas a última mensagem é minha e diz “Tudo certo para domingo?”

Bem, era quase segunda feira e ela não tinha respondido. Me seguro por mais alguns minutos, não quero ser o idiota precipitado que está obcecado por uma mulher ainda casada, mesmo a achando burra por isso.

Pego algumas roupas minhas que eu nem usava mais e os meus relógios restantes e jogo tudo em uma bolsa de academia, fora os relógios ia tudo para a doação. Fecho a porta do closet e me deparo com minha figura no espelho, meus ombros e braços ainda são largos, mas apesar da barriga seca não consigo ver os músculos através do tecido da camiseta.

Estou tentado a ir a academia e malhar um pouco.

Minha visão percorre meus antebraços, termino na mão esquerda, onde ainda uso a aliança, é estranho como consegui pegar minhas malas e ir embora, mas me sentia nu ao tirar aquele anel.

Deito a cabeça no travesseiro na cama de casal que era minha e fecho os olhos, é macio e cheiroso, de novo estou pensando nos seios dela.

- Ah\, que se foda.

Pego o celular e digito algumas palavras. Várias vezes até decidir o que mandar.

“Uma pena que tenha me deixado sem resposta, podia ser divertido”.

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Comments

Iza Paulino

Iza Paulino

Aaaaaah tô amandoooo .. Manda mais autora 😍🔥🔥

2023-05-14

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Atualizado até capítulo 66

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