Samuel
Não falei com Melissa por alguns dias, ela não tinha mais incomodado Bianca e meu contato ela também havia minguado. Agora nossas conversas se baseavam em “oi, tudo bem?” e apesar de me preocupar com ela, é melhor assim.
Minha cabeça esta cheia com o trabalho, mudei de hotel e agora tenho mais espaço para um pequeno escritório. Sei que devia procurar um apartamento, mas ainda estou esperando as coisas esfriarem. Não quero me precipitar.
O telefone toca mais uma vez, sei que não é Melissa, ela parou de me procurar três dias atrás. Pelo número, reconheço que é minha secretária.
- Oi\, Francine.
- Sr. Ferraz? Desculpe te incomodar\, mas o senhor recebeu um envelope do oficial de justiça\, quer que eu envie para você?
Sinto meu rosto esquentar com a notícia. Eu já fui processado antes, mas agora, só podia ser algo a ver com meu casamento.
- Sim\, mande o motoboy.
Desligo o telefone, estou ansioso e não consigo esperar, abro a conversa de Melissa e digito uma mensagem, ela não recebe e sua foto sumiu.
“A vagabunda me bloqueou.”
Então mando uma mensagem de “oi, tudo bem” para Bianca. Sei que ela não vai me responder porque está dando aula, mas visualiza segundos depois.
Não consigo me controlar, levanto e ando pelo quarto, me sirvo de café preto e bebo em um gole. Pego o celular outra vez e Bianca ainda não atendeu.
O nervosismo cresce nas minhas veias, sei que passou apenas cinco minutos, mas estou xingando o motoboy em pensamento porque não chega logo. Quando me dou conta estou ligando para Melissa, ela atende na segunda tentativa.
- Pediu o divórcio.
- É uma petição inicial – ela fala tão rápido que mal consigo entender.
- É assim que vai resolver isso? Depois de ter mandado um monte de fotos da boceta pra outro cara?
- Tentei resolver isso como um casal\, agora é entre o seu advogado e o meu.
- Você é uma piranha.
- Eu estou gravando essa ligação\, para o seu bem\, sugiro que pare de me ofender.
Ela desliga antes que eu fale mais alguma coisa e no mesmo segundo jogo o celular contra a parede, ele arrebenta a tela, ainda está acesa, mas branca e cheia de linhas coloridas sob o vidro estraçalhado. Ele toca avisando da chegada de uma mensagem, olho a hora no relógio no meu pulso e percebo que passou um minuto desde que a aula de Bianca acabou.
- Merda.
Agora não tenho como falar com ela, se Dante fez mais alguma coisa para magoá-la ou se decidir se divorciar, para eu não ser o único a ter um casamento fracassado nunca vou saber.
O telefone do quarto toca, tudo está acontecendo muito rápido, atendo e sou informado do envelope, mando alguém trazer ao meu quarto e sou atendido prontamente.
Ao abrir o envelope, percebo uma única folha no interior. Não leio nada além do nome “Petição para Divórcio Litigioso”.
Não é litigioso, eu estou plenamente de acordo com a separação.
Escaneio e mando por Email para Gean, o advogado da empresa. Digito no corpo da mensagem:
“Pode dar uma olhada nisso para mim? Em segredo.”
Preciso confiar, Gean se tornou um amigo nesses dez anos que trabalha para mim, um advogado muito bom, mas se especializou na área corporativa, não posso cobrar que se lembre algo da vara da família em seus anos de estudo vinte anos atrás. Passa quase duas horas até que ele responde.
“É melhor falar com um advogado que já tenha trabalhado casos do tipo, mas pelo que parece, sua esposa quer abocanhar mais do que tem direito.”
Quero dizer que ela me traiu e perguntar se ele acha que isso pode ser motivo para que eu tire tudo dela. Mas não posso me expor, então agradeço e mando um Email para minha secretária dizendo que estou sem celular.
É impossível trabalhar depois disso.
Pego minhas chaves e saio do Hotel, Preciso resolver isso com um advogado, mas o mais importante, um celular novo.
Pego um novo aparelho, perco mais de uma hora tentando conectar com o aparelho antigo e recupero quase tudo, menos minhas conversas no WhatsApp e como não tinha o número de Bianca salvo, por algum motivo que ainda não está claro para mim, eu ia continuar com aquela dúvida terrível.
Ainda estou dentro do carro com o celular na mão, é quase noite, meus olhos param no enfeite pendurado no retrovisor, uma foto nossa, eu, Melissa e Yuri como uma família normal e feliz. Não vejo meu filho desde que saí de casa.
Não sei como isso aconteceu, eu sempre quis um filho, Yuri era ótimo, foi um bebe silencioso e calmo e uma criança esperta, engraçada. Meu trabalho me tomava tanto tempo que simplesmente deixava para o dia seguinte, amanhã eu brinco, amanhã eu converso, amanhã eu amo. Cinco anos se passaram e eu nem sei qual o super herói preferido dele.
De repente dou razão á Melissa de me trair, sou um marido de merda, como sou um pai de merda. A raiva crescer em meu peito e esmurro o volante com toda a minha força por várias vezes, quando paro, estou suando e ofegante.
Eu não devia, mas me decido por não voltar ao hotel, no lugar disso estou acelerando a caminho do meu apartamento, para ter uma conversa muito séria com minha quase ex esposa.
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Atualizado até capítulo 66
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