O Primeiro Término

Samuel

Pelo app de segurança no celular, observo o apartamento do meu Tesla no estacionamento do prédio. Longos minutos vendo Melissa andar de um lado para o outro atrás de Yuri que já devia estar dormindo, então ela pega o celular e encosta no balcão da cozinha, não posso ver, mas imagino que está sorrindo para a tela enquanto lê as mensagens dele.

Eu não devia ter medo de entrar na minha própria casa, fugindo de uma conversa que não foi causada por mim.

Ela era a adultera, ela traiu a mim, nosso lar, nossa família. Porque eu me sentindo tão culpado. Será pelo que aconteceu ou pelo que estou prestes a fazer.

Não quero que ela me veja agora, então espero que ela entre no banho e corro para o elevador. Parece uma eternidade até que ele chegue na garagem e mais ainda enquanto sobe até a cobertura.

Meu coração está acelerado.

“Eu seria um péssimo assaltante.”

Abro o app da impressora no escritório e ele começa a buscar sinal, ainda está longe, mas eu insisto apertando em repetir toda vez que a busca para.

Encontro o sinal bluetooth quando chego na porta e vou em imprimir. Entro em silêncio, a casa está completamente limpa e arrumada exceto pela taça de vinho tinto sobre a bancada da cozinha.

Abro meu closet apenas para pegar a mala grande no alto, encho com roupas de trabalho e academia, meias limpas e dois relógios para ocasiões diferentes. Meus carregadores, laptop e kindle vão comigo, o resto posso pegar depois.

Paro no escritório para pegar as fotos na impressora, mas a bandeja estava fechada e agora as folhas estão todas espalhadas pelo chão, cogito a hipótese de manter assim, como uma provocação de um coração ferido.

Mas não estou com meu coração ferido, o ego e a confiança sim, mas estranhamente não quero chorar, mesmo vendo as bolas pequenas e brancas de Dante impressas, que foram respondidas com emojis sedentos pela minha esposa.

Junto as folhas e as coloco ao lado da taça cheia, na cozinha. Quando ouço o chuveiro desligar. Quero entrar no quarto de Yuri e dizer até logo, mas não faço. Não há tempo.

Corro para fora e decido não esperar o elevador, vou de escada, são vinte e três andares, mas para descer é mais fácil, com meu tamanho pulo os degraus de dois em dois. Levantando a mala pela alça, não há tanto peso nela e penso que peguei pouca coisa.

Mas é quando chego ao térreo e abro a porta da escada de emergência que paro. Eu só tenho que descer pela escada social mais dois andares até alcançar meu carro. Mas congelo ao ver Bianca esperando o elevador.

Ela está sozinha, apesar das altas horas, seu rosto está triste e seus olhos vermelhos, não precisa ser um gênio para saber que estava chorando.

Bianca olha para mim, como se atraída pela fixação nela, eu não sei o que fazer então aceno com a cabeça, ela me dá um pequeno sorriso e acena, seus olhos descem para a mala em minha mão e seu queixo treme.

- Sinto muito – ela balbucia.

Então não sei o que estou fazendo, mas atravesso o hall até onde ela está e digo “oi”.

- É definitivo ou...

- Eu ainda não sei – respondo – não conversamos. Você falou com seu marido?

- Sei que devia\, mas ainda não parece a hora certa. Como está Yuri? Ele caiu no pátio hoje.

- Ele tá bem – respondo de forma genérica\, eu não o via acordado há quatro dias\, como ia saber que ralou o joelho.

- Ele é um ótimo garoto.

- Você está voltando par casa? – minha pergunta é tão idiota quanto a resposta é óbvia.

- É\, ele já deve ter voltado. Vou tentar conversar.

Ela engole em seco, troca o livro de mão e então a seca no vestido.

Bianca é uma mulher muito diferente de Melissa, não só na aparência, ela é doce, gentil e simpática, o tipo de pessoa que você não consegue imaginar ficando zangada, por mais que tente. Ela não merece o que Dante está fazendo, é uma boa esposa, boa professora e imagino que deva ser muito boa na cama.

“Idiota”.

Eu não devia estar pensando sobre a esposa do amante da minha mulher, mas quando ela sorri apertando os olhos com as bochechas até que eles fiquem pequeninos, tenho uma nova obsessão.

- Precisa de uma bebida para encarar essa conversa?

Ela vai dizer que não bebe e que se isso for um convite, o que realmente é, será muito inapropriado, então eu vou parecer um idiota.

Ela olha para a capa do seu livro e depois para quantas paginas faltam.

- Eu nunca provei tequila – ela diz como se sentisse indignada por isso.

Eu também estava.

- Sério? Nunca provou?

Ela rola o lábio inferior para baixo de seus dentes e sorri, parece uma menina arteira e quer fazer algumas bobagens.

- Mas eu não sei\, não parece apropriado.

- Tem um bar bem em frente\, você toma uma dose e te deixo subir para encarar o que quer que seja.

Ela olha para acima da porta do elevador, está descendo lentamente, se ele chegar e abrir as portas, Bianca vai dizer que é um sinal e vai embora.

Ainda não entendo por que quero tanto entrar naquele bar com ela, tento pensar que não é vingança. Tenho quase certeza que não é.

Tomo a iniciativa e dou um passo na direção do Hall, ela ainda hesita e eu não faço ideia do que estou fazendo.

- É só uma bebida\, moça. Não tem nada de mal nisso.

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Comments

Iza Paulino

Iza Paulino

Hahaha quero só ver

2023-05-14

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Atualizado até capítulo 66

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