Capítulo 8

Olivia Narrando

Desço as escadas correndo quando ouço o som da campainha ecoar pela casa, Rayca filha da minha tia Karolina chega hoje de Nova Iorque e confesso que isso é o que tem me acalmado, estou nervosa como antes de uma grande apresentação afinal estarei completamente exposta na recepção que acontecerá essa noite na mansão, sei o que papai disse a respeito de ser algo íntimo e isso não me convence nenhum pouco, a última confraternização minimalista que realizou nesta casa durou dois dias e reuniu trezentas pessoas, sou uma mulher extrovertida, multidões nunca me assustaram mais quando se trata de minha aparência a ser julgada e não o meu trabalho ser avaliada começa a me arrancar da minha zona de conforto, a necessidade de agradar é uma merda e é algo que nunca fiz questão.

— Olivia.

Ouço a voz de Ray segundos antes dela saltar em meu colo, está diferente da última vez em que nos vimos, os cabelos na altura da cintura foram cortados em um elegante Chanel, sempre elegante, sempre linda, eu senti tanto sua falta.

Rayca, 18 anos

— Deus, que bom que veio.

A abraço forte.

— Espera, vamos devagar mocinha!

Ela sorri.

— Sou eu quem deveria estar surpresa, não tinha uma maratona de espetáculos para realizar em Moscou esse ano? eu até comprei ingressos para alguns deles, mamãe estava ansiosa para vê-la.

Suspiro e seu olhar se estreita.

— O que está acontecendo Olívia?

— Vem.

A seguro pela mão enquanto os funcionários levam as malas para o quarto, Rayca e eu caminhamos para o jardim, o lugar está sendo decorado, a quantidade de pessoas por todos os lados me deixam ainda mais nervosa, definitivamente não é apenas um simples jantar o que acontecerá essa noite.

— Tive problemas na Rússia.

Me sento na espreguiçadeira próximo a piscina e ela faz exatamente o mesmo.

— Qual tipo de problemas?

— Lembra das flores e dos bilhetes que eu disse estar recebendo?

Ela assente.

— Não eram de um fã Ray, eram de algum luná*tico, sai para jantar um dia desses com um dos bailarinos da companhia e quando voltei para casa meu apartamento havia sido arrom*bado, completamente destruído, até hoje estou tendo trabalho com o seguro.

— Meu Deus.

Ela leva as mãos à boca.

— E Isso nem foi o pior, fiquei com medo de dormir sozinha e achei que seria uma boa ideia passar a noite no meu camarim no teatro, o lugar estava ainda pior que a minha casa, todo quebrado e com um...

Minha voz embarga.

— Com um?

— Um gato enforc*ado com minhas meias calças amarradas aos cabides.

— Olívia isso é muito sério, chamou a polícia? O que o tio Zayan fez?

Fico em silêncio.

— Não contou a ele?

— Não, conhece o meu pai Ray, ele faria um estardalhaço em torno de tudo e iria para o ralo qualquer chance de eu voltar para a Rússia, eu amo meu trabalho, não quero ser impedida de realizá-lo.

— Tem ideia de quem possa estar por trás disso?

— Eu já tentei pensar em alguém que fosse capaz de fazer essa loucura mas não consigo, sabe que não existem ex namorados ou pretendentes, minha vida nos últimos anos se resumem em ensaios e apresentações.

Ela suspira.

— Tá.

Tento me recompor, Rayca está em Roma para se divertir e não para ouvir os meus problemas, é a primeira vez que a vejo em seis meses e estou aqui enchendo sua cabeça com as minhas frustrações.

— Está pronta para festa de hoje a noite?

Ela sorri.

— Pedi a modista de mamãe para trazer algumas roupas para experimentamos, mamãe disse que será algo íntimo mas que não abre mão de um vestido elegante.

— Traduzindo.

Ele gargalha.

— Não será algo íntimo.

Dizemos em coro caindo no riso.

— Isso vai ser legal.

Ela diz encarando as mãos, sei o que está pensando e me adianto.

— Acha que está pronta para ver o Atíla?

— Na sei, ele só me chutou como um bicho doente por não estar pronta para tran*sar.

— O Atíla foi um ba*baca.

Digo e ela assente.

— É tão diferente do Estevan, como pode um ser tão doce, gentil e cavalheiro enquanto o outro é um moleque inconsequente.

Sorrio e ela me encara de um jeito engraçado.

— Estevan gentil? cavalheiro e doce?

Cai na risada.

— Definitivamente não estamos falando da mesma pessoa Olivia.

— Porque? ele é incrível comigo.

— Você não se aplica a regra, todos sabemos que ele é completamente apaixonado por você desde de moleque.

A encaro confusa.

— Qual é? está brincando que não percebeu né?

Meu rosto não esconde o choque.

— Está enganada Ray, Estevan e eu somos irmãos, é assim que ele me vê, como uma irmã.

Ela balança a cabeça em negação.

— Está se fazendo de cega.

Se levanta arrumando a roupa.

— Mas vamos ver por quanto tempo conseguem ficar nesse joguinho.

Me estende a mão e eu agarro.

— Espero que tenham preparado algo para comer, estou faminta.

— Meu Deus, o bolo.

— Adoro bolo, onde está?

— Não Ray, falei com o Estevan que eu iria preparar um bolo, é aniversário dele, lembra?

— Não, mas você não esqueceria né.

Ela ri.

— Ai, não diga asneiras, vem vai me ajudar com os preparativos.

A puxo pela mão e ela arfa, enquanto bato a massa ela come toda cobertura, está completamente melada de chantilly quando terminamos.

— O que quer comer? vou pedir a uma das funcionárias para preparar.

— hum.

Ela passa a mão pela barriga, sorrindo de um jeito travesso.

— Não sei o que houve, mas a fome passou.

— Claro, comeu todo o recheio do bolo.

Ela ri, já saímos da cozinha quando por ela entra Atíla.

— Deixaram um pouco para mim?

O sorriso no rosto de Rayca desaparece.

— Com licença.

Ela diz ignorando a presença de Átila, sai nos deixando a sós, ele passa as mãos pelos cabelos e me encara.

— O quão chateada ela está?

— Não sei se sou capaz de calcular.

Ele arfa.

— Mer*da.

Soca o mármore à sua frente.

— Ela sabe que eu fiz aquilo pelo bem dela né? por*ra ela não estava pronta e eu não queria ser um babaca traindo ela.

— Dê tempo a ela, só é recente.

Ele me olha contrariado.

— Ela é um garota linda, certamente vai encontrar um cara legal.

Vejo os olhos dele nublarem mas não diz nada.

— Ela está linda.

Diz quase inaudível.

— É, ela está, uma pena ter jogado o que tinham fora por não saber esperar.

Ele suspira.

— Eu amo ela Olivia, senti sua falta todos os dias em que estivemos separados, acha que ela vai me perdoar?

— Não sei, a deixe se curar, se for para ser, vocês se acertam.

O beijo no rosto saindo em seguida, sei que ele está arrependido, sei também o quanto Rayca é vingativa, nesse momento tenho tanto pena quanto dó, ela vai acabar com a sanidade dele.

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Comments

Summer 🔥

Summer 🔥

Qual sanidade? 🤣🤣🤣

2024-10-15

0

Summer 🔥

Summer 🔥

A bichinha é mesmo inocente 😇 🤭🤣

2024-10-15

0

Magna Figueiredo

Magna Figueiredo

Filha de peixe /Hey//Hey//Hey//Hey/

2024-09-02

0

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