Hanna estava com os pensamentos tão distantes que sequer raciocinou diante da ordem de Bruno e simplesmente adentrou no carro.
Enquanto ele dirigia, ela pegou uma gaze do bolso para estancar mais o ferimento da mão, pois o curativo que fizera já estava molhado em sangue.
Hanna: De..de..desculpe senhor, mas você passou do postinho de atendimento.
Bruno: Eu sei, a levarei até um hospital descente...
Hanna: Não precisa se incomodar com isso.
Bruno simplesmente ignora as palavras de Hanna e continua dirigindo até chegar ao hospital particular no qual costuma ser atendido. Os dois entram e ele passa brevemente pela recepção e logo após, a conduz até a sala médica.
Um médico entra na sala, tira o curativo improvisado e analisa o estado da mão de Hanna.
Médico: Esse sangramento todo é preocupante, acredito que ainda há resquícios de vidro em sua mão. Vou precisar fazer uma pequena incisão para retirada desses pequenos objetos, caso contrário, poderia ter uma infecção e, no pior dos casos, perder a mão.
O médico então inicia o procedimento e após meia hora, já havia dado os pontos e estava enfaixando a mão de Hanna.
Médico: Você precisa repousar sua mão durante alguns dias. Nada de levantar objetos pesados, molhar com produtos de limpeza domésticos.
Hanna: Meu trabalho exige isso de mim, não posso parar durante esses dias, caso contrário, serei demitida. Mas tentarei ter cuidado com minha mão mesmo assim, obrigada doutor.
Bruno observava tudo, os dois saem da sala médica, ele novamente passa pela recepção e paga as custas do hospital em atender Hanna e os dois vão até o carro estacionado.
Bruno: Onde fica o seu endereço?
Hanna mesmo sem jeito explica o local onde mora. A essa altura, já não desconfiava que o ricaço fosse fazer algum mal a ela.
Ele dirige até lá e para o carro em frente a casa de Hanna que antes de descer do veículo, pergunta.
Hanna: Quanto devo ao senhor?
Bruno: Está brincando comigo garota?
Hanna: Não, apenas queria restituir o valor que gastou comigo no hospital.
Bruno: Não se preocupe com isso, não me faz falta. Aliás, pare de me chamar de senhor, é irritante, meu nome é Bruno.
Hanna ficou com as bochechas ruborizadas, desceu do carro e agradeceu a Bruno por tê-la ajudado e trazido até sua casa.
Ele aguarda ela entrar e logo após arranca com o carro.
Bruno foi embora para a empresa pensativo. No primeiro momento, sequer reparou na garota que o atendia, mas após ver o corte e sua mão sangrando, aquilo de certa forma mexeu com ele, além de machucada, foi ofendida pela gerente do estabelecimento. Aquilo o fez lembrar de quando morava na rua, aliás, tudo na garota o lembrava dessa época de sua vida, as vestimentas, o bairro onde mora a casa, com certeza é uma realidade dura. Não conseguiu passar despercebido por ele.
A garota poderia muito bem ter aproveitado o momento e se jogado em cima dele, como muitas faziam ao descobrir que era um grande empresário no ramo de jóias. Mas Hanna se manteve quieta o tempo todo e até mesmo se ofereceu para pagar as próprias despesas do hospital, aquela atitude despertou algo na mente de Bruno que o deixou reflexivo o restante do dia.
Ao chegar na empresa, consequentemente atrasado para o restante dos compromissos do dia, Bruno se apressou e foi cuidar de seus negócios.
~ Hanna ~
Desde quando cheguei em casa, não tiro aquele homem da minha cabeça. Todas as vezes que, por algum motivo, observava minha mão enfaixada, lembrava de Bruno e de seu jeito severo, mesmo realizando uma boa ação.
No entanto, meus pensamentos são traiçoeiros e me fazem acreditar que a única razão para ter tido tal atitude foi por pena...
Enfim, mesmo com os pensamentos no ricaço mau humorado, dediquei a tarde em terminar um quadro encomendado por uma de minhas professoras, estava praticamente finalizado e o dia de sol foi essencial para secá-lo. Então emoldurei e embalei com o intuito de levá-la à faculdade pela noite.
Olhei o relógio e já era quase hora de pegar a condução para a faculdade, então corro até o banheiro e antes de banhar coloco uma luva de silicone em minha mão machucada, olho no espelho e vejo meus cabelos longos, por um segundo tive uma ideia bem prática. Peguei a tesoura numa gaveta e fiz um corte reto em meus fios, reduzindo e muito o comprimento, assim seria mais fácil e rápido para me arrumar antes dos compromissos do dia.
Por alguma razão, amei o corte e gostei da minha imagem no espelho, o que raramente acontecia. Terminei o banho e vesti uma blusa preta e uma calça jeans wide leg, junto ao meu tênis ALL star, peguei em uma gaveta um de meus únicos batons vermelhos e passei nos lábios. Após isso, peguei minha mochila, o quadro e fui caminhando até o ponto de ônibus.
Longos minutos se passaram até chegar à faculdade. Ao entrar na sala, ouvi um burburinho de que um empresário muito rico viria dar uma palestra para minha turma e apresentaria um projeto novo que valeria a nota do semestre. Sentei ao fundo e coloquei meu quadro ao lado para não chamar atenção.
Algum tempo depois, chegaram Ágata e Fernando, super animados com a notícia que estava voando pelos corredores.
Ágata: Amiga, o empresário gato já chegou? Estou ansiosa!!!
Ágata: Espera, não creio que você cortou o cabelo e está usando o batom que te dei de presente. Está lindaaaa!
Fernando: Será que estamos diante de uma nova era Hanna? kkkk.
Hanna: Nem vem, só cortei o cabelo por praticidade e o batom foi para experimentar algo novo.
Fernando: O que houve com sua mão?
Hanna: Foi um acidente no trabalho...
Fernando: E aposto que aquela megera da Marta ainda culpou você e insultou na frente dos clientes. Lembro muito bem do pesadelo que era trabalhar para aquela mulher.
Nesse momento, o professor chega e todos os alunos ficam em silêncio.
Professor: Boa noite, hoje temos a honra de receber em nossa universidade um homem de negócios renomado mundialmente. Ele é dono de uma rede de jóias de luxo, referência em importação e exportação de pedras preciosas. Apresento a vocês, Bruno Pastolato. - Todos aplaudem a entrada dele.
Ao ver quem se tratava, Hanna fica estática. Não podia acreditar que o homem que a ajudou mais cedo era o tão famoso Bruno Pastolato. Ela havia até realizado uma pesquisa acadêmica sobre sua empresa para uma de suas aulas na faculdade.
Só de pensar que esse homem a viu catando cacos de vidro do chão mais cedo, suas bochechas já ficaram ruborizadas.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
Vó Ném
Vamos ver se ele a reconhecerá? É tão desligado!!
2025-01-09
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Fatima Maria
SERÁ QUE ELE VAI NOTAR ELA.?
2025-03-05
0
Elenita Ferreira Dos Santos
estou amando a leitura muito bom esse livro
2025-02-06
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