Olhando o seu corpo e o sol que ameaçava se por, ele percebeu que não tinham comido nada naquele dia.
Ao invés de acordá-la, ele foi na caminhonete e pegou algumas coisas.
Na cabana tinha um fogão a lenha, que servia para preparar alimentos e também para aquecer o cômodo.
Vicenzo tentou preparar uma sopa, pensando que ele era filho de um dos mafiosos mais poderosos da Itália. O patrimônio dos Montanaris, eles não costumavam quantificar, ele só podia dizer que falta de dinheiro é algo que nunca teve.
Ele era acostumado a ser servido pelos empregados com o melhor da culinária italiana, dormir em uma cama enorme e muito confortável. Estar em um quarto muito bem decorado, com alguma vista deslumbrante.
E desde que veio para cá, tem estado em uma realidade muito diferente. Preparando uma sopa em um fogão a lenha, em uma cabana mal aquecida e prestes a passar a noite encolhido em uma cama maltrapilha de solteiro, com um ragazza de hábitos simplórios sendo aquecida pelos seus braços.
Ele sorriu pensando que a vida tinha das suas ironias. Ele não deveria se admirar, já que sua própria história era uma bela de uma ironia.
Ele podia a qualquer momento procurar uma forma de se comunicar com os Montanaris e em um segundo estaria seguro na Itália. Mas não, preferia tomar aquela sopa ruim com a sua piccolina.
Ele senta-se na cama, coloca a mão em seus ombros e a sacode, levemente.
Marija acorda e se espreguiça, sentando-se na cama.
De repente, se dá conta que estava nua e puxa o cobertor, se cobrindo.
Vicenzo sorri, pois aquilo seria uma atitude típica dela. Era uma pequena hipócrita. Depois de ele ter visto o seu corpo nu de vários ângulos possíveis, ela resolve dar uma de tímida.
— Vira para lá! — ela diz, o empurrando.
Ele revira os olhos e se vira de costas para ela se trocar.
Após encontrar suas roupas, que estavam espalhadas pelo chão, e vestir, Marija diz:
— Vamos para a Caminhonete, ainda tem muito chão pela frente.
Vicenzo se vira e a pega contra a vontade, senta-se na cama a segurando em seu colo e diz:
— Já anoiteceu, ragazza. Você dorme como um urso, hein? Agora é perigoso pegar a estrada, vamos continuar por aqui.
— Anoiteceu! — ela exclama, empurra ele e corre para a janela. Ela abre e vê breu da noite se formando. — Por que não me acordou, puttano?
Ele vai até ela, a abraça por trás e diz ao pé do seu ouvido.
— Queria ouvir os seus roncos.
— Ronco?! Eu não ronco! — ela responde, brava.
— Estou brincando — ele sorri — Mas eu me senti culpado, acho que peguei pesado. Depois da föda, desmaiou. Na próxima vou tentar ir devagar.
Ela fica um pouco vermelha e tenta se soltar dele, mas ele a prende.
— Não vai ter próxima. Você pediu que eu experimentasse antes de morrer, não foi? Já experimentei.
Ele dá um beijo em seu pescoço, fazendo-a se arrepiar e após dá um tapa em em sua bunda e diz:
— Pode experimentar até cansar. Duvido que não vá querer novamente depois do trato que te dei.
Ela já estava mole, com a voz dele ao pé de seu ouvido, o seu cheiro e o seus braços fortes a apertando.
— Por que fica toda hora batendo na minha bunda?! — ela diz, sem olhar para trás, em um tom menos hostil.
— Deve estar com fome, hum? Eu fiz sopa. — ele diz a soltando e ignorando a sua pergunta.
Ele caminha em direção ao fogão e ela se vira em direção a ele, cruza os braços e diz:
— Deve estar horrível!
— Talvez esteja. — ele diz, dando de ombros — Mas é o que temos para o jantar. Se quiser, pode cozinhar outra.
Ela olha para fora, vendo tudo escuro, após para o caldeirão onde ele estava se servindo de sopa e diz:
— Não é certo desperdiçar comida.
Ele lhe entrega a tigela que estava se servindo e eles tomam a sopa a em silêncio. Até que não estava tão ruim, pois Vic gostava muito de cozinhar e tinha mania de levar Vicenzo para a cozinha com ela desde muito pequeno.
Ele brincava com as panelas enquanto ela preparava quando bebê e conforme crescia, fazia outras coisas, como o dever da escola, jogar no celular na adolescência e até conversar com ela sobre os amigos que estavam fazendo.
Nunca lhe foi cobrado que aprendesse, mas ao ver a mãe cozinhar, tinha alguma noção. Isso era uma coisa que só Marija havia experimentado, ele não havia tentado cozinhar para nenhuma mulher antes, nem para a sua mãe.
Terminaram de comer e Marija passou a mão pelos braços, com o vento frio que entrava pela janela. Ela foi até lá fechar, mas o frio continuava.
Quanto mais as horas passavam, mais fria ficava a noite.
Vicenzo observando, foi até o fogão e mexeu nas brasas para mantê-las acesas e aquecer um pouco o ambiente.
Marija foi para a cama e se enfiou embaixo do cobertor, enquanto Vicenzo brincava com uma faca em sua mão.
— O que é isso, putano? — ela pergunta, olhando com curiosidade.
Ele se levanta, vai até ela e se senta na beirada da cama, colocando a faca em sua mão dizendo:
— Esse foi um presente do meu papa e da minha mama.
— É bonita. — ela diz sorrindo, olhando o metal brilhante da faca e os detalhes dourados do cabo.
— É… — ele diz sorrindo suavemente. — Se você gosta, pode ficar com ela.
— Ah, não… Eu não sei mexer com facas e isso foi um presente dos seus pais.
— Eu vou te ensinar. — ele diz com um olhar sério — Mama e papa me dão muitos presentes. E você precisa aprender a se defender, ragazza. Quando eu for embora, quero que consiga se proteger sozinha.
Ela abaixa a cabeça, estranhando aquele sentimento que apertou o seu peito. Vicenzo a provocava o tempo todo e por muitas vezes ela pediu para ele ir embora, mas agora lhe dizendo que uma hora realmente iria, ela desejou que não fosse.
Marija olha a faca em sua mão e envolve o objeto com as duas mãos pensativa, depois que ele se fosse aquele seria o único objeto que a faria lembrar dele.
Ele pega em suas mãos, delicadamente e diz:
— Tome cuidado, hum? É muito afiado. — ela abre as mãos, ele pega a faca, coloca dentro da bainha e após, devolve para ela.
Ela dá um sorriso, com a preocupação dele, guarda a faca e após diz:
— Eu também tenho um presente especial dado pelos meus pais. — ela retira uma correntinha que usava no pescoço, que tinha um pingente de coração, ela abre e havia uma uma foto em cada lado do interior do pingente. Uma era de uma garotinha sorridente e outra era de uma mulher, ao qual, Marija aponta e diz — Essa aqui, é a minha mãe. Mama, como você diz.
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Atualizado até capítulo 73
Comments
Jacque gil
Tadinha como ela vai sobreviver sem ele 🙈
2024-12-30
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Maria Pinheiro
Não!! eles não podem se separar ela não duraria dois dias sem ele .
2024-11-15
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Arlete Fernandes
Eles não vão se separar coisa nenhuma kkkk
2024-11-08
0