Vicenzo olhou fixamente para o ladrilho e após alguns instantes de silêncio, disse:
— Não estive na cidade, ragazza. Só estive na base militar.
Ele se vira e diz:
— Como foi essa explosão?
— Foi uma explosão. Como eu posso saber?
— Como foi a abrangência da explosão, estúpida?
— Não sobrou nada… — ela diz, olhando para o lado. Não deixando que ele visse a tristeza em seu olhar.
— Uma granada não faz isso, ragazza. Isso só uma bomba pode fazer…
— Bom… que bom que não foi você. — ela diz baixo — Iria me sentir a pior pessoa do mundo por ter te salvado.
Mesmo ela escondendo, Vicenzo conseguia perceber a sua melancolia. Até agora pouco ela estava toda animada ensaboando ele e agora, parecia que tinha uma nuvem negra em cima de sua cabeça. A verdade é que Marija ainda não teve tempo de passar pelo seu luto.
Ele pega em seu queixo e a faz olhar em para o seu rosto de expressões intensas e diz:
— Ragazza, estou em dívida com você. Mesmo sendo fracote, mostrou que não é totalmente um peso morto. Tentou me salvar por duas vezes e eu posso te compensar por isso.
Ela olha com curiosidade para ele e ele continua:
— Estou fraco, mas ainda posso acabar com sua tristeza.
Ela não estava entendendo onde ele estava querendo chegar e por isso sua expressão de confusão piorava.
— Ragazza, eu não vou conseguir fazer alguma coisa, mas você pode fazer sozinha e se divertir a noite toda. Eu me seguro.
— Sobre o que está falando? — ela pergunta com um grande ponto de interrogação na cabeça.
Ele olha para baixo e ela lentamente acompanha o seu olhar. Foi nesse momento que ela caiu na armadilha da “anaconda”, que estava ali pronta pra dar o bote.
— Aaaah! — ela grita de raiva e após o acerta com um tapa no rosto — Você é inacreditável!
Ela sai do banheiro e o deixa para terminar o banho sozinho.
— Dio mio! O que eu fiz desta vez? — ele pergunta sério, já que acreditava fielmente que iria ajudá-la em sua proposta.
Ele fica a esperando voltar e percebendo que ela tinha ido embora mesmo, grita:
— Ragazza! Se não me der uma toalha vou ter que sair do jeito que vim ao mundo.
Ela não responde e ele grita novamente:
— Vou sair, hein? Se ver a anaconda de novo, não vai ser culpa minha!
Ele ouve alguém rosnando de raiva, ela chega na porta e taca a toalha, o acertando, e some novamente.
— Caspita! Não sei porque a raiva… Deve ser una cazzo di lesbica.
…
O tempo passa na fazenda. A energia volta, mas os blackouts se tornam constantes.
Como Marija e o pai costumavam estocar alimentos, eles conseguem viver bem, isolados.
Todas as vezes que a energia voltava, as notícias sobre a guerra eram piores. A região, onde a fazenda se localizava, não era um alvo dos russos e por isso tudo em volta parecia pacífico. Mas Vicenzo sabia que isso não iria durar por muito tempo.
Com os seus conhecimentos, ele ajudou Marija a instalar um sistema de alarme rudimentar, para caso alguém tentasse invadir a fazenda novamente. E os dois adotaram o padrão de nunca ficarem muito longe um do outro, para em caso de emergência, não se perderem.
Marija estava no quintal, sentada em um tronco enquanto chupava uma laranja. As galinhas cercavam o seu pé, esperando que caisse algo para que comessem.
Vicenzo estava fazendo flexão com um braço só, esbanjando saúde.
— Você parece muito bem, puttano! — ela grita e ele se levanta, dando seu sorriso cafajeste.
Vicenzo levanta os braços e os dobra, exibindo os seus bíceps para ela.
— Pode tocar se quiser! — ele diz e ela revira os olhos.
— Acho que está na hora de dar um fora daqui, não acha? Ir lá encontrar os montes de bostas, iguais a você!
— E deixar você sozinha? Você não sobrevive um dia sem mim, piccolina.
— O que são essas coisas que você diz em russo? Pensei que os russos falavam coisas do tipo, swarovski e tudo mais terminado com rovski.
Vicenzo sorri e vai em direção a ela:
Ele se agacha e diz, olhando em seu rosto:
— Isso é porque eu não sou Russo, piccolina. Não sou gelado, sou um uomo quente. Io sono Italiano.
Nesse momento, o silêncio é quebrado por um barulho ensurdecedor de um caça passando. Marija se assusta e Vicenzo a abraça, protegendo seus ouvidos. Ele olha para o céu e reconhece o caça Russo.
Naquele momento tinha um decisão a tomar. Ou seguia em direção a onde viu o caça ir, ou seguia a direção contrária, indo embora dali.
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Atualizado até capítulo 73
Comments
Maria Pinheiro
Se eu fosse ele dava meia volta e iria rumo a Itália e levava ela junto.
2024-11-15
4
Arlete Fernandes
Muito emocionante autora amando cada capítulo.
2024-11-08
0
karvalho Heloiza😍
tá muito interessante
2024-10-31
0