Marija era uma simples camponesa de dezoito anos, que vestia um jeans surrado e uma camisa xadrez de flanela, vermelha.
Não usava nenhuma maquiagem e seu cabelo estava trançado com uma trança embutida. Mechas se soltavam de seus cabelos e grudavam em sua testa suada.
Marija Ivanova
Aquele era um dia de muito trabalho na pequena fazenda de seu pai.
Marija enchia sacos, com os grãos que estavam armazenados no silo, e lacrava-os e por sua vez, seu pai pegava os pesados sacos e acomodava na caminhonete velha.
Desde que perdeu a mãe, Marija só tinha o seu pai e ele só tinha a ela. Eles se ajudavam na época de plantar, colher e agora, na hora de vender.
Não tiveram uma boa safra no último ano e provavelmente passariam por dificuldades, mas isso não os faziam amolecer para o trabalho.
Ao terminar, ela entra na caminhonete e senta-se no banco de passageiro e em seguida, seu pai entra e toma a direção do veículo.
Ele coloca uma música típica da região para tocar no rádio velho da caminhonete, enquanto isso Marija coloca a cabeça para fora e se distrai olhando a paisagem, enquanto as mechas soltas de seus cabelos dançam ao vento
Esta simples camponesa, estava um pouco longe da Itália, a fazenda de seu pai se localizava próxima a uma pequena cidade do interior da Ucrânia.
Era um lugar pacato, sem muitos grandes acontecimentos, a não ser quando havia movimentações, na base militar que ficava por aquelas regiões.
A base Militar, ficava no caminho entre a fazenda e a cidade. Quando ela passa por lá com o seu pai, algo chama a sua atenção, ela percebe, por entre as frestas dos grandes portões que havia uma certa correria.
O seu pai nem percebe e ela também não pensa muito sobre isso.
Eles chegam na cidade e seu pai desliga o motor. Ele sai do carro e Marija sai atrás.
— Volte para o carro, Marija! Anda, anda! — o seu pai grita com ela. Ele era um homem rústico, do campo, sem muita educação.
— Me deixe ajudar dessa vez! — ela grita de volta com ele.
— Não! Não quero ver filha minha sendo cercada por homens! Volte para o carro e me espere aqui!
Eles estavam em frente ao mercado municipal da cidade, que era uma área de grande distribuição de alimentos para todos os comércios da região.
Era um local frequentado por homens brutos, trabalhadores braçais, que não tinham nenhuma vergonha em chegar em uma mulher ou até tocar. O pai de Marija não queria que a filha de dezoito anos passasse por esse tipo de situação.
Marija volta para o carro, e cruza os braços. Ela pensava que podia se defender e seu pai estava exagerando. Pensava que com certeza enfiaria a mão na cara de quem mexesse com ela, mas acabou obedecendo o velho.
Passa algum tempo e seu pai consegue descarregar toda a carga e some no mercado. Provavelmente estava negociando melhores preços para vender a safra.
Marija desliga o rádio, já entediada com aquela música local.
Ela fica olhando a movimentação na rua, quando de repente vê algo incomum.
Ela vê uma mulher, vestindo um vestido branco, que esvoaçava, mesmo não passando nem uma brisa sequer pelo local.
A mulher estava andando no meio da pista de carros, em frente a Marija, que a olhava com curiosidade.
Ela se vira para trás e Marija vê seu rosto e grita:
— Mamãe?!
Seu coração bate forte e acelerado, aquilo não era possível. Sua mãe morreu há muito tempo.
A mulher vira a esquina e Marija sai da caminhonete, indecisa sobre o que fazer. Ficar ou ir ver com os próprios olhos se era mesmo a sua mãe.
Ela se lembra que não podia deixar a caminhonete sozinha, então ela volta para dentro do carro e toma o lugar do motorista, ela dá a partida e vai em direção aonde viu a mulher.
Marija vira a mesma esquina e percebe que era uma rua sem saída. Lá, só haviam paredes, nenhuma porta e não havia ninguém ali.
Ela desce do carro e olha a sua volta, ainda tentando entender o que acabou de ver, quando de repente ouve um estrondo ensurdecedor.
O chão treme, como em um terremoto, seu ouvido começa a zumbir. Ela segura na parede, tentando conter a tonteira. A sua audição vai voltando aos poucos e o que ela ouve são gritos, barulho alarmes de carros e coisas caindo.
— Papai! — Marija grita e corre em direção ao mercado municipal, para dar de cara com apenas escombros em chamas e no chão, podia-se ver, alguns pedaços de corpos carbonizados.
Ela grita por seu pai, mas não é ouvida, muitas pessoas estavam gritando também. O centro de distribuição da cidade foi todo dizimado em uma explosão.
— Fujam! Foram os russos! Os russos estão atacando! Fujam!
Ela ouve alguém gritando, e o que já estava confuso, agora se torna um pandemônio. Pessoas corriam, para todas as direções, alguns passavam por ela e outros batiam nela, ignorando a sua presença e correndo para salvarem suas vidas.
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Atualizado até capítulo 73
Comments
Maria Pinheiro
Tadinha será que o pai dela morreu !?
2024-11-15
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Arlete Fernandes
Adorando desculpe o corretor é muito ingrato kkkk
2024-11-08
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Arlete Fernandes
Pura emoção estou adotando!
2024-11-08
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