Marija se senta e Vicenzo lhe serve o prato. Ela coloca na boca, desconfiada, mas até que acha bom.
— Humm é bom mesmo. — ela diz, dando o braço a torcer.
Eles continuam a comer e Marija faz uma expressão pensativa e após pergunta:
— Essa carne é de galinha?
— Umhum. — Vicenzo murmura e continua a comer.
— Onde você encontrou carne de galinha se não tinha no freezer?
— Tem um monte de galinha no quintal, ragazza.
Marija arregala os olhos e deixa até a comida cair da boca.
— Qual galinha você matou? — ela pergunta, se levantando.
— Eu lá vou saber. Peguei uma e matei.
— Ah, meu Deus! — ela se levanta e corre para o quintal — Cadê você Juliana! Tomara que não tenha sido a Juliana!
Vicenzo fica sem reação. Ele continua a comer, enquanto ouve Marija chamando a galinha no quintal. Termina, respira fundo e se levanta, resolvendo ir ver o que ela estava fazendo.
— Você matou a Juliana, putano! — ele olha para ela, que estava quase chorando, com outra galinha no colo. Ela acaricia a cabeça da galinha e continua — O que a Olívia vai fazer agora sem a filha dela, coitada!
— Dio mio! Como eu ia saber quem era a Juliana? — ele pergunta, incrédulo.
— Ela era a mais lerda. Deve ser por isso que você conseguiu pegar! — ela grita, com raiva, solta a galinha e avança para cima dele — Maledetto! — ela começa a tentar bater nele e ele segura as suas mãos, a impedindo — A Juliana era inocente, o papai era inocente! Por que você veio aqui pra matar todo mundo!?
Vicenzo não sabia que a morte da galinha, seria um gatilho para ela. Marija começa a chorar e ele instintivamente a abraça.
— Eu cuidei da Juliana desde que ela era um pintinho, isso não é justo. — ela diz, com o som abafado pelo peito de Vicenzo.
Ele revira os olhos, não acreditando no que iria dizer e diz:
— Me desculpe por matar a Juliana… Caspita! Noi duo vamos embora daqui, hum? Todos esses animais vão virar comida para alguém ou alguma coisa.
Ela o empurra e a cor foge do seu rosto. Vicenzo percebe que talvez tenha falado o que não devia.
— Não! Não podemos ir embora. Eu não vou deixar os bichinhos.
— O que vai ser da Olívia, da Marcela e do galo Paulo? O que vai ser da cabritinha Bianca?
— Não dá pra levar eles com a gente.
— Pode ir embora sozinho, Italiano! Eu não vou com você e deixar os bichinhos inocentes para trás. Eles vão morrer de fome e alguém pode fazer mal a eles. — ela diz seriamente e após, caminha batendo os pés, entrando dentro de casa.
Vicenzo revira os olhos, se arrependendo de ter decidido proteger essa ragazza, ela era muito cabeça dura, difícil de lidar.
Anoiteceu na fazenda e Vicenzo se preparou para dormir. Ele estava hospedado no quarto do pai de Marija e ela ficava no seu quarto.
Ele olhou as roupas do pai dela, as quais ele pegou emprestado para usar. Ele pensou que se o pai dele, Fabrízio, tivesse morrido em um atentado, ele sentiria uma dor inimaginável. Isso o fez pensar em Marija com pena.
Ele sabia que ela estava se fazendo de durona, mas a dor da perda estava ali.
Vicenzo se deitou e logo pegou no sono.
De repente, na madrugada ele acordou com o baque da sua cama se balançando. Era Marija que pulou em sua cama assustada.
— O que houve, ra… — antes que terminasse de dizer, ele ouviu. Era o som de tiros e explosões.
Pelo som era em algum lugar longe dali, mas não tão longe.
Marija segurava a espingarda, assustada.
Dava para ver que suas mãos tremiam.
Vicenzo rapidamente se sentou na cama e tomou a espingarda de suas mãos.
Ela olhou, mas nem contestou.
Ele verificou se estava carregada e conferiu a mira. Após, puxou Marija e a abraçou com um dos seus braços.
— Eu vou te proteger, piccolina. Não Precisa ficar assustada. — ele diz acariciando os seus ombros.
A relação de Marija e Vicenzo começou de uma forma inusitada. Ela tinha tudo para não confiar naquele desconhecido. Mas naquela noite ela adormeceu, abraçada a ele.
Pela manhã ela desperta lentamente, com o som do galo cantando. Abre os olhos e dá de cara com aqueles olhos azuis intensos a encarando. Ele estava olhando o seu lindo rosto adormecido.
Marija não reage e apenas o encara de volta.
Por impulso, Vicenzo aproxima os seus lábios e a beija. Não foi um beijo malicioso e cheio de desejo. Foi um beijo diferente, delicado e profundo.
Marija não reclama e apenas se solta dos braços dele e se senta na cama e diz:
— Nós temos que ir embora hoje, putano?
Vicenzo relaxa os ombros, desvia o olhar e responde:
— Precisamos sair o quanto antes. Esse lugar é muito isolado. É até seguro, mas se a guerra chegar aqui, não teremos para onde pedir ajuda.
Naquele dia eles arrumaram tudo e jogaram na caminhonete. Depois do que aconteceu ela entendeu o que Vicenzo dizia, nenhum lugar poderia estar cem por cento seguro.
Vicenzo foi paciente e esperou ela se despedir de todos os animais. Eles soltaram todos, para que tivessem uma chance de sobreviver na natureza.
E após, foram para a caminhonete, onde Marija dirigia, rumo ao desconhecido.
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Atualizado até capítulo 73
Comments
Naiara Neta
/Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm/me lembrei do dia que matei uma galinha que o amigo do meu esposo deu pra ele kkkkkkk ele estava bêbado e perguntei uai cadê o frango que Vc trouxe para fazer no almoço?. ele só falou olha o tanto de galinha que tem no quintal mata uai....e foi dormi quando deu 13:00 chamei ele para almoçar e ele perguntou qual galinha vc matou? falei uma que tinha uma plaquinha /Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm/ caiu até da cama e chorou feito criança nem comeu da galinha kkkkkk eu repeti 2x kkkkkkl
2025-03-17
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Vilma Decanini
kkkkkkk, tenho tantas queridas chamadas Juliana, pensei em todas.kkkkkk
2025-03-28
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Cida Lima
tadinhos dos animais fiquei triste 😢
2025-03-07
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