Subi correndo as escadas do prédio, não aguentei nem esperar o elevador. Eduardo me acompanhava com dificuldade. Tudo dentro de mim estava revirado. Levi acha que ainda está no controle de mim. Mesmo que tenha feito aquela cena enorme. No fim, ele sempre foi assim. Quando foi que me deixei cair no golpe de um narcisista desse? Tanto faz. Eu quero que ele se exploda. Quero esquecer os últimos ano que vivi e me iludi com alguém assim. Como nunca percebi que ele era desse jeito? O quão o amor pode iludir a gente?
— Sabrina, me empresta a chave? Eu abro para você. — Eduardo pediu. Eu nem tinha me dado conta, estava tremendo tanto que não consegui encontrar o buraco da fechadura. Ele tinha se ferido, mas estava ainda melhor do que eu.
— Obrigada. — Passei a chave para Eduardo, na mesma hora senti tudo vindo. Coloquei a mão na boca. Assim que Eduardo abriu a porta eu corri para o banheiro e me tranquei lá.
— Sabrina! Abre a porta. Você pode passar mal. Precisar de ajuda. Não tem como te ajudar assim. — Eduardo falava batendo na porta.
— Ao menos deixa eu vomitar com dignidade. Você deveria está preocupado com você, não comigo. Esqueceu que se machucou. — Eu respondi. Já tinha vomitado todo banheiro, meu cabelo.
— Quem diabos vomita com dignidade, Sabrina! Junto com o vômito a dignidade vai embora. Abre logo a porta. Fala como se eu nunca tivesse visto um vômito na minha vida. — Eduardo gritou.
— Eu preciso manter o mínimo de dignidade na minha vida, Eduardo! Me deixa afogar no meu próprio vômito. Depois do bosta de noivo que eu tive. Eu preciso disso. — Gritei para ele.
— Eu entendo que você está querendo ajudar, mas pensa assim, ela está no pior momento dela. Vocês se conheceram agora. Talvez seja cedo demais para esse nível de intimidade. Que tal você sentar no sofá, cuidar do seu ferimento, enquanto socorremos ela. Não se preocupe. Vou cuidar dela direitinho. Pegue a maleta de primeiro socorros. Se precisar de ajuda pode chamar.— Denise não tinha nada contra Eduardo, mas ela no meu lugar, tenho certeza que não queria um cara segurando o cabelo dela para vomitar dois dias depois que se conheceram.
— Drama! Vocês nunca foram para uma micareta ou Carnaval, gente. O mínimo que o cara tem que fazer é segurar o cabelo e cuidar para que ele se mantenha intacto. — Patrícia disse de aproximando da porta.
— Lá vem. Não piora o que já tá ruim — Denise alertou Patrícia — Agora abre logo a merda dessa porta, Sabrina. Ou vou colocar abaixo e você terá que pagar o conserto.
Abri a porta na mesma hora. Sei nem como estou financeiramente nesse momento. Minha conta está no cheque especial. Eu usava o cartão de Levi, então nem tenho os meus mais. Venceram e eu não pedi outros. Minha vida está afundada em caos naquele momento. Eu não podia ter uma porta para pagar.
— Gente! Fomos transportada para o carnaval? Ou para um filme de terror? Como saiu tanta coisa de dentro de você? Eu concordo agora. Eduardo ia acabar traumatizado. Talvez eu precise de uma sessão de terapia. — Patrícia brincou olhando ao redor com cara de nojo.
— Fala demais. Vem cá! Você precisa de um banho. Não se preocupa com o banheiro. Nem com Eduardo e muito menos com a idiota da Patrícia. — Denise orientou, enquando ajudava a me levantar e ir até o chuveiro.
— Quando bullying comigo. Tanto faz. Vou fazer um chá para ela. Vai ajudar com o enjoou. — Patrícia foi preparar o danado do chá.
Denise ligou o chuveiro, com roupa e tudo bem jogou debaixo dele. A água estava fria. Parecia acalmar todo meu corpo que estava prestes a explodir. Senti o nó da garganta se fazendo novamente.
— Pode chorar. A gente entende. Não é fácil está na posição que está ou pelo que passa no momento. Chore, amiga! Você foi traída, ferida e percebeu o quanto que perdeu ao se dedicar tantos anos a alguém. Além disso, está grávida e casou com um cara aleatório que você pouco sabe sobre ele. Chore! Você pode e merece chorar. Coloque essa dor toda para fora. Não é sinal de fraqueza, apenas que é um ser humano com sentimento. — Denise segurava minha mão.
Se eu chorar estarei sendo fraca? Denise estava certa. Ser traída dói. Não apenas isso. Estava decepcionada comigo mesma, que não percebi antes que estava prestes a me casar com um idiota que não me valorizava. Eu estou grávida. Eu estou grávida. Vou ter uma criança. Serei mãe em pouco meses. E eu estou casada. Quando mais pensava sobre tudo isso, mais meus olhão ardiam. O nó se transformou em lágrimas. Perdi a força nas perdas, me sentei debaixo do chuveiro. Eu não chorava, eu gritava. Sentia uma dor que não imaginei que poderia existir. Tudo que eu tinha planejado para minha vida, não existia mais. O futuro que eu fitava, se desfez na frente dos meus olhos. Eu não sei mais o que fazer com a minha vida.
Chorei até adormecer. Lembro de me abraçar com Denise e Patrícia. Molhar as duas, até me acalmar. Aquela foi a primeira vez que fui dormir chorando, me sentindo no fundo do poço. Quando acordei estava na cama, Eduardo estava escorado nela e segurando minha mão. Ele dormia tranquilamente.
— Tentei mandar Eduardo para casa. Eu disse que cuidaria de você, mas ele argumentou que prometeu a você,b ficaria ao seu lado para lidar com essa barra. Então, apenas deixei. Aqui está um chá, você vomitou muito. Como se sente? — Denise parecia cansada. Deve ter passado todo tempo de olho em mim.
— Me sentindo um nada. Eu não tenho nada. Sinto que... não sei... Como se tudo tivesse acabado. Eu não sei o que fazer da minha vida. Eu sonhava com uma vida com ele. Pensei que teríamos filhos, netos... Com mesmo amor do início. Que ele era meu para sempre. E dói saber que alguém que passei tantos anos da minha vida juntos, não vai pertencer mais a ela. — Confessei.
— Você tem um objetivo. Foque sua energia nisso. Transforme toda essa dor em força para lutar pelos seus sonhos. Você é a minha sócia. E sabe exatamente o que fazer da sua vida. Eu vou está aqui por você. Você salvou minha vida, me deu uma razão. Eu farei o mesmo por você. — Eduardo falou. Nem tinha percebido que ele havia acordado. Me senti envergonhada por ele ter ouvido aquilo.
— Não vou virar sua sócia e nem tenho muito dinheiro para ajudar, mas saiba que estarei por você também. Serei com Patrícia a sua rede de apoio. Você e essa criança vão ficar bem. — Denise disse.
— Não quero quebrar o clima fofo, mas acabei de descobrir que os jornais estão vindo aqui para casa. Descobriram que você mora com a gente. E agora, como vamos ficar fugir daqui?— Patrícia alertou nervosa. Tentando uma forma de sair daquele problema.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Catiane Barcellos
ela precisa parar com essa choradeira, já acabou virou a página
2025-03-09
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Maria De Fátima Pereira
Afff essa sabrina sabe ser chata
2025-01-10
0
Angela Moreira
Autoraaaaaaaaa quê lindaaaas palavras Eduardo falou pra Sabrina😭😭😭 foi emocionante😍😍😍
2024-11-18
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