Furo de reportagem

Tenho certeza que paramos ali alguns segundos ou até mesmo minutos, sem qualquer reação. Não fazia sentido aquele encontro. Na verdade, não deveria ter acontecido, mas em que realidade eu estaria em um camarote top da boate mais cara da cidade. Ele está aqui é esperado. Eu que saí do padrão. Como vou sair dessa situação.

— Você já se conhecem? — Fabio perguntou confuso.

— Acho que sim. Fábio, André, esta é Sabrina, minha noiva. — Eduardo falou sem tirar os olhos de mim, acho que sabia como agir naquela situação, muito menos eu sei.

— Sério? Mentira! Qual era a probabilidade desse encontro acontecer? — Fabio brincou

— Zero — Falamos na mesma hora, eu, Denise e Patrícia. Em que realidade paralela estaria em um lugar assim?

— Talvez vocês sejam almas gêmeas e o destino quer deixar vocês bem juntinhos. — O tal do André falou fazendo um sinal com os dois dedos indicadores, aproximando os dois

— Acho que eu preciso de mais uma dose. — Eduardo falou chamando o garçom.

— Meninas, o que estão esperando, podem sentar. — Fábio apontou.

Era um grande sofá em formato de "U" com uma mesa no meio, mas eu apenas olhava para porta. Será que se eu sair correndo, estilo uma ema quando está em perigo, posso fugir intacta dessa situação? Certeza que Denise estava lendo meus pensamentos e segurou minha mão me puxando para o sofá. Me sentou ao lado de Eduardo, Denise fico próxima de André e Patrícia já estava rindo com Fábio.

— Quer beber alguma coisa? — Eduardo me perguntou passando o cardápio.

Olhei para o cardápio, tinha muitos drinks e algumas bebidas. O que mais me chamou atenção foi a ausência dos valores. Como eu ia saber o preço do que eu estava consumindo? Eu vou acabar lavando pratos se eu pedir algo muito surpreendente. Melhor mirar no mais barato de todo cardápio.

— Uma água! — Respondi sorrindo, mas estava tensa.

— Edu, pede alguns aperitivos! — Fábio falou sem tirar os olhos de Patrícia. Já André e Denise estavam com uma conversa bem lenta.

— Algo em específico? — Eduardo perguntou.

— Confio no seu potencial gastronômico para pedir um petisco. — Fabio brincou.

— Vou pedir um de cada então. — Eduardo concluiu chamando o garçom.

— Será muita comida, não? Vai acabar desperdiçando. — Eu disse ao pensar quantas comidas tinham naquele cardápio.

— Não tem problema. — Eduardo disse me olhando confuso.

— Claro que tem! Sabe quantas pessoas morrem de fome todos os dias do mundo? Que você é privilegiado por ter uma condição financeira boa? — Não faz sentido.

— Se eu deixar de comer, a comida vai chegar para eles? E desculpa, mas não me sinto culpado por ser privilegiado, até agradeço e sigo minha vida confortavelmente. Ou quer que eu fique desejando perder tudo e passar fome na rua? — Eduardo parecia chateado. E eu estava era irada.

— Como você não pode ter o mínimo de empatia com o próximo? — Perguntei.

— Eu tenho, mas sua lógica está errada. Deixar de comer não fará que chegue nada para quem precisa. Então, melhor eu aproveitar do que ninguém. — Eduardo estava convicto.

— Você é um idiota! — Gritei e todos me olharam. — Que tipo de pessoa age tão indiferente em relação aos outros.

— Você enlouqueceu? Não é indiferença. Eu estou sendo emocional. Se eu quero ajudar o próximo, faço uma doação para quem precisa ou uma ONG. Deixar de fazer o que quero não terá metade do impacto que uma doação faz. Deveria pensar da mesma forma, se é ajudar, não será desperdiçando, mas sim, fazendo a menor das doações para quem precisa. Dez reais faz uma diferença astronômica. — Eduardo me respondeu.

— Hey! Hey! Não vamos brigar! Vocês tem toda uma vida para fazer isso. Hoje é dia de comemoração! — André disse chamando atenção do Eduardo com os olhos. Parecia uma fotógrafo apontando a câmera para cá.

— Como será que conseguiram entrar? Pensei que havia proibido a entrada de jornalistas aqui, Fabio. — Eduardo estava irritado.

— Hey! Foi ele mesmo que me chamou para entrar. — Patrícia pareceu não ter entendido do que eles falavam.

— Você é jornalista? — Fabio perguntou se afastando.

— Sim, adoro fofocas. Aliás, você não é Fábio Menezes? Dono de uma de uma franquia de boates? — Patrícia perguntou com um sorriso malicioso.

— Você sabia quem eu era desde o começo? — Fabio não parecia está feliz com a revelação.

— Você anda com uma jornalista? Eu não sabia nada disso. — Eduardo falou.

— Você sabe nem a minha idade, acha que vai saber das minhas amizades? E ela não está aqui a trabalho. Quando barulho por nada. — Expliquei para ele.

— Por falar em trabalho, tem um fotógrafo ali que adora inventar fofocas. Eu tenho uma sugestão. — Patrícia disse sorrindo. — Posso dar a notícia de forma glamourosa, revelando da melhor forma possível sobre vocês dois com uma história linda de amor a primeira vista. O que acham?

— Achei que tinha dito que ela não estava trabalhando. — Rafael fez careta.

— Não estava, mas a função jornalista dela liga muito rápido. — Respondi colocando a mão na cabeça.

— Eduardo, acho que não é uma ideia ruim, assim vocês podem contar a história que quiserem, ler e saber o que será colocado. Será uma boa forma de ganhar a opinião pública a favor de vocês. O fotógrafo já deve ter algumas fotos de vocês. Talvez seja a chance de derrubar ele e sair na frente. — André sugeriu.

— Você está certo. Vamos para minha casa e fazemos tudo lá. É melhor. Podemos pensar direitinho em tudo. Vamos. — Eduardo se levantou me estendendo a mão.

Demorei um tempo para compreender o que ele queria, depois me toquei que estávamos em público e éramos noivos. Parece ser o certo andar de mãos dadas em público. Assim que segurei sua mão, ele começou a andar. Os outros vieram por trás. Acabamos saindo por uma porta diferente. Um carro já estava esperando por nós. Não demorou muito e já estávamos na mansão.

— Vou pegar vinho! — Fabio disse assim que colocamos o pé na sala.

— Você quer um suco? Água de coco? — Eduardo me perguntou.

— Posso fazer um lanche para gente. Eu estou com fome. — Eu estava comendo muito nós últimos dias.

— Claro. Eu até iria apresentar a cozinha, mas acho que você conhece ela melhor que eu, né? — Eduardo brincou.

Nem dei resposta, estava com fome demais para ter outra discussão com ele. Decidi fazer alguns sanduíches. Era rápido e parecia saudável. Eu não sei o que uma grávida pode ou não comer. Preciso marcar um médico urgente para fazer alguns exames e pegar algumas orientações.

Logo terminei os sanduíches, levei para mesa de centro. Fábio já havia voltado com o vinho. Todos já estavam servidos. Eu fiz um copo de suco de laranja para acompanhar os sanduíches.

— Sanduíche não combina nada com vinho. — Fabio disse ao ver os vinhos.

— Não fiz eles para combinar com o vinho, mas sim com a fome que eu estava, mas se não quiser comer, tudo bem, você não é obrigado. Bom que sobra mais para quem quer. — Respondi.

— Sua noiva é um pouco arisca. — Fabio soltou careta para Eduardo, que riu do que ouviu.

— Que ela se conserve assim. O que não vai faltar é gente abusado ao redor ela. Precisa saber se defender deles. — Eduardo falou me olhando.

— Olha, minha amiga é um doce de ser humano — Patrícia disse olhando para o celular.

— As pessoas tem que compreender, tenho um monstro dormindo dentro de mim. E a todo tempo eu fico cantando uma canção de ninar para evitar que ele desperte. Se você me distrai com baboseiras, eu esqueço de cantar. Ele simplesmente acorda, não é culpa minha. Eu faço de tudo para manter ele dormindo. Se me tiram do meu eixo, fica impossível de cantar e ele vem com tudo. — Expliquei

— Faz sentido. — André falou — Acho que meu monstro é o da preguiça. Se eu me distrair com qualquer coisa, ele me domina.

— Sabe, acho que tenho um também assim. Ele normalmente me domina no domingo. Tenho nem sequer forças para me levantar da cama. — Patrícia concordou com Fábio.

— E precisa? Pensei que domingo era o dia nacional do fique na cama. Eu levanto nem para comer. — André brincou.

— Eu preciso. A comida não se faz sozinha. — Patrícia disse rindo. Não tinha a mesma condições financeiras ou luxos que aqueles três homens na sala tinham.

— Ficando no que viemos fazer. Precisa de um computador? — Eduardo perguntou para Patrícia.

— Escrevo pelo celular mesmo, depois reviso no computador. — Patrícia respondeu. — Então, como será a história de vocês?

— Que tal que nós encontramos em uma boate? — Eu sugeri. Parecia um lugar possível de encontros impossíveis.

— Aliás, diga que foi na minha boate, assim ganho divulgação gratuita. Imagina, todas as pessoas que estão procurando relacionamento ligarem minha boate a união feliz. Eu gosto da ideia. E marketing grátis é ótimo. — Fabio disse enquanto colocava mais vinho na taça.

— Por mim tudo bem, mas como faremos para explicar que eu era noivo e agora estou com você. Tem que ter três meses, certo? — Eduardo disse. Eu fiquei surpresa dele ter falado na frente de todos. — Não se preocupe, creio que suas amigas já sabem, já que não fizeram nenhuma cara quando você disse onde nos encontramos. E André e Fábio também estão sabendo. E espero que ninguém mais saiba sobre isso. Não sai desse grupo nenhuma informação de nós dois.

— Entendi. Podemos falar que nós encontramos, na mesma hora a química aconteceu, como tínhamos um relacionamento, não tentamos nada. Depois a vida insistiu em encontrar formas de nos colocar nos mesmos lugares. Certo dia, o sentimento falou mais alto que a gente e nós entregamos. Para não continuar traindo os parceiros, nós terminamos e ficamos um tempo sem nós ver. E agora, voltamos e decidimos tentar um futuro junto. — Sugeri.

— Parece muito sincero e romântico. Será que dará certo? Assim assumimos que traímos a pessoa que estávamos. — Eduardo refletiu.

— Na verdade, acho uma boa ideia. Pensa comigo, se forem investigar, vão dizer que você tava com alguém e ela também, não teria como fugir da verdade. Entretanto, se for uma história contada por você, com um pedido de desculpas e assumindo a culpa em nome do amor. Talvez seja mais fácil para que a verdade seja digerida e ninguém possa questionar ou usar o passado contra vocês. Creio que o desgaste na imagem será melhor dessa forma. — André sugeriu.

— Eu concordo. A imagem será mais afetada se um escândalo do passado de vocês surgir. E sobre a revelação do romance, vamos adicionar que o amor foi tão grande, que vocês já vão se casar. Não conseguem ficar longe um do outro mais. — Patrícia estava preparada para escrever um conto de princesa.

— Certo. Faça isso. Parece ser a melhor forma de evitar um escândalo maior. — Eduardo concordou.

— E... a gravidez? — Perguntei. Esse detalhe poderia render um grande escândalo.

— Vamos contar depois do casamento. Você por enquanto evita que a ideia circule. Nós próximos dias vamos postar várias fotos românticas de vocês na mídia, assim a ideia da alma gêmea funcionará. Para revelar a gravidez, vamos fazer um vídeo fake de você entregando o exame para Eduardo e ele chorando. Vamos cuidar de toda a narrativa, para que não saia do foco que queremos. — Patrícia sugeriu.

— Gostei. Faremos isso. E acho que vamos precisar de mais vinho. — Eduardo disse sorrindo. Acho que estava aliviado com a forma que tudo estava sendo conduzido.

— Aliás, onde vão passar a lua de mel? — Patrícia perguntou.

— Sabe que o casamento não é de verdade, certo? — Alertei para ela.

— Para vocês dois não, mas todos é. Você tem que fazer tudo que um casal normal faria. — Parecia sorriu. Certeza que ela tinha um plano.

— Que tal Itália? Paris? — Eduardo sugeriu — Acho que podemos aproveitar e estudar alguns restaurantes para usar de base na construção do nosso, senhora sócia.

— O que você pretende, Patrícia? — Sussurrei no ouvido dela.

— Fazer você galopar no colo do príncipe encantado. — Patrícia respondeu e eu senti todo meu rosto ficando vermelho.

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Comments

Angela Moreira

Angela Moreira

Autoraaaaaaaaa ameiii à resposta de Patrícia para Sabrina😂😂😂😂😂

2024-11-17

1

🌸 Alessandra 🌸

🌸 Alessandra 🌸

"o que vamos fazer hoje, Cérebro?"
"planos para conquistar o mundo, Pink!"

2024-10-30

0

iranete teofilo

iranete teofilo

Tá ficando cada vez mais interessante essa história. E eu? Embarcando de carona nessa viagem de camarote, e vamos que vamos, pra vê a onde vai dá, né?

2024-09-20

0

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