Os dois são culpados

Fiquei confusa qual seria a relação daquela noite com a mudança de humor dela. Vanessa era a mais extrovertida de todas nós. Ela sempre foi a mais expontanea. Era estranho ver ela assim. De qualquer forma, apenas confirmei que sabia o que ela estava falando. E lembrava muito bem. Foi uma péssima noite para mim.

— Lembro da noite. Realmente vomitei horrores quando cheguei em casa. Não sei nem o que me causou aquilo. Devo ter comido algo que caiu errado. Mal consegui tocar na bebida. — Que dia mesmo que foi a festa?

— Por favor, não fica brava comigo. Eu realmente não tinha qualquer intenção. Tudo aconteceu muito rápido. Eu sei que não se faz... que é errado... que não deveríamos — Vanessa estava cada vez mais nervosa, eu mais confusa. Será que bebi tanto que não estou compreendendo nada? Impossível.

— Como assim eu vou ficar brava? Diz logo o que tu aprontou. Que história é essa? O que aconteceu, Vanessa? — Eu nem imaginava o que vinha pela frente. Se eu soubesse, teria bebido um pouco mais para conseguir engolir a verdade que viria.

— Eu estava muito bêbada, ele também. Não teve qualquer importância para nenhum de nós dois. Foi um erro. Não planejamos nada disso. Nunca mais vai acontecer. Eu juro. Ele deu em cima de mim, eu estava totalmente louca pela bebida e meio que acabei caindo na dele. Não quero estragar nossa amizade. Você é muito importante para mim. Aconteceu somente uma vez. Me arrependi na mesma hora. Eu estou contando tudo para que possamos ficar bem. Você é importante para mim demais. — Vanessa falava entre lágrimas, eu demorei um pouco para processar o que ela estava falando. Talvez, eu apenas não quisesse aceitar.

— Pera! Você está me dizendo que a vadia que dormiu com meu noivo foi você? Enquanto eu estava passando mal, você estava dormindo com Levi?

Mas foi só uma vez? Ah. Claro. Tudo bem. Isso muda tudo. Do que cê tá com medo? De estragar a amizade? Que isso. Super normal você e o noivo da sua amiga dormirem por acaso, em um motel, depois de deixarem ela em casa passando mal. Quem ficaria chateada, né? — Eu disse irritada. Era pior do que eu pensava. Ainda querem meu perdão? Que eu esqueça? Me deixaram passando mal e foram me trair. Que bando de filhos da...

— Você é maravilhosa. Eu estava tão preocupada de acabar com nossa amizade. Levi me falou que você nem sequer quis ouvir ele. Eu nem sabia como reagir ou contar para você. Eu.. — Antes que ela pudesse terminar a abobrinha que planeja dizer joguei o whisky na cara dela.

— O que esperava de mim com essa conversa toda? Que te consolasse por cair sem querer no colo do meu noivo? Que fosse igual a Marília Mendonça? Colocasse toda a culpa nele e desse prioridade para a nossa amizade? Me poupe. Vocês dois se merecem. Não tem qualquer caráter. Que se explodam bem longe de mim. Saiba que você é tão errada quanto ele. — Eu disse levantando da mesa.

— O que tá rolando, gente? — Denise perguntou confusa com a cena.

— Levi e Vanessa dormiram juntos enquanto eu quase me afogava em vômito em casa. Se me der licença, aqui tá o cartão, podem pagar e ficar quanto quiserem. Eu não consigo ficar mais um minuto junto com essa vadia . — Eu falei antes de sair do bar sem olhar para trás.

Pensei em ir para um hotel, tinha um aplicativo de reservas e alugueis no meu celular com o cartão de Levi cadastrado. Eu já estava para chamar o Uber quando ouvi uma gritaria. Olhei para trás Patrícia estava agarrada no cabelo de Vanessa. Denise tentava deter as duas, enquanto o vigia colocava todas as três para fora. A cena era cômica ao mesmo tempo, confortadora. Vamos admitir, ela merecia mais que um whisky na cara. Não tinha qualquer vergonha na cara.

— Larga essa vadia, Patrícia. Não suja suas mãos com lixo. — Denise gritou puxando Patrícia e procurando ao redor. — Hey! Vanessa. Você vem com a gente.

— Para onde? — perguntei vendo o aplique do cabelo de Vanessa nas mãos de Patrícia.

— Para nossa casa, você fica com a gente. — Denise disse mexendo no seu telefone com a mão livre. A outra segurava Patrícia.

— Eu não quero dar trabalho. — Eu falei tímida. Só a surra que Patrícia deu em Vanessa, já era suficiente.

— Não é trabalho, se eu tivesse na mesma situação que você, eu gostaria que minhas amigas fizessem o mesmo por mim. Poderia ter acontecido com qualquer uma de nós. Andávamos com uma cobra e não tínhamos ideia. — Denise estava puro ódio. Talvez mais irritada do que eu.

— Eu quero arranca os olhos dela. — Patrícia gritou querendo ir na direção de Vanessa novamente, mas Denise impediu.

— Nossa Uber chegou. Não adianta bater. Não vai mudar nada. Vamos embora. — Denise disse colocando nós duas no carro, mas antes de sair, olhou para Vanessa com desprezo — Já ouviu aquela, marido dos outros nunca será presente de Deus. Não será nada como você está pensando, ainda vai se arrepender amargamente por isso. Ela continuará sendo número um para ele, como sempre foi. Ele admira e a respeita. Você será apenas a segunda opção.

Quando Denise disse aquilo, ao lembrar da música que ela se referiu, eu entendi a revolta dela. O pai dela havia feito o mesmo com sua mãe. Traiu ela com uma amiga que estava passando uns dias na sua casa por está com problema. Tudo isso acabou com a família de Denise, especificamente com a mãe dela. No fim, ela duas foram morar com Patrícia. Faz sentido a forma com que ambas reagiram. De forma indireta, passaram pela mesma situação quando mais novas.

— Não se preocupa. Estamos aqui por você. — Denise disse me abraçando. Eu sentia as lágrimas dela caindo. Deve ter sido um gatilho, revivendo tudo que passou quando mais nova.

— O que Vanessa fez ainda vai assombrar ela. O mundo gira. Ela vai colher o que plantou. — Patrícia disse abrindo a janela e jogando o aplique da vaca pela janela.

Chegamos no apartamento, eu lembrei que não tinha mesmo para onde ir. Como iria explicar isso aos meus pais? Eles ainda iam conhecer Levi, mas sabiam que eu estava noiva. Eu preciso reaver minha vida. Não posso preocupar eles.

— Eu preciso de um emprego. — Eu falei me jogando no sofá. Minha vida tinha virado de cabeça para baixo tão rápido. Eu não tinha absolutamente nada mais.

— Eu tenho um perfeito para você. Chegou ontem a solicitação na empresa. — Denise trabalhava como administradora em uma empresa de limpeza. Foi assim que conheci ela e Patrícia. Posteriormente, veio Vanessa, que já era amiga delas.

— Nem sei o que é, mas aceito. Quando eu começo. — perguntei esperançosa. Talvez nenhum tudo esteja perdido.

— Amanhã mesmo. Esteja às sete horas pronta. Eu mesma vou te deixar lá. — Denise falou. — Vai ficar tudo bem. Tudo aconteceu da melhor forma. Deus te livrou de todo mal.

— Sim, agora vou me refazer. Sem abrir mão de nada. Não cometerei o mesmo erro. — Eu falei totalmente convicta. E estava ansiosa de começar a trabalhar novamente. Quem será que é o chefe?

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Comments

Graça Barbosa

Graça Barbosa

agora sim vai começar a sua história, um emprego é o primeiro passo 🙂

2025-03-08

1

Ira Rosa 🌹

Ira Rosa 🌹

Nem adianta por a culpa na bebida..pode não está sóbria mas a consciência tá ok

2025-03-09

0

Família Soares

Família Soares

show de escrita. amei a surra. me senti defendida TB.

2025-02-10

1

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