Sem vestido branco

Tinha esquecido da proposta, não sabia a resposta. Eu não queria acabar nas mãos de outra pessoa, como fiquei com Levi. Que ao sair da minha vida, puxou todo meu tapete, mas o que faria com essa criança? Nem sei quanto tempo ficarei na casa das meninas, não tenho sequer roupa para vestir, acho que terei que parar de trabalhar quando o bebê nascer. Não sei se consigo fazer isso. Posso abortar? Mas... É meu filho, né? Não sei o que fazer. Todas as opções parecem ruins.

— Você parece perto de um surto psicótico. Porque não senta e me fala o que está te fazendo pensar tanto. Talvez possamos negociar. — Eduardo sugeriu. Olhei para ele, para cadeira, a comida servida. Eu estava cansada, confusa e com fome.

— Logo adianto, que vou jantar também. Estou com fome. — Falei antes de me sentar. Eduardo riu, mas tentou esconder.

— Sinta-se a vontade. Coma o que quiser. Disseram que a cozinheira é muito boa. Eu pelo menos gostei muito da comida. — Eduardo brincou enquanto eu me servia.

— Tenho que concordar. Ela é melhor. — Entrei na brincadeira.

— Enquanto você come, falarei do que eu realmente preciso de você para conseguir minha vingança. Tudo bem? Depois você avalia e diz o que está te incomodando tanto. — Eduardo parecia ser minimamente educado. Pelo menos, posso comer em paz. Vai me ajudar a pensar.

— Meu avô deixou em testamento vários requisitos para assumir a empresa da família definitivamente, quando ele adoeceu, meu colocou como um interino, mas é provisório. Em seu testamento, ele deixou claro que todos os netos dele podem tentar o cargo. Só precisam obedecer todos os pré-requisitos que ele deixou. — Eduardo explicou.

— Seu avó basicamente deixou um jogo de poder na mãos de vocês agora se degladiarem entre si, em família, para obter poder? Não me parece muito saudável. — Respondi comendo. Que tipo de avô deixa uma guerra armada?

— Não julgo pensar assim, vamos dizer que meu avô era um pouco peculiar e exótico. — Eduardo disse. Tradução: Era fora da caixinha. Isso percebemos. — Ele acreditava que para merecer uma empresa grande, você precisava fazer por onde. E assim, ele montou tudo isso.

— Parece lógico, mas exagerado. Quais são os requisitos que você precisa atender? — perguntei. Estava realmente curiosa em saber o que o avô havia armado para que seus netos até descem rasteiras um no outro.

— Como você sabe, uma delas é casar. Preciso também montar com meus próprios esforços, uma empresa de sucesso. Que seja conhecida na cidade, gere lucros e renda. Terceiro, preciso criar uma ação, produto ou serviço na empresa da família, que seja case de sucesso. Que destaque a empresa de alguma forma. Quarto: Preciso do apoio de certa de 75% dos acionistas. Quinto, preciso ter um filho, antes que você surte, logo adianto que não precisa ser de vias naturais, já falei com o advogado sobre isso, meu avô não especificou como deveria ser a aquisição do neto. Ou seja, pode ser inseminação artificial ou até mesmo adotivo. E sexto e último, também o mais difícil, conseguir a aprovação da minha avó. — Eduardo explicou e eu tive uma crise de riso enorme.

— Seu avô basicamente quer que os netos tenham sua própria vida, antes de assumir a empresa da família. Eu achei que ele era louco, mas parece ser bem coerente. Alguém irresponsável pode levar a falência da empresa toda. De qualquer forma, o que você espera de mim? — Perguntei. Queria ter total certeza do que ele pretendia.

— Primeiro, que se case comigo. Segundo, preciso que se mantenha assim até eu conseguir a administração e derrotar totalmente meu primo. Terceiro, sobre o filho, como disse, não precisa ser de forma natural, se tiver disposta da fazer uma inseminação artificial, eu vou gostar muito, sempre quis ter um filho, mas acho que nunca mais irei me envolver com alguém novamente. Nesse caso, você poderia ser apenas uma barriga de aluguel, não iria exigir nada de você, caso você tivesse interesse pela criança, poderíamos conversar sobre a guarda. Caso nada disso te interesse, eu adoto sem problemas. — Eduardo explicou.

— Seu plano é ótimo. Só tem um erro. Eu já estou grávida. — Disse olhando para ele.

— Então era isso que estava te deixando tão confusa? — Eduardo parecia surpreso, mas em algum lugar, ainda se mantinha interessado.

— Estou grávida do meu ex, que me traiu com uma das minhas melhores amigas. Nesse momento estou com três meses, eu acho. Fiz apenas um exame de farmácia ontem. Não tenho uma casa, nem roupas, meus pais vão surtar quando souberem e por sorte, consegui esse emprego. Tudo isso, parece querer me enlouquecer. — Eu senti as lágrimas se formando nos meus olhos.

— Aceitar a proposta não iria resolver todos os seus problemas ? — Eduardo parecia intrigado.

— Não, porque meu maior erro com Levi foi ter sido totalmente dependente dele. Abri mão totalmente de mim. Aceitar sua proposta me faria a mesma coisa. Eu teria que me moldar a você. Seria bancada. E ainda tem a história dessa criança na minha barriga. Como acha que sua proposta resolve algo? Apenas me coloca no mesmo problema da última vez. — Eu estava irritada comigo mesma por me colocar naquela situação.

— Primeiro, você não precisa se moldar a nada. Será quem é e pronto. Não farei intervenção na sua vida. Vez ou outra, que teremos que fazer aparições públicas, mas nada demais. Posso até mesmo colocar isso no contrato, que não exigirei nenhuma mudança em você. Aliás, você fica linda de cabelo curto. Percebi que cortou. — Eduardo explicou. Tenho certeza que ele faz sucesso entre as mulheres. Seu elogio fez minha bochechas corar.

— E sobre o resto? — questionei sem olhar para ele. Estava envergonhada.

— No fim, você não será bancada. É uma espécie de contrato de serviço. Eu estarei pagando a você por algo que me oferece. Não é a mesma coisa. O que receberá vem do seu esforço. — Eduardo disse. E fazia sentido. Eu estaria como uma atriz em um papel. Era um serviço prestado.

— E sobre a criança, podemos fingir que ele é meu. Que tivemos um caso de uma noite em uma boate qualquer por aí. Eu não vou me importar de passar a impressão que trai aquela cachorra. E acho que você não deve se importar também de dar o troco dessa forma. Preciso de um filho. Parece que vem com você de bônus. Por mim, tudo bem. — Eduardo parecia flexível.

— Você não se sente mal de não ser seu filho de verdade e ter que assumir? — Eu não sei se seria tão de boa quanto ele.

— Acho que não. Gosto de crianças. E no fim, eu serei apenas um pai de mentira. Você terá todas as responsabilidades com a criança. Me parece até melhor do que eu tendo um. Assim posso focar nos outros requisitos. — Eduardo parecia prático. Ele deixou claro que não seria responsável por meu filho, mas usar ele como pai, não seria ruim. Evitaria muito problema na realidade. Meus pais pelo menos, não causariam confusão. E eu teria pelo menos, apoio quando o bebê nascesse. Ambos teríamos tudo que queríamos, mas e depois? Como manteria a criança?

— Você precisa de uma empresa sua que gere empregos, lucro e seja conhecida, certo? Então, que tal abrir um restaurante comigo. Você será meu sócio. Se você está administrando a empresa do seu avô, terá pouco tempo para se dedicar a uma nova. Então, que tal isso, eu cuido da parte administrativa do restaurante e você é responsável pelo investimento. Será a minha forma de pagamento por tudo isso. — Eu sugeri. Assim como Denise havia dito. Era a melhor forma de fazer isso.

— Um restaurante... — Eduardo estava olhando para o teto, como se tivesse pensando em alguma coisa. — Quero que me faça um projeto. Para que eu saiba exatamente o que você espera e pensa para o restaurante. Me traga amanhã às 8 e venha de vestido branco. Vamos nos casar amanhã mesmo.

— Quê!!!! — Tenho certeza. Este homem é tão surtado quando o avô dele.

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Comments

Angela Moreira

Angela Moreira

Autoraaaaaaaaa Eduardo e o cara , simplesmente ameiiiii😍🤔

2024-11-17

1

🌸 Alessandra 🌸

🌸 Alessandra 🌸

kkkk adorei

2024-10-30

0

Vera Lúcia

Vera Lúcia

eita lascou

2024-09-08

0

Ver todos

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