Lago Ciric
Não muito distante da estalejem Sweetspell, Iulian e o Clã de caçadores de vampiros Van Alene estavam firmes no encalço do casal, haviam partido logo após o jovem mestre Albesco ser abandonado em sua festa de aniversário.
— Os fugitivos tem quase um dia na nossa dianteira. Não podemos perder seu rastro. — Afirmou Iulian.
Obcecado, sem parar para dormir ou fazer as refeições, o jovem mestre e seus capangas vasculharam todas as pousadas, tabernas e estalagens de toda a Transilvânia sem obter sucesso, Veaceslav e Liana souberam muito bem ocultar seus passos. Espumando de ódio, o Sr. Albesco resolveu voltar na última estalagem visitada e oferecer dinheiro ao estalajadeiro que ao seu ver estava escondendo alguma coisa dele.
Suas suspeitas foram confirmadas. O comerciante estava com dificuldades financeiras e acumulava uma grande dívida de jogo. Mediante uma soma de dinheiro tão ostensiva, o humilde proprietário da pousada não teve outra alternativa e acabou confessando que o casal havia passado o dia em seu estabelecimento e que partiram tão logo anoiteceu.
Iulian engoliu sua ira pelo fato de o estalajadeiro ter inicialmente mentido para ele, acobertando os viajantes clandestinos. Furioso, o jovem mestre jogou o dinheiro no chão de forma soberba. Entretanto, não poderia perder tempo, cada minuto que se passava aquele maldito vampiro e aquela traidora indecente estavam mais e mais distantes de serem apanhados. Após pagar a quantia combinada, Iulian seguiu na direção indicada pelo homem, pensando em como mataria o rival e como castigaria sua prometida adultera.
Anoiteceu, Veaceslav e Liana partiram deixando a pousada Sweetspell, viajaram a pé por toda aquela noite sem levantar suspeitas, quando estava prestes a amanhecer novamente e sem encontrar nenhum vilarejo, decidiram se abrigar em uma caverna nas proximidades do lago Ciric.
O Sr. Dalca providenciou uma pequena fogueira para aquecer sua amada, fugiram apenas com a roupa do corpo e o dinheiro que o vampiro conseguiu reunir. Como não dispunham de sacos de dormir, então Veaceslav acomodou a esposa em seu colo e carinhosamente a cobriu com sua capa. Decidiu que não dormiria e que velaria seu sono, quando escurecesse mais uma vez, sairia a caça de algum animal silvestre.
Próximo ao lago não haviam vilarejos ou moradores, então eles poderiam ganhar uma vantagem seguindo uma parte do trajeto usando as asas demoníacas do vampiro, voaria com ela em seus braços sem precisar temer ser visto por algum aldeão.
Tinha tudo planejado, chegariam ao porto em mais alguns dias, ofereceria seus serviços em algum navio, Liana poderia cozinhar para a tripulação e ele poderia ocupar cargos desprezados por aqueles que precisam da noite para dormir, as vezes sua sina de ser uma criatura das trevas era uma vantagem.
Tentaria embarcar e negociar seus préstimos em algum navio rumo ao novo continente, todavia, qualquer destino seria bem-vindo se pudesse levá-los para longe do país e consequentemente para longe do jovem mestre Iulian.
O Sr. Albesco perseguia o casal com sangue nos olhos, a pista fornecida pelo estalajadeiro acabou por conduzi-lo a pequena capela onde o casal tornou-se marido e mulher.
Sua intuição gritava que aquele padre havia de alguma forma ajudado o vampiro em sua fuga. Com brutal violência, Iulian resolveu interrogar o religioso. De forma ardilosa, tratou de fazer com que os caçadores do Clã Van Alene não fossem testemunha de suas atrocidades, mandando-os vasculhar as redondezas para distrai-los. De forma cruel, amarrou o homem em uma cadeira e sem trégua tratou de interroga-lo:
— Então Sr. Padre... o que está escondendo de mim? Sua congregação religiosa não lhe ensinou que mentir é pecado? — Perguntou de forma debochada.
O clérigo já em idade avançada sabia que não conseguiria esconder nada de seu algoz, em silêncio implorou a Deus que tirasse sua vida com um ataque cardíaco fulminante, sabia que seu sofrimento seria insuportável e que a verdade pularia de sua boca quando a dor estivesse a deixá-lo as portas da loucura.
— Não vai falar? Vamos ver por quanto tempo conseguirá manter sua boca fechada... talvez eu deva começar arrancando seus dentes... — Afirmou Iulian apanhando do chão um tijolo que ajudava a escorar a mesa do altar.
Sem demostrar nenhuma piedade, o jovem mestre golpeou a boca do padre até que esse, cuspindo sangue, implorou que ele parasse balbuciando em uma linguagem quase inteligível.
— Perder os dentes já ajudou a afrouxar sua língua velhote? — Interrogou o Sr. Albesco com desdém.
Mergulhado em uma dor de cortar a alma, o sacerdote ainda tentou resistir, porém Iulian incansável quebrou seu polegar.
— Vou quebrar seus dedos um a um até você abrir o bico e dizer pra onde foram aquele miserável e sua amante. — Prometeu ele com requintes de crueldade.
Sem mais conseguir suportar tamanha dor, o sacerdote acabou por confessar em desespero que o casal de fugitivos se dirigiu ao próximo vilarejo.
— Eles chagaram aqui logo no início da noite... depois de algum tempo em minha companhia... partiram para o povoado vizinho. — Respondeu o sacerdote quase sem forças.
— Malditos... — Praguejou Iulian.
O sangue que fluía abundante de seus ferimentos apontava que o padre já não tinha muito tempo. Resolveu que não morreria sem humilhar seu assassino.
— Lamento jovem mestre... mas a Srta. Liana não é mais amante do Sr. Dalca... eu os casei... agora são marido e mulher com a graça de Deus.
Ao ouvir os detalhes sobre a felicidade do casal Iulian foi consumido pelo ódio. Puxou sua adaga violentamente e com um golpe certeiro pôs fim ao sofrimento do padre. Saiu da capela sem olhar para trás e sem esboçar nenhum arrependimento, tratou de seguir sua busca na próxima aldeia, sem permitir que os caçadores do Clã Van Alene descobrissem que estavam a serviço de um assassino.
Nenhum outro religioso aceitou ser designado para pregar naquele templo, corria o boato que o local estava amaldiçoado. Nos anos seguintes ao crime de Iulian, a capela não mais foi frequentada pelos fiéis, ficando completamente abandonada, servindo como esconderijo de bandidos.
O jovem Sr. Albesco não pretendia deixar a pista dos fugitivos esfriar, depois de sair da igreja, Iulian tratou de contatar uma feiticeira indicada pessoalmente por seu pai, acreditava que mediante a promessa de dinheiro, proteção e toda a sorte de favores obteria com ela a localização exata do casal.
Caso a bruxa se recusasse a cooperar com seus objetivos, não pouparia meios sujos de persuadi-la. Sabia uma coisa ou outra sobre o mundo oculto, e não tinha receio nenhum em usar suas artimanhas. Aprisionaria o familiar da feiticeira, para tortura-lo e a obrigaria a fazer um feitiço localizador, mas para tanto, precisava obter algum objeto que pertencesse ao casal.
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Atualizado até capítulo 31
Comments
Rosária 234 Fonseca
desgraçado maldito tomara que vc morra lentamente dolorosamente também por ser tão cruel
2023-09-15
2
Milly Santos
hm
2022-08-29
1
Milly Santos
,
2022-08-28
1