Anel de Noivado
A jovem levantou antes das 8 horas, precisava preparar o café da manhã de seu pai antes dele sair para atender seu nobre aluno.
— Pai, você não acordou com cães ladrando e com os barulhos na rua ontem à noite?
— Não filha, cheguei muito cansado e em seguida dormi.
Aquela noticia a alegrou, queria manter seu hospede em segredo e não via a hora de novamente anoitecer para poder mais uma vez vê\-lo. Alguns minutos depois de tomar café, seu pai saiu para lecionar.
Liana queria muito falar com Veaceslav, entretanto, de forma alguma ousaria abrir o baú antes de escurecer. As lendas eram claras, a luz do sol poderia transformá\-lo em cinzas.
O dia demorou o dobro do tempo para passar, incontáveis foram as vezes que foi até a janela verificar se já havia escurecido. Por que estava tão ansiosa? Certamente seu hospede não iria a lugar nenhum.
Resolveu varrer a casa para tentar se distrair, fez uma deliciosa torta de maçã e a trocou por uma galinha com seu vizinho. Esquentou água e tomou banho na tina de madeira, escolheu seu melhor vestido e separou uma das camisas de seu pai para seu hospede vestir.
Finalmente anoiteceu, ficou na dúvida se deveria esperar pelo despertar de seu convidado ou se ela mesma deveria acordá\-lo. Fortuitamente, não precisou decidir, o ranger da dobradiça do baú fez seu coração acelerar.
— Boa noite pequena flor.
Antes que ele pudesse dizer outra coisa a moça prontamente tratou de mostrar o quanto desejava mimar e cuidar de seu hospede.
— Boa noite Sr. Veaceslav, separei uma camisa do meu pai para você vestir, bem como providenciei algo para o seu jantar.
— Agradeço sua preocupação, mas desde que me tornei vampiro não consigo sentir o gosto dos alimentos... e essa é a maior desvantagem da minha atual condição. — Respondeu vestindo a camisa.
— Deixe\-me cuidar de suas feridas...
— Bem senhorita... graças ao seu sangue, eu estou curado.
Liana não pode evitar de ficar surpresa, entretanto não queria que seu hóspede percebesse sua inquietude e voltou a insistir que ele comesse.
— Eu troquei uma das minhas tortas por uma galinha... você
poderá se alimentar dela e depois eu posso cozinhá-la para o meu
pai. — Disse ruborizada, surpresa consigo mesma.
— Você já fez muito por mim, não devo abusar de sua hospitalidade, no entanto confesso que eu apreciaria muito vê-la de novo. — Respondeu recolhendo uma mecha de seus cabelos e sentindo seu perfume.
Veaceslav era muito atraente, cada gesto dele a envolvia como um cálido abraço.
— Vou aproveitar que está cedo e visitarei o joalheiro. Talvez ele tenha algum trabalho para mim. Não devo retornar agora a estalagem para pegar meus pertences, nem minhas economias. É possível que os caçadores estejam lá escondidos, esperando a minha volta.
— Ir ver o joalheiro também é arriscado...
— Estou precisando de dinheiro...
— Por favor... tenha cuidado.
— Terei! Obrigado por tudo... senhorita Liana.
O vampiro se despediu da jovem e sumiu na noite escura. Liana deitou de bruços abraçando o travesseiro, admirando a janela aberta. Por que ele foi embora? Que tolice! Como ela conseguiria ocultar um homem em seu quarto? De que forma o esconderia de seu pai? Chorou de saudade de seu hospede que acabara de partir até ser vencida pelo sono.
Vários dias se passaram sem notícias de Veaceslav, pensou em ir visitar o joalheiro em sua oficina, perguntar se ele sabia do paradeiro do rapaz. Todavia, abandonou a ideia depois de pensar melhor. Como justificaria seu interesse repentino? Só a saudade do vampiro era sua fiel companheira.
Já fazia quase três meses que haviam se encontrado, estava tentando se conformar e aceitar que jamais o veria de novo. Deitou melancólica, sempre chorava antes de conseguir dormir, a noite era o pior momento do seu dia.
Estava quase cochilando quando mais uma vez, suaves batidas na janela a despertaram. Acordou sobressaltada, seria ele? Correu afoita em direção a janela, abriu e se deparou com uma misteriosa figura envolta em uma capa marrom com capuz.
O vulto enigmático tirou o capuz revelando sua identidade:
— Boa noite senhorita Ardelean, perdoe-me por ter ficado tanto tempo sem dar notícias. Em minha defesa, devo dizer que estava viajando a trabalho por ordem do meu amigo e empregador joalheiro.
Liana abriu um sorriso encantador, ficou sem palavras, pois
pensou que jamais o veria novamente.
— Posso entrar minha pequena flor? — Perguntou ele por mera cortesia, pois um convite para entrar em uma casa, feito a um vampiro só pode ser retirado por meio de feitiçaria.
— Claro! — Respondeu sem conseguir esconder o quanto estava feliz.
Veaceslav entrou, sorrindo enigmático. Ajoelhou de forma solene, pegando uma pequena caixa de veludo preto no bolso secreto de sua capa.
— Senhorita, eu não queria voltar a vê-la sem lhe trazer um presente. — Disse ele abrindo a caixa revelando um anel de ouro branco ornamentado com uma adorável pedra de quartzo rosa.
— É lindo! — Disse a jovem emocionada.
— Meu empregador fez especialmente para você... pedi que fosse confeccionado em ouro branco, pois vampiros não podem manipular prata. — Respondeu ele colocando o anel no dedo da jovem e beijando sua mão carinhosamente.
— O dinheiro que gastou nesse presente, poderia servir para comprar seu anel solar.
— Infelizmente não... eu precisaria ter o valor equivalente a dez anéis de ouro e pedrarias para pagar um único anel solar.
Apenas vampiros ricos, de linhagem nobre possuem uma relíquia tão preciosa quanto um anel solar.... Mas não se preocupe com isso, seu sorriso pagou tudo que gastei nessa joia.
— Veaceslav...
— Liana, eu não tenho nada a lhe oferecer além do meu amor, não tenho bens, residência fixa e gastei todas as minhas economias nesse anel... entretanto sei que me arrependerei profundamente se não revelar o que sinto por você...
A jovem sentiu que seu coração iria pular pela boca, foi invadida por sentimentos conflituosos, queria dizer que também compartilhava daquele mesmo amor, entretanto sua voz embargada insistia em não sair.
— Pequena flor, sei que não tenho direito... mas esse é um anel de noivado... e eu seria o homem mais feliz do mundo se aceitasse casar comigo.
A declaração de amor, bem como o pedido de casamento inesperado surpreenderam a moça.
Seu pai aprovaria sua escolha? Resolveu não pensar nisso agora, seu coração seria o seu guia... e ele estava ordenando que
aceitasse aquela oferta humilde, porém sincera.
— Eu... eu aceito, Sr. Dalca.
O vampiro que ainda estava ajoelhado, segurando a mão de sua noiva, levantou rapidamente, envolvendo-a em um abraço afoito. Apesar do pedido corajoso, ele não tinha a menor ideia de qual seria a resposta da jovem.
— Confesso que você me surpreendeu ao aceitar meu pedido.
— Também quero te ofertar algo para lembrar de mim. — Disse a jovem buscando uma pequena caixinha de madeira cuidadosamente escondida no fundo do armário.
— Pequena flor... não precisa me dar nada em troca...
— Considere um empréstimo. Afinal, é a única recordação que tenho da minha mãe. — Afirmou ela sorridente abrindo a caixinha e revelando seu conteúdo.
Era um medalhão de ouro amarelo, em formato oval, desses que ocultam retratos em seu interior. Veaceslav abriu a joia e dentro, encontrou duas pequenas gravuras pintadas a mão.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Liana tratou de apresentar as mulheres retratadas.
— Esta, é a minha mãe quando era jovem e essa sou eu quando tinha 14 anos.
— Continua linda...
O vampiro colocou o colar no pescoço, orgulhoso. Seria seu talismã. Seu amuleto da sorte.
Liana sentou no chão oferecendo o baú ao seu convidado:
— Sente-se. — Solicitou de forma cortês, alegre.
— Não vou demorar, agora que aceitou meu pedido, preciso de novos trabalhos, juntar dinheiro para pagar seu dote, quem sabe... futuramente comprar uma pequena casa.
— Pretende fazer o pedido ao meu pai?
— Certamente, mas não agora... vou deixar que você prepare o terreno, depois virei visitá-la e formalizarei o pedido.
— Não posso contar como nos conhecemos... muito menos revelar sua verdadeira identidade...
— Bem, você é criativa senhorita Ardelean... certamente vai pensar em alguma coisa, confiarei em seus talentos.
— Porque não passa a noite aqui? Ficou tanto tempo sem vir me visitar... achei que nunca mais iria vê-lo.
— Em breve, devo me ausentar da Transilvânia, vou transportar algumas joias até a província da Valáquia.
Eu estou hospedado no vilarejo vizinho, consegui recuperar meus pertences com o estalajadeiro, mas, entretanto, aqueles malditos caçadores levaram o meu cavalo.
— E como conseguirá viajar a trabalho?
— Meu cavalo ajudava a manter meu disfarce e a esconder minha identidade, era meu fiel companheiro, perdê-lo, de fato me entristeceu... mas não preciso dele para me deslocar em minhas viagens.
Posso me transformar em lobo, morcego ou simplesmente fazer asas demoníacas surgirem nas minhas costas. Porem terei que redobrar meus cuidados para não chamar muita atenção.
— Veaceslav... eu não sou uma moça ambiciosa, não preciso de nada disso. Estar com você, já é suficiente.
— É o mínimo que posso fazer... minha noiva merece conforto e não vou permitir que saia de sua casa para viver ao meu lado viajando por estas estradas perigosas.
Depois de um período de silencio, apenas admirando-a com apresso, o vampiro concluiu:
— Devo ir agora senhorita.
Antes de sair o vampiro encheu-se de coragem e ousadia reivindicando os lábios da jovem com um beijo, selando o compromisso firmado entre eles. Liana entregou-se por completo ao beijo apaixonado... agora teria algo concreto para se apegar quando a saudade do seu amado vampiro estiver a sufocá-la.
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Atualizado até capítulo 31
Comments
Sílvia Nastaro
Amor à primeira vista !!! Isto explica toda essa saudade aflita dessa jovem e uma atitude desse naipe em sua segunda visita desse rapaz !!! Mas como assim ela precisa de seu amor MAS NÃO PRECISA DE UMA CASA PARA VIVER COM ELE ???!!! Mas como assim ele quer viver com ela MAS NÃO IRÁ LEVÁ-LA COM ELE EM SUAS VIAGENS ???!!! Ora !!! ELA pensa em viver sem paradeiro ???!!! ELE quer emparedá-la sozinha em uma casa ???!!! Dois apaixonados sem juízo algum !!! Mas seu amor surgiu tão doce !!! Eu gostei de ambos assim que eu conheci-os !!! Ela, amorosa !!! Ele, atrevido !!!
2025-04-01
1
Rosária 234 Fonseca
haaaa que romântico esses dois espero que tudo ocora bem hum primeiro beijo do casal que tudoooo🤩🤩🤩🤩🤩🤩♥️
2023-09-15
2
Kim Rodrigues
Aí fofinhos, espero que o pai dela aceite. Mas acho que não vai, afinal nem conhece o rapaz, ele não tem nada à oferecer a filha dele
2022-11-11
1