Dois meses se passaram desde de que Rafael e Isabela assinaram o contrato. Ela cumpriu o que haviam combinado, mas estava nenhum um pouco feliz. Rafael se mantinha distante dela, estava claro que ele não tinha qualquer interesse nela, era bastante claro o muro invisível que ele construiu entre eles dois . Além disso, cada vez ele estava mais focado na medicina. Atrapalhando totalmente os planos de Isabela que seduzir e conquistar Rafael, ela mal conseguia sequer encontrar com ele.
— Eluar, lembra que você viu aquele procedimento meu tem alguns meses? Sabe como faz? Lembra todas as etapas? — Katarina perguntou empolgada para Eluar. As duas viraram unha.
— Claro. Tenho até às anotações que fiz sobre as etapas e o método em geral. — Eluar respondeu caminhando atrás de Katarina como fez nos últimos meses.
— Eu tenho esse procedimento hoje, que tal você fazer e eu apenas monitorar ele? Se sente preparada? — Katarina questionou, não era apenas o fato dela saber ou não fazer, mas ela precisava ter confiança para executar o procedimento.
— É claro que sim. Eu adoraria essa oportunidade. — Eluar nos últimos meses pouco tinha feito de forma prática, estava apenas observando.
— E você, senhor Rafael, preste bem atenção, quero que da próxima vez seja você fazendo esse procedimento. — Katarina disse surpreendendo o filho. — Eu tenho uma reunião agora. Deixei vocês no PS o resto da tarde. Não me decepcionem.
— Obrigada, senhora Katarina. — Eluar agradeceu.
— Boa reunião, Mamãe. — Rafael falou ainda sem acreditar que sua mãe estava convidando ele não apenas para assistir o procedimento, mas também deixando claro seu interesse de deixar que ele faça o mesmo no futuro.
— Parece que sua chance finalmente surgiu — Eluar disse voltando para a sala dos residentes. Havia andando tanto que se sentia fraca.
— Não posso deixar de agradecer a você. Depois que começamos as revisões após nossos turnos tenho bem mais facilidade com o conteúdo. Claro que me sinto zero preparado para esse procedimento, na verdade, eu nem sei do que vocês estavam falando, não vou mentir. — Rafael confessou. Depois do contrato com Isabela, a forma que ele encontrou para se manter em contato com Eluar foram essas revisões. Esperava que com a proximidade pudesse ao menos lembrar dela, mas apenas conseguiu acompanhar melhor o estágio e as aulas.
— Eu irei repassar agora o método, quer vir? Faz um tempo que eu vi sobre ele, para não ter erro irei estudar um pouco antes da entrada no PS. — Eluar explicou abrindo um dos seus cadernos de anotações.
— Gostei da ideia, mas antes posso pegar algo para gente na cantina? Não sei se você sabe, mas comer é importante para manter o corpo e mente funcionando. Não faço ideia de como você consegue estudar tanto sem sentir vontade de devorar o mundo. — Rafael questionou. Raramente vi Eluar comendo.
— Na verdade, esses dias estão meio enjoada. Acho que todo o estresse do estágio e as noites sem dormir estão me causando uma gastrite. Vou marcar um médico e ver isso depois. Não sei o nível que está, mas melhor cuidar antes que piore. — Eluar andava enjoando, sem fome, sentindo dores na barriga e sem apetite. Como estava sem tempo para comer direito, dormindo pouco e com uma vida extremamente agitada, só conseguiu pensar em uma belíssima gastrite.
— Sério? Vou trazer uma salada com peixe para você. São leves, você não deve ter dificuldade para comer assim. Suco de laranja ou um chá gelado? — Rafael perguntou
— Um chá gelado, o suco pode ser ácido e acabar piorando o caos. Obrigada, Rafa. Depois me diz quanto ficou e eu te transfiro o dinheiro. — Eluar agradeceu antes de voltar seus olhos para a anotação que fez pela manhã. Queria aproveitar o tempo que Rafael pegaria o almoço para passar a limpo.
— Não começa antes de eu chegar. — Rafael gritou já da porta.
— Sim, senhor. Te espero para começar a repassar o assunto. — Eluar respondeu rindo. Estava feliz com a evolução de Rafael, aos poucos estava retornando aquele que ela namorava, a grande preocupação dela é que mesmo todo contato que tiveram, nada mudava em relação a sua memória. Por mais que tentasse reviver até momentos e situações que passaram juntos, nada era gatilho para Rafael. E isso preocupava ela. O noivado ainda estava de pé e Isabela ainda insistia que o filho era dele.
Rafael voltou um tempo depois, com um enorme pote de salada para Eluar e alguns chocolates. Logo comeram e voltaram a estudar. A sessão de revisão sempre era repleta de riso e canetada ( Eluar sempre batia de leve na cabeça de Rafael quando ele errava). Eles estavam tão entretidos com os estudos e brincadeiras que não notaram que alguém os observava. Filmando e fotografando eles dois a cada segundo.
A hora do plantão do PS começou, eles tinham a função de fazer uma triagem e primeiros socorros, encaminhando os pacientes para o setor e médico mais adequado. Tudo parecia calmo. Até que um homem entrou segurando outro pelo braço, ele estava totalmente coberto de sangue, enquando em sua mão livre, segurava uma arma.
— Eu preciso de um médico, agora. — O homem gritou.
Rafael na mesma hora que viu a entrada, puxou Eluar para dentro de um armário pequeno, estavam tão próximos que podiam ouvir a respiração um do outro.
— Vou matar um por um enquanto um médico não aparecer.— O homem gritou atirando para cima. Para o desespero dos funcionários, que sabiam que em cima do PS haviam diversos quartos.
Eluar respirou fundo, precisava se acalmar a situação estava completamente fora do controle. Ela abriu a porta e saiu.
— Volte aqui. Você enlouqueceu? Vão te matar. — Rafael sussurrou para Eluar que sorriu e se aproximou do atirador com as mãos para cima, para mostrar que estava desarmada.
— Eu me chamo Eluar, sou residente do hospital. Posso me aproximar para avaliar o paciente, ele parece ter perdido muito sangue. Poderia deitar ele nas cadeiras? Assim posso avaliar ele melhor. — Eluar disse com as mãos erguidas.
— Certo. Tem uma posição melhor? — O atirador ficou surpreso pela educação de Eluar.
— Com o lado ferido para cima. Deixe a cabeça dele de lado sempre, ele pode acabar vomitando. — Eluar explicou e o homem fez. — Irei me aproximar, certo?
— Sim. — o homem disse deixando com que ela passasse.
— Olá, eu me chamo Eluar, sou residente do hospital. Estou aqui para te ajudar. Eu preciso que você se mantenha conversando comigo, certo? — Eluar falou sorridente para o homem ferido.
— Sim, me desculpe pelo meu irmão. Sou a única família dele. Não temos plano de saúde. Ele se desesperou quando fui baleado na saída da escola. — O jovem disse com os olhos cheios de lágrimas.
— Não se preocupe com isso. Está tudo bem. Eu preciso retirar a bala de você, não posso fazer isso aqui. Vou precisar de instrumentos da sala de cirurgia e algumas medicações. A dor que você está sentindo é muito grande. Posso pedir ajuda de um maqueiro e um enfermeiro? Não temos muito tempo, você já perdeu muito sangue. — Eluar explicou acariciando o cabelo do jovem que se tremia.
— Por favor. Qualquer coisa. Salve meu irmãozinho. — O homem armado disse com lágrimas nos olhos.
— Farei o meu melhor. Rafael pode me ajudar? Preciso que você traga uma maca. Herbert, pode nos ajudar a colocar ele em um maca? Preciso que ele não se mova muito. — Eluar orientou e todos seguiram suas instruções.
— Você é completamente surtada — Rafael sussurrou quando passava por ela nada feliz por ela ter se envolvido com algo tão complicado.
— Vamos para sala de cirurgia 1. — Eluar disse apontando a direção.
— Irmão, vai ficar tudo bem. Não fique assim. A médica parece boa. — O jovem tentou aclamar o irmão segurando sua mão.
— Seu idiota! Eu que deveria está te consolando. Não você. Eu nunca vi tanto sangue na minha vida. Nem sabia que tínhamos tanto sangue. — o homem mais velho confessou.
— Não se preocupe. Ele ainda tem muito mais sangue. Seu irmão ficará bem. — Eluar falou antes de entrar na sala de cirurgia.
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Atualizado até capítulo 91
Comments
Fatima Vieira
Rafael é um frouxo kkkkkk
2025-01-14
0
Ely Ana Canto
esse Rafael vai ser médico mesmo, que bundão, deve escolher outra profissão afff
2024-11-14
1
Fátima Ribeiro
como um residente se esconde ao chegar um pasciente com urgência?
2024-09-16
0