Eluar e Rafael adormeceram debruçados em uma pilha de livros e anotações. Um ao lado do outro. Não era a primeira vez que ambos adormeceram daquela forma. Sempre faziam isso quanto estavam nas provas finais, Rafael não era um bom estudante.
O que não esperavam ou nunca tinha acontecido nenhuma vez, era serem acordados com um balde de água e gritos. Isabela chegou pela manhã e encontrou os dois na sala. O ódio tomou conta dela.
— Vocês todos acham que eu sou palhaça? Não basta descobrir agora pela manhã que estou proibida de pisar no terreno do hospital. Fui expulsa do estacionamento como se eu fosse uma pessoa terrível, um ser terrivel. Aí quando chego aqui. Já péssima com o equívoco no hospital, sou recebida com vocês dois dormindo juntos aqui? Você, sua vadia, não tem vergonha na cara. — Isabela gritava irritada. Pela manhã a polícia tirou ela a força do estacionamento, ao se negar sair com pedidos educados dos seguranças.
— Não foi um equívoco. Eu mesma pedi para que sua entrada fosse não apenas proibida, mas abobinada. Não quero pessoas como você incomodando o meu hospital. Aquele que eu criei e cuido com bastante dificuldade. Então, antes de perder a noção entrando em uma casa que não é sua aos gritos. Não vou deixar alguém sem educação acabar com algo que demorei muito tempo para consolidar. — Katarina disse ao descer as escadas. Todos ficaram em silêncio.
— Bom dia. Licença, posso usar o banheiro? Preciso me enxugar — Eluar não queria apenas se enxugar, mas acalmar seu ânimos, não queria acabar voando no pescoço de Isabela, ela não poderia ou todo seu plano cairia por terra.
— Claro. Eu pedi para que nosso motorista comprasse uma roupas para você usar. Estão no banheiro a direita. E Isabela, você deveria aprender um pouco com Eluar como uma dama de respeito se porta, mesmo que esteja irritada, ela não deixa que o sentimento tome conta dela. Isso é ser sabia. Agir controlada por seus sentimentos é burrice. — Katarina respondeu.
— Eu agradeço. Licença. — Eluar disse levantando do chão, mas foi puxada por Isabela.
— Você se faz de boa moça. Está o tempo todo querendo me prejudicar. Quer meu mal a tudo a todo custo. Você não se dar o valor? Ele é noivo. Desista. — Isabela não conseguia lidar com a raiva.
— Eu não sou boa moça, nunca disse. E não estou fazendo nada, apenas vivendo minha vida se não percebeu ainda. E aliás, eu não te desejo mal, não faz meu tipo, mas te desejo o justo. Agora, se a colheita da sua justiça for má. O problema é seu, não meu. Deveria reavaliar o que anda plantando e não me incomodando. Se me der licença, eu tenho o que fazer da minha vida. — Eluar respondeu pacificamente, engolia o ódio gota a gota.
Eluar partiu para o banheiro, Katarina foi para cozinha, precisava descobrir em que pé estava o café da manhã. Rafael não falava nada, apenas olhava para Isabela. Essa já estava envergonhada com o olhar dele.
— Não vai falar nada? — Isabela perguntou.
— Sabe... eu nunca namoraria alguém como você. Podemos parar com esse fingimento? E não tem nada com Eluar. Tem com você. Deve ser um inferno viver com você. O que faço para que você me deixe em paz? — Rafael não aguentava mais está no meio da briga e confusões armadas por Isabela.
— Tenta, Rafael. Só tenta. Saiba que levo seu filho junto comigo no túmulo hoje mesmo. Terá que conviver com duas mortes na suas costas. Saiba que não penso duas vezes antes de me jogar de um prédio ou ponte. Quero essa mulher fora da casa e do hospital ou você vai se arrepender. — Isabela falou saindo da mansão. Rafael suspirou alto.
— Filho, vamos tomar café. Hoje você não vai para aula e tenta negociar algo com Isabela mais tarde. Ela está chateada. Não deve ter sido fácil ser bloqueada no hospital e ver vocês dois dormindo juntos. Não leve a ameaça dela a sério. Vem. Vamos comer. — Kleiton disse descendo as escadas, sem querer havia ouvido tudo, não que Isabela fizesse qualquer questão de esconder.
O café da manhã foi silencioso. Depois de comer cada um tomou seu rumo, Katarina e Eluar foram para o hospital. Rafael seguiu o conselho do pai e foi conversar com Isabela. As coisas estavam saindo do controle.
Rafael encontrou Isabela no apartamento que ele havia alugado para ela ficar. Como ela não tinha trabalhado, Rafael estava bancando todo seu custo na cidade, até porque ela era de outra cidade, da mesma que o avião de Rafael caiu.
— Podemos conversar? — Rafael disse ao Isabela abrir a porta. Surpreendo ela que estava arrancando os cabelos para descobrir o que iria fazer.
— Pode entrar — Isabela apontou para dentro de casa. — Pode sentar. Aceita um chá? café? Água? Suco?
— Não, estou satisfeito, obrigado. Pode sentar aqui do meu lado e vamos conversar um pouco? — Rafael sugeriu. Isabela não tinha para onde fugir, então apenas concordou.
— Veio dizer novamente que não quer ficar comigo? Eu já disse o que farei. — Isabela decidiu se agarrar aquilo.
— Não, não vim por isso. Eu sou médico, paguei as disciplinas envolvidas com psicólogia, eu sei muito bem que você não tem sintomas de alguém que está pensando em suicídio. Quero ouvir o que está te incomodando e tentar resolver isso. Não posso deixar você criar confusão com minha família todos os dias. Eles não tem culpa. Se continuar assim irei abrir mão de tudo deles e sair de casa. Não vou continuar sendo um problema para meus pais. Arrumo um emprego em uma loja e alugamos um lugar pequeno e criamos a criança. — Rafael estava blefando. Não lembra de absolutamente nada da faculdade. Muito menos disciplinas específicas. E faz um tempo que ele tinha percebido que grande parte do interesse de Isabela nele era pelo dinheiro. Ele estava jogando com ela.
— Não! Calma. Vamos negociar então. Não precisa sair da sua família... eu não quero ser o motivo de uma família se desfazendo. Bem, pensa pelo meu lado, estou grávida de você. Estamos noivos. Sua mãe não me deixa por os pés no hospital que você trabalha, você vive agarrado com uma mulher que sua mãe só falta lamber os pés. Quer que eu me sinta como? Ela pode muito bem te fazer ficar com ela e deixar meu filho na mão. — Isabela explicou, era quase verdade. Ela tinha medo da verdade vir a tona. Isso era assustador para ela.
— Então é isso? Já sei. Vamos combinar assim. Você nunca mais vai colocar os pés na minha casa sem minha permissão e nem vai no hospital. Se tem um problema comigo, vai resolver comigo e apenas. Sem envolver mais os outros. Sobre Eluar, eu e você sabemos que não temos nada um com o outro. Estamos noivos apenas pelo bebê. Eu não sinto qualquer atração por você, mas em respeito a como você se sente, não ficarei com ninguém. Toda minha ligação com Eluar estará relacionado apenas ao trabalho, que não posso fugir disso afinal, pelo menos até acabar o semestre. Então, podemos combinar assim? — Rafael precisava manter as coisas calma e sem confusão. Pelo menos, até descobrir se o bebê era realmente dele.
— E como vou saber que você vai cumprir e não me enganar enquanto eu estiver longe? — Isabela perguntou.
— Vamos assinar um contrato. Vou pedir a meu advogado para trazer. — Rafael disse enviando uma mensagem do celular. Isabela comemorava por dentro, tinha ganho a guerra. Já Rafael, tinha outros planos para a garota e não era nem de perto o que ela imaginava.
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Atualizado até capítulo 91
Comments
Fatima Vieira
mulher louca e sem noção
2025-01-14
0
Fátima Ribeiro
que criatura é essa?
invasora, impulsiva, irracional,...
2024-09-16
1
Joselia Freitas
Tomara que ele cria juízo 🤣🤣🤣👏👏👏👏👏👏💕❤️💋🌺🌹
2024-01-08
3