...Jordan ...
Haviam escolhas a se fazer na vida quando se era pai fiquei refletindo.
O delegado por exemplo estava nas últimas semanas tentando ser pontual para levar o filho ao psicólogo, eu ficava no banquinho esperando terminar a sessão e o delegado no celular durante o período resolvendo as coisas referentes ao trabalho depois das consultad quando precisava sair ficava até a madrugada trabalhando na delegacia.
Era uma rotina meio louca de trabalho, porém nunca o vi reclamar de nada.
Como disse dores de um bom pai, acreditava.
Aquela tarde seu rosto tinha a expressão cansaço inconfundível, senti pena do estado que se encontrava.
Acho que foram umas quatro semanas que se passaram desde a crise de Henry na praia. Quatro semanas que ainda estava procurando uma cozinheira e faxineira, o delegado estava sendo justo me dando o salário equivalente de ambas as funções para não deixar a casa virar uma zona e não morrermos de fome.
Do ponto de vida financeiro aquele mês estava ótima nunca tinha recebido tanto na vida do ponto de vista mental eu ainda estava abalada... alguma hora precisaria desabafar conversar com alguém...
O copo estava enchendo e minha tia, a pessoa que mais confiava na vida estava morta.
Eu não tinha desabafado com ninguém que não fosse o delegado, o mais próximo que cheguei de desestressar desde então, foi em Beraru numa noite de bebedeira no bar ao ser levada por dona Carmem.
E me arrependi até o último fio de cabelo.
Com todos ali com os nervos à flor da pele, tinha que fazer algo para esvaziar o copo.
"Bia foi condenada a quatro anos e meio de cadeia assim como a mãe " disse o delegado me acordando do meu transe.
"Por racismo?" perguntei de repente muito interessada na informação.
"Por racismo com violência, difamação contra você , agressão a Henry" disse olhando a xícara, as olheiras debaixo dos olhos estavam escurecidas.
Sentei na ilha. Eu não queria carregar rancor contra o delegado como disse não chutava cachorro morto "Henry contou o que acontecia com ele?"
O delegado respirou me olhando profundamente " Elas o deixavam sem comer, batiam nas palmas das mãos dele com a colher de madeira, puxavam a orelha davam tapas cabeça tapas na boca o ameaçavam... esses tipos de agressão..."
"Em áreas que não ficavam marcadas" disse concluindo o seu raciocínio. Ele fez que sim e havia outra coisa debaixo do cansaço, o remorso ou culpa.
"Não tem culpa Pedro, você confiou e elas agiram com mau caráter " disse por fim e era a maior frase que tinha dirigido ao delegado diretamente nas últimas semanas.
"Estou entrando em contato com as outras babás para ver se elas fizeram o mesmo com elas como com você, quem sabe tenham provas a pena poderia aumentar desse modo" disse ele.
Entendi a linha de raciocínio fazia um tempo que ninguém absolutamente ninguém vinha ao apartamento "Onde está Rafael não o vejo desde ontem" perguntei, o delegado balançou a cabeça e suspirou profundamente como se carregasse uma carga nos ombros.
"Acho que continuou aqui para que retirasse a denúncia quando percebeu que não ia se demitiu " disse e seu tom era de aceitação.
Tive que perguntar curiosa:
"Está bem com isso?"
"Rafael defende a filha dele e eu vou lutar pelos direitos do meu filho e pelo certo" disse fazia um tempo que deixou de tocar no café dele a fumaça aromática subia no ar, bebi minha xícara o que estava feito, feito estava. Ficar me martirizando sem comer apenas me deixaria fraca porém, eu era eu e se Pedro Cabrinni o delegado perdeu o desejo de comer remoendo os últimos acontecimentos não julgaria.
Existiam formas de reagir a desafios e nisso novamente éramos opostos.
Henry já ia a escola normalmente guardando a promessa que visitaria os coleguinhas que estavam no hospital em breve. Graças ao bom Deus todos as crianças estavam vivas e sem perigo de morrer apenas com algumas sequelas de braços quebrados e torções que nos casos mais graves passaram por cirurgias bem sucedidas e fariam acompanhamento com fisioterapeutas. O prognóstico era bom segundo os médicos.
Isso era bom.
Nem tudo era bom porém, lembrei de outro criminoso "Bola?" perguntei ansiosa sem querer fingir desinteresse quando tinha tanto.
"Aguarda o julgamento" disse ele.
Meu amado morro, eu sentia falta depois de tanto tempo longe dormi até tarde no dia da minha folga, quando acordei tive reabastecer a caixa da água pagando uma quantia ao dono do poço que me ajudou a abastecer a caixa da água por um adicional de cem reais.
Que naquele mês não me faria falta e fez o senhor sorrir porque o ajudaria para caramba. A água até que tinha durado por passar mais tempo longe de casa do que de costume.
O esforço valeu apena trabalhando para o delegado pensei decidindo tomar o café na padaria de esquina do senhor Omar, como um mimo fazia tanto tempo que não tinha dinheiro nem para comer fora que era um mimo que fiz questão feliz aquela manhã.
Omar também era o nome da padaria, Padaria do Omar, era o nome da padaria, sem muita criatividade e muito simples a anos ganhava os corações dos fregueses por isso não fechava.
Quando o pão e atendimento era bom o cliente sempre volta. Era o lema escrito na porta abaixo da frase Deus é Fiel
Numa das mesas eu sorri para o povo que conhecia desde de minha infância que entravam como clientes fiéis da padaria, eu era a melhor amiga da filha de Omar que se chamava Camila.
Mas quase não a via desde o casamento com um cara que era motoboy, apenas sabia pelas redes sociais notícias dela que tinha um filhinho lindo de um ano e que estava separada atualmente.
Eu era horrível em manter contato.
Mas agora sentia falta dela como nunca, convivemos juntas desde o segundo ano no primário, mas a vida depois da escola nos separou apesar de ter um carinho enorme por ela ainda assim como do restante do grupo, nós éramos as desgarradas e amigas improváveis. Compunham nosso grupo a Juliana, Kelly, Gaby ( nem tanto brigavamos muito na época).
Nos éramos um quarteto inseparável toda aquela coisa adolescente de que com o grupo éramos alguém.
Foi -se do grupo e no final a única que não era mãe era eu e a juliana a única casada até agora.
Segundo o ponto de vista de muitos éramos as fracassadas exceto Juliana a casada.
E de tão saudosa e remoendo os caminhos na vida estava que mal vi seu Omar que lembrava estar limpando o balcão se aproximar e agora estalava os dedos na minha frente bem próximo rindo perguntando se estive no mundo da lua..
Confessei que estar pensativa, mesmo sabendo que era o óbvio. Quase podia ver duhh! Estampado no rosto porém Omar se limitou a voltar a tagarelar:
"A Camila voltou para casa" disse, falando sem para de como o ex dela maltratada ela que foi bom, assim ela tomava vergonha na cara e não seria mais sustentada por macho.. que não valia a pena.
Balancei a cabeça escutando atenta absorvendo o que podia... seu Omar era o tipo que gostava de falar e muito ao contrário da filha nos despedimos quando outro cliente chegou e ele teve que atender tomei a deixa para levantar.
"Fala para Camila me chamar no face " disse eu e ele disse que falaria para ela, seu Omar sorriu de volta gritando para não desaparecer de novo.
Sai descendo o morro caminhando para a quadra onde o povo se reunia para jogar fiquei lá um tempo aproveitando o sol junto ao jogo.
Musica, pessoas falando, cheiro de comida. A vida pulsava em Beraru e eu queria que a minoria violenta saísse para que tivéssemos paz eu queria que tivéssemos o mesmo acesso que a população que vivia na cidade fora do morro.
Eu queria... como eu queria Deus!
Na hora do almoço o jogo acabou e fui para um restaurante no morro que tinha ótima fama e comida e um bom preço e pedi um prato de feijoada com refri. Mandei mensagem para Camila, permitindo-me ao mimo de ter internet no celular e almoçar fora até abusaria comprando uma pizza.
Agora eu podia ter um pouco mais de conforto, um pouco. Eu sei parecia fútil mas como disse eram pequenos mimos que estavam me fazendo confortável por hora, não estava ostentando eu nem tinha o suficiente para isso mas, só de não precisar contar os centavos com desespero que faltaria comida amanhã já dava um alívio sabe?
Camila logo respondeu dizendo que estava bem e que podíamos marcar um dia para sair. Mandei uma carinha com uma resposta animada e um joinha.
A vista do morro para cidade abaixo e a praia era linda. Adicionei pimenta ao tempero e gemi de prazer pelo sabor fantástico.
Valia cada centavo.
Estava descendo o morro para casa quando achei dona Carmem na rua com nada menos...
Pardal.
Droga!
Era tarde para voltar para trás?
Dona Carmem acenou para mim e Pardal olhou em minha direção.
Ele com seus óculos escuros camisa regata justa estava com shorts mostrando a perna totalmente tatuada. Ele se apoiava numa moto preta cara inclinado na direção da senhora e ostentava carregando uma grande metralhadora nas costas.
Ele jogou um sorriso de canto em minha direção.
Tive a resposta, estava tarde.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Joana Moreira
Boa tarde mais capítulo por favor obrigada
2022-11-15
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