Capitulo 4

...Jordan...

Fui deixada para dar o depoimento sendo interrogada por um dos detetives da delegacia, tão avoada sabia que não lembraria o nome dele e de fato não lembrava, os pensamentos estavam presos em Selma o tempo todo.

Era difícil até entender as perguntas básicas pelo nervoso.

"O que fez você ir a casa de sua tia?"

"O que exatamente você viu?"

"Alguém mais estava pode confirmar essas informações?"

Essas perguntas se repetiam para pegar mentiras, eu estava no automático.

Funguei e ele pareceu se solidarizar pegando lenços e um copo de água. Repetindo as perguntas com minha nova crise de choro.

Era frustrante não conseguir sair do lugar mesmo querendo.

Respirei depois de minutos olhando para o espelho de vidro daquela sala escura com a luz branca incandescente branca dando o tom verde ao ambiente.

Desviei os olhos da parede olhando as minhas unhas sobre a mesa de ferro. Nem tinha tomado banho ainda apenas pegado as roupas com o delegado e ainda as esqueci no carro dele.

Tinha que voltar o hospital logo, voltou como o canto da sereia. Mas antes para ir precisava responder as perguntas e não entrar em outra crise de nervoso.

"Eu escutei os gritos de minha tia e coisas quebrando, ela sempre arranja machos que façam dela saco de pancadas, mas dessa vez foi diferente o grito.." disse, e a culpa veio por ter demorado a atende-la segurei o choro evitando a água pela tremedeira me abraçando sentindo frio "O grito dela era de agonia, tudo o que vi quando fui ao socorro dela foi aquele embuste correndo fugindo, Selma tava..tão...mal" parei não contendo o soluço sem poder respirar. Por desespero.

"Acho melhor a senhora se acalmar primeiro " disse neguei balançando a cabeça, não queria ficar ali mais que o necessário.

Respira! Comandei tentando lembrar onde tinha parado.

" Ela tinha uma faca na barriga e não acordava de jeito nenhum e tinha muito sangue no chão da cozinha dela... saindo dela... como um pesadelo" parei agarrando o copo de água bebendo o líquido mas desistindo logo "eu liguei para o primeiro número que vi na lista e a ambulância chegou minutos depois" disse.

Respirando olhando ao policial que olhou para o espelho, houve um apito que devia ser um código para alguma coisa pois levantou.

"Pode voltar para casa senhorita Jordana, mas precisamos de suas roupas para perícia" disse balancei a cabeça e me retirei da sala e uma policial me deu a sacola que lembrava ter sido entregue por Pedro no hospital e deixada no carro.

Fui ao banheiro voltando com roupas para perícia. Sem ver mais o delegado, fui ao ponto de onibus e esperei.

Logo porém seu carro parou e ele abriu a porta eu entrei.

"Por favor me deixe no hospital" pedi.

Ele murmurou dizendo que faria isso, em minutos estava no outro lado da rua em frente do hospital " Obrigada" disse grata por tudo que ele fez, sendo um anjo com distintivo.

"Não precisa agradecer me de notícias de sua tia" pediu.

"Claro" disse fechando a porta e indo de volta para o hospital fui a recepção onde meu nome foi questionado pela recepcionista "Jordana Santana acompanhante de Selma Santana Alonso" disse logo recebendo o crachá de acompanhante.

A noite foi longa e inquietante na recepção, a tv ligada ficava na reportagem da madrugada o caso de minha tia.

O sol nascia e devia ser por volta de cinco e meia da manhã.

"Mais um caso revoltante de violência doméstica na favela Beraru uma senhora foi esfaqueada e está em estado grave graças ao ciúmes doentiu de seu companheiro que foi preso agora em flagrante nas ruas de Copacabana fugindo da polícia, vejam só " disse a repórter séria anunciando a chamada da reportagem.

Abaixo nas informações que rodavam, dizia do aumento de casos de feminicidio que chegou a 73% nos últimos cinco anos no Estado do Rio de Janeiro o levantamento fora realizado com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).

"Tem algo a dizer senhor Joel para justificar o crime?" Perguntou o repórter enquanto o agressor de minha tia saía do camburão para entrar na delegacia que a pouco tempo estive, ele ainda devia estar lá preso.

"Ela me traiu, mereceu!" disse ele sendo levado.

O repórter suspirou como se cansado "Como viram ele não negou, Joel o acusado, tem várias passagens pela polícia, uma delas por assassinato da ex-esposa a sangue frio por estrangulamento à três anos, na época que morava em São José dos Campos ele fugiu da polícia desde que escapou do presídio em uma rebelião, foi condenado anteriormente a isso, a seis anos por estupro de vulnerável a vítima foi sua enteada do casamento casamento anterior, a menina tinha apenas 15 anos, o acusado foi condenado a seis anos mas saiu antes por bom comportamento, teve outras passagens por roubos na adolescência "

"Ainda me perguntam o porque defendo a pena de morte" disse a repórter andando de um lado para o outro "Como puderam ver que ele se achava no direito de matar a vítima por achar que o tinha traído, isso é o que ele está dizendo mas...e o assassinato de sua esposa anterior e o estupro da adolescente? Bobagem ele fez isso porque é um criminoso! Um assassino frio, um homem ruim! " disse a repórter que apresentava o programa arrumando o terninho azul marinho irritada pegando o bloco de folhas na mesa pedindo para mudar de caso.

Fui chamada pelo médico e caminhei até ele esperando o que diria.

"Senhora Santana, infelizmente sua tia não sobreviveu a cirurgia" disse ele e me sentei absorvendo a notícia "sinto muito" completou balancei a cabeça.

A dor me invadiu e chorei ali por minutos alguém sentou ao meu lado e era uma enfermeira segundo o crachá "Senhora Jordan eu sinto muito ser nesse momento mas a senhora não estava aqui antes quando vim, eu sei que dói mas gostaria de saber se senhora gostaria de fazer a doação de órgãos de sua tia?" disse.

Os olhos orientais da enfermeira eram gentis, ela era magra, baixinha cabelos puxados para o lado num coque perfeito, não me sentia inteira mas a vida de Selma nessa terra tinha sido encerrada de maneira violenta, seria bom pensar que parte dela ainda viveria nessa terra por um tempo em outras pessoas felizes.

"Onde assino?" disse por fim.

Outra papelada faltava ser preenchida sobre o óbito.

Enquanto saia do hospital refleti sobre os custos do velório, funeral, etc... mas lembrei que Selma pagava o plano funerário a mais de dez anos.

Meu bolso vibrou pela ligação.

"Alô?" chamei esperando ser respondida escutando a voz do delegado.

"Jordan como você está e sua tia?" disse ele, meu peito doeu mais do que antes. Foram tantas emoções ruins que me sentia flutuando.

"Ela acaba de morrer, doutor" respondo e a linha fica em silêncio e comecei a pensar que tinha desligado.

"Eu sinto muito Jordan" disse ele. Me perguntei quantas vezes tinha ouvido essa frase "O culpado foi preso" prosseguiu.

"Eu vi a reportagem" disse olhando o céu claro da cidade maravilhosa com nuvens brancas "Ele fez isso antes" prossegui mas ele sabia com certeza.

"O que vai fazer agora?" ele perguntou.

"Tentar descansar e seguir a vida" disse, eu não tinha perspectiva e sinceramente agora não queria fazer nada além de desabar.

"Você pode contar comigo, Jordan" disse o delegado.

"Obrigada, doutor" disse por fim fungando parando no ponto de ônibus.

O vendo dobrar a esquina dei o sinal com a mão.

"Somos amigos agora me chame de Pedro, Jordan" disse o delegado "Me avise quando chegar em casa" pediu.

"Certo... obrigada, Pedro" falei atravessando a catraca após pagar a passagem.

Assim que a ligação acabou olhei pela janela a paisagem repleta de lojas, mercados, bares...

Perto da praça desci subindo o morro de Beraru, o sol no ápice permitia ver o caminho sem dificuldades nos degraus.

Logo passando a alguns metros vi Pardal passando o malote de drogad a alguns meninos que fez sinal para que saíssem pensei em dar meia volta sem paciência para brincadeiras.

Mas ele me viu antes por isso apenas atravessei o outro lado da rua na esperança que não me seguisse.

"Calma aê, princesa!" Chamou quando estava a alguns passos a frente me virei e ele esfregou as mãos unidas Passando a lingua nos labios, o pircieng no canto da boca, pareceu brilhar, a pele morena e corpo musculoso podiam fazer distrair do que ele era, mal "Sinto muito por sua tia, Selminha era uma senhora de respeito meus irmãos vão dar um jeito nele na cadeia com cuidado" disse ele puxando o boné vermelho da cabeça com o mesmo tom da regata que usava os cabelos presos cacheados quase chegavam em seus olhos. Entendi bem o cuidado que dariam, pelo jeito Joel começaria a sofrer o inferno em vida.

Eu não sabia ainda o que sentir sobre isso "Vo indo" disse por fim, Pardal me olhou de cima a baixo de forma escancarada como se fosse a personificação do pecado eu saí sem esperar resposta, ele era óbvio no que queria, não havia boas intenções com ele sem que ganhasse algo.

Haviam poucas que não se dobravam a influência dos cabeças, das mais altas do comando não havia como fugir muito eles queriam e não pediam permissão, era tudo sobre querer e conseguir.

As grandes senhoras mulheres de bandido eu não as invejava nem ferrando.

Olhei para trás Pardal sorria passando um revólver do bolso a outro moleque, ele era peixe pequeno se crescesse eu teria que ir embora rapidamente.

Estava pronta para avisar que tinha chegado em casa quando uma vizinha da frente me esperava do lado de fora. Eu apostava que era para pedir informações.

Dona Carmem. Uma senhora de seus sessenta e poucos anos e a maior fofoqueira da comunidade.

Sentei na escada esperando a senhora que adorava conversar, sinceramente eu não tinha a mínima vontade de ser legal e forçar um sorriso. Carmem fez o mesmo passando as mãos nas costas como um bebê forçando uma intimidade que não tínhamos para conseguir suas respostas.

"Selma morreu mesmo?" disse. Duvidei que não tivesse procurado as notícias.

"Sim e o assassino está detido" respondi querendo já entrar com o incômodo crescendo. Ela estalou os lábios como se lembrasse de algo, e percebi que lá vinha.

"Sua tia me prometeu a geladeira e Tv dela.." foi dizendo.

Levantei rápido ao ponto que se assustasse "Querida me desculpe.."disse ela, certamente pensando que a agrediria. Eu queria confesso com os nervos à flor da pele e Carmem já querendo pegar as coisas dela como um urubu na carniça.

"Dona Carmem meu dia foi corrido então irei descansar outro dia conversamos " falei batendo a porta de minha casa sem esperar resposta mas a escutando praguejar me chamando de menina mal educada.

Mandei mensagem avisando que tinha chegado.

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Comments

Anonymous

Anonymous

Umas frases estranhas, o que quer dizer "voltou como o canto da sereia?)

2023-10-06

1

Ana Paula Delapina

Ana Paula Delapina

xii tô achando que esse cara vai fazer merda com ela

2023-03-27

0

Daiana

Daiana

é bom a Jordan ir embora de lá logo

2023-01-25

2

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