Capítulo 16

...Jordan...

"As provas da minha inocência estão no meu celular" disse ao meu advogado depois que ele falou todo o discurso do que devia dizer.

Eu não sentia mais raiva, ódio, nervosismo nem nada. Bem nada era exatamente o que sentia um vazio, devia ser o próximo passo depois da tristeza sei lá, o advogado que defendia o meu caso era um senhor magro baixinho bem calvo e sem barba que falava apressadamente, seu rosto era super expressivo, com um terno marrom que parecia maior que ele e sua gravata vermelha que pareciam ser de segunda mão.

Sem dinheiro para pagar um advogado aceitei o que o Estado oferecia... ele não deu motivos para desconfiar dele e como estava sem opções dei um voto de fé em Ronaldo.

Ronaldo era o seu nome e estava certa que esqueceria em semanas, ele disse que iria verificar após minha declaração da PROVA saindo apressadamente, eu fui levada para uma cela aguentando as piadinhas de ser peso leve por ser magrela demais. Acabei dormindo na cela até a noite chegar no chão mesmo.

"O que fez?" Perguntou uma das seis detentas que dividia a cela quando acordei. Sentada ainda perto das grades vi Bia  e Rafael passarem pelo corredor para dar a versão deles do fato a menina merecia um prêmio de atuação estando enfaixada nas lesões que causou de propósito Bia ainda fingiu medo se agarrando ao pai que a abraçou apertado em defesa, atrás seguia o delegado eu me perguntei onde estaria Henry provavelmente com Bloon e isso era preocupante de verdade o delegado me olhava com tanta frieza como se fosse um nada.

Realmente estava entorpecida com tudo, mas voltei a ficar com raiva por estar numa cela enquanto Bia andava livre e Bloon certamente atazanando Henry.

Desgraçadas.

Teoricamente eu tinha sido pega em flagrante por tentativa de homicídio com arma branca, mas tinha fé que a situação viraria se fosse paciente.

"Sou inocente" disse desviando o olhar, sem querer dar ibope a Bia por seu plano de me ver na cadeia se concretizar.

"Todas dizem isso" disse com o ar de riso. Eu não perguntei seu nome e ela não perguntou o meu e estava tudo certo no mundo.

A cela foi aberta por um policial e meu advogado estava ali dizendo que era a hora do depoimento "Diga a verdade" disse ele, esquecendo de todo discurso anterior. Ao menos uma alma acreditava em mim, pensei com tristeza " Pelo delegado desse distrito estar envolvido pessoalmente seu caso deveria ser repassado a outra unidade"

"E não foi porque?" Perguntei incerta se teria um tratamento imparcial.

"A justiça não funciona como devia senhorita Jordan, dizem porém que foi um problema administrativo na outra unidade mas aqui garantiram que será tudo mantido longe dos conflitos de interesse " respondeu ele.

"Tô ferrada" disse, sabendo bem como os policiais costumavam se defender entre si.

"Deveria se preocupar caso dlfosse culpada, certamente o delegado já deve ter entendido a situação " disse ele e a porta foi aberta para mim com uma mão pelo policial que me guiava.

"Entendido...é ver o vídeo?" Disse eu a Ronaldo sentando o advogado deu de ombros simpaticamente dizendo:

"Basicamente sim senhorita Jordan "

O detetive do caso entrou.

Horas depois de um interrogatório interminável estava lá eu ouvindo do detetive responsável por meu caso às quatro da manhã:

"A senhora afirma que colocou câmeras para gravar o racismo que sofria por achar que ninguém iria acreditar é isso senhorita Jordan?"

"Isso, senhor" afirmei.

Trouxeram um pendrive com e o vídeo foi liberado para que assistissemos numa TV pequena pendurada na TV as imagens eram claras e estava grata pelo áudio estar decente o bastante para ser usado como prova também.

Se uma imagem valia mais que mil palavras o vídeo valia mais que o depoimento de Bia e Bloon.

Mostrei também as marcas no corpo levantando um pouco a blusa e a manga da camisa.

O detetive suspirou e me passou o documento que detalhava cada fala que dita ali no depoimento para que assinasse ele também me enviou para outra sala onde tirei fotos das lesões.

Voltei algemada para cela.

"Você vai ser liberada ainda hoje" o advogado disse sorrindo confiante, e estava tão  esgotada que não reagi sorrindo nem demonstrando empolgação.

Também não estava muito confiante que seria liberta tão rapidamente quanto alegava.

Porém às 4 da manhã de domingo fui liberada e denunciei o racismo que sofri no período que estava sendo a babá,  às 7 estava no ponto subindo para o morro com meu celular e dignidade intacta, eu era inocente e Bia e Bloon responderiam pelos crimes de agressão, racismo e ameaça.

Elas eram realmente culpadas e mereciam as celas e algemas.

Pensei no que disseram sobre o acidente com a vã escolar... daquilo eu não sabia e estaria colocando os cinco meninos nas orações noturnas.

Cheguei em casa sem problemas era domingo de manhã me fechei em casa e abri as janelas para ventilar e deitei tirando os sapatos percebi novamente que meu corpo doia todo.

Fechei os olhos sem ter sossego olhei no telefone tocando.

O DELEGADO.

Ignorei irritada a chamada que ele se dane-se.

Comecei a derreter o chocolate e me preparar para luta de segunda.

As embalagens de trufas coloridas representavam os sabores diferentes. Lembrei de Henry que adorava todas e quis chorar lembrando de sua voz me chamando quando fui levada a delegacia.

Funguei indo tomar banho, o filho do delegado era realmente a verdadeira vítima de tudo. Me vesti com o pijama surrado e largo e dormi grata por não ser o chão de uma cela.

"Jordan!" disse dona Carmem ao longe me acordando.

Abri a porta encarando a senhora toda arrumada no começo da noite mostrando que dormi a tarde todinha  "Vamos para o bar?"

Neguei sem ânimo.

"Vamos querida é bom para distrair " disse ela e pensei e repensei eu precisava me distrair pedi um minuto para vestir um short jeans clara curto uma regata branca com detalhes de metal  e meu único  tênis quase novo e deixei meus cacho soltos e fazendo uma maquiagem natural.

Olhei no espelho do banheiro, certa de que estava lindo apesar de cansada.

Recebendo um parabéns querida, quase esqueci que a senhora era casada para ficar saindo sem o marido mas não critiquei, cada casal com seus combinados.

E dona Carmem era jovial e gostava de se arrumar e sair ao contrário do marido que era caseiro. Dona Carmem buscou outras jovens nas casas chamando geral para o rolê.

Eu sorri beijando as bochechas no comprimento, umas eu sorri amarelo sem conhecer na cara de pau de chamar de miga, outras eu conhecia de vista ou foram colegas de escola, ou vizinha da rua.

Não importava por ser uma tragédia em marcar os nomes, os sorrisos amarelos funcionavam assim como a falsidade momentânea eu queria espairecer por hora  e apenas curtir esquecendo tudo que vivi horas atrás.

Não importava com quem estava por hora.

O bar era daqueles de esquina onde o povo se reunia e tinha uma banda para tocar ao vivo, musicas populares que amava a propósito.

Tinha um fraco para cervejas boas e as do bar me fizeram felizes.., fiquei dançando sozinha cantando como uma maluca as músicas que conhecia pelo álcool.

A bebida era a malvada mesmo, me lembrava pouco ou quase nada de ter sido levada em casa por dona Carmem rindo de mim horrores por vomitar na rua, eu não deveria ter bebido tanto.. com a ressaca do cão descia o morro de Beraru com a mochila de vendas nas costas.

Ao limpar o suor da testa no sol das nove da manhã sem conseguir vender nada pelo dia da semana e horário, eu me sentia na merda.

"Vou querer tudo" disse uma voz que conhecia bem. Me virei e ele o delegado  estava vestido casual tão lindo como sempre porém eu estava com ódio que causava amargor.

E olha que achei que o ódio tinha morrido... a vontade de chorar tinha ido assim como o entorpecimento anterior.

A diferença era que esse ódio não me cegava e o amargor prevalecia, acho que era decepção o nome desse sentimento, era difícil o identificar porque eu nunca me decepcionei tanto com alguém quanto com o meu querido delegado:

"Não estão a venda para o senhor " disse por fim.

"Eu te devo desculpas, Jordan " afirmou guardei as coisas. Olhando por cima dos ombros quando fechava a mochila, ele não foi ruim como Bia ou Bloon.

Pedro realmente não sabia de nada porém ele não acreditou em mim, por isso a dor "Sim você deve" afirmei o óbvio colocando a mochila nos ombros sem querer vender naquele ponto mais,  para não nos encontrarmos nem por acidente.

"Me desculpe" o delegado disse e seu rosto parecia cansado e estava  abalado, nunca tive costume de chutar quem estava caído arrumei minha bolsa dizendo:

"Tá certo...o senhor foi lógico"

Sai andando sem um adeus sendo seguida desviei quando tentou me tocar pelo braço. E o olhei.

"Jordan me deixe compensar" disse ele olhei para o céu e cruzei os braços "Eu errei fazendo um pré julgamento sim, eu fiz mas eu te ajudei antes " lembrou o delegado e não pude negar mas fiquei pistola.

"Eu também o ajudei!" rebati.

"Você só me fez bem assim como Henry" disse pontuando.

"E mesmo assim o senhor nem me ouviu!" Quase gritei.

"Eu confiava a anos naquela família Jordan, anos!" O delegado disse alto e algumas pessoas nos olharam ele tentou se acalmar baixando a voz" Eu não ouvi você e nem meu filho..sinto muito"

Meu coração pesou quando lembrei de Henry meus olhos lacrimejaram " Henry está bem?"

Ele fez que sim "dentro do carro" respondeu apontando para trás. Rafael estava com ele, apenas ele me mostrando que o senhor não tinha perdido emprego.

Era o justo provavelmente a se fazer.

"Volte por ele" disse o delegado.

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Comments

Jossileide cardeal

Jossileide cardeal

confiava tanto que nem quis ouvir 👂 o que a jorda. tinha a falar seu otario

2024-12-06

2

Jessica Araujo

Jessica Araujo

e afaca tava la era so ter feito a pericia coloca camera na casa

2023-08-25

4

Elisabete Polete Alves

Elisabete Polete Alves

podia tbm colocar os pensamentos dele sobre ela

2023-03-19

1

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