Jordan
"Duas trufas de chocolate e um cone dois amores" disse a cliente na praça.
Dei a nota de cinco de troco e sorri para a moça agradecendo.
Suspirei e sentei, o sol escaldante do meio dia era cruel. Tinha sobrado apenas dois cones floresta negra.
Fora um bom dia em geral, trabalhar era melhor que ficar em casa no momento em algumas horas seria o velório, onde conhecidos e amigos viriam.
"Oi, Jordan " disse uma voz infantil que reconheci de rapidinho.
Olhei para trás a tempo de o ver correndo, o pequeno Henry sentou ao meu lado capturando a caixa de isopor nas mãos e pegando os dois cones "Só esses sobraram?" perguntou.
Ri alto, somente aquele moleque para me fazer rir aquele dia "Oi Henry, cadê sua babá?"
Ele abria o doce e me olhou e apontou para trás onde o delegado o encarava a cena incrédulo com os braços cruzados a carranca era visível mesmo com os óculos de sol.
Henry usava o uniforme da escola e o pai bermuda tênis e uma camiseta em gola em V com uma estampa de fênix desbotada e tênis de couro branco o olhando sem o uniforme em sua estrutura magra porém forte percebi que continuava quente como o sol estávamos.
Desviei os olhos esperando que não percebesse minha inspeção.
Henry não parecia dar a mínima para reprovação aparente do pai, o garoto era safo o bastante para não se encrencas muito pensei com pena do delegado.
"Henry!" Chamou o delegado e o menino o encarou com a boca cheia e guardando o outro cone na bolsa.
Os olhos estavam abertos e expressivos "Hum?" Saiu. Pequei um guardado que tinha e dei a ele que limpou a boca "Que foi?"
Que menino fofo senhor!
Seu pai balançou a cabeça e me olhou "Me desculpa Jordan" disse e se virou para o garoto " Você cumprimenta primeiro as pessoas ao encontra-las, filho" respondeu claramente irritado sendo interrompido pelo menino revoltado.
"Mas eu disse oi Jordan! Não disse Jordan?" disse o menino com o rosto franzido ficando igual ao pai, eu quis rir dos dois, mesmo que o maladrinho tivesse me jogando no fogo para evitar o castigo.
"Mas... não pediu o doce Henry" disse o pai.
Henry fez bico e se virou para mim "Desculpa, Jordan" falou.
"Tá tranquilo, moleque pode ficar com eles" disse e ele sorriu pisquei de volta.
"Papai disse que você me levaria para escola" disse ele levantando e seu pai balançou a cabeça frustrado o encarei surpresa esperando o que diria.
"Eu ia pedir filho, pois quero conversar Jordan" respondeu o garoto deu de ombros. Levantei cruzando os braços frente ao delegado ficando ainda menor que ele, o cheiro dele era amadeirado e intenso, minha boca secou mas tossi limpando a garganta recordando que não podia. Olhei para Henry enquanto os acompanhava até o carro em passos lentos onde tinha nos planos me despedir.
"O velório de Selma é hoje" disse depois que ele tinha fechado a porta para o filho.
"Posso ir?" Perguntou.
Concordei com a cabeça. Aquele homem tentou salvar a vida de Selma mesmo sem a conhecer e ainda tentava buscar justiça por sua morte, com certeza minha tia iria o querer lá " Será em algumas horas" avisei, ele concordou avisando que teria que se trocar.
Balancei a cabeça, dizendo que não achava necessário eu mesma iria assim de shorts e regata. Poucas pessoas iriam, fora que Selma odiava cerimônias e me fez jurar em vida que nunca seríamos formais em nenhum dos seus eventos de casamento a velório, era triste que fosse assim cumprir seu desejo.
Ele fez cara de confusão provavelmente me achando desrespeitosa "Selma disse que no enterro dela queria que estivéssemos roupas do dia-a-dia, pois era apenas o ciclo dela chegando ao fim, era temporário por isso não queria formalidades de luto nas roupas, ela queria cores, para representar o início de outro ciclo agora eterno, eu sei é confuso e estranho mas era o desejo dela... " disse constrangida com o silêncio.
Ele retirou os óculos e o guardou no bolso com a expressão serena " Acho lindo que queira cumprir o desejo dela" disse abrindo a porta do passageiro já que Henry estava no banquinho.
Respirei aliviada Henry chutou o banco virei a cabeça depois de colocar o sinto seu pai ainda não tinha entrado.
"Que foi?" perguntei.
Seu pai entrou o olhando desconfiado.
"Você vem pro me aniversário?" disse ele.
Achei fofo mesmo sabendo que era por causa do chocolate, puro interesse. Minha demora tirou o brilho um pouco do seu olhar.
"Claro seu pai já me convidou para passar lá" avisei, ao menos levaria os doces e o veria.
O carro ligou e sai do carro acenando o vendo entrar no colégio em fila com os coleguinhas.
Recebi olhares que conhecia bem das mulheres ali e me senti desconfortável mesmo com o delegado ao meu lado. Eu não me sentia dali.
Como uma intrusa no ninho. Ele estacionou perto da praia no estacionamento, caminhamos pela faixa de areia onde ele comprou um picolé para mim e para ele, deixei a bolsa no chão e olhei a imensidão azul , que nunca me cansava e senti a brisa bater no rosto.
Gostava até do cheiro do mar ao contrário de alguns.
"A babá antiga está aonde?" Perguntei do nada chupando o picolé enquando ele mordia e olhava o horizonte e me sentei ele fez o mesmo.
"Bom denunciei por abandono de incapaz... e a demiti" disse ele " o caso está sendo averiguado em outro distrito pelo conflito de interesses"
"Porque ela fez isso, não que justifique mas.." disse atrapalhada e parte do picolé sujou meu rosto um sorriso de canto surgiu no delegado. Meu coração disparou um pouco procurei na bolsa o restante dos guardanapos.
"Henry encheu o quarto dela com sapos" disse o delegado enquanto limpava meu pescoço e busto onde tinha escorrido. Seu olhar desceu onde limpava distraído.
Estava calor hein?
"Faltou aqui" apontou para meu rosto.
Movi o guardanapo errando umas três vezes antes dele pegar o guardanapo e limpar o canto da minha bochecha. O toque firme fez minha pele formigar e de novo me senti tentada por seus lábios. Eu bebi água para dar um alívio e limpar o gosto do picole e ofereci a metade da água para ele que aceitou e sorriu em agradecimento.
"Iria falar coitada mas o que ela fez não justifica " disse, prendendo os cabelos no alto.
" Não justifica, mas Henry fez a vida de todas as babás um inferno " disse o delegado suspirando.
Ri um pouco de desespero "Ele é só um moleque levado" disse e ele balançou rindo.
"Gostaria de ser a babá dele Jordan?" Perguntou agora sério.
"O senhor mal me conhece" foi minha primeira fala.
"Tempo não garante muito" disse ele, suspirei duvidava que o salário seria ruim com o delegado que até ali tinha sido bondoso e gentil como ninguém antes.
Era uma grande oportunidade.
"Aceito mas tenho que resolver as coisas em casa hoje" eu disse lembrando da minha situação atribulada.
"Amanhã ainda estarei de folga posso te buscar se quiser " avisou, o olhei e suspirei.
"Podemos marcar um ponto de encontro" disse cedendo, percebendo o padrão em ceder para aquele homem e seu filho, oh vida, olhei as horas no celular " surpresa que a hora tinha avançado tanto " Está na hora de irmos" disse levantando e batendo a areia ele fez o mesmo.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Jessica Araujo
estou amando
2023-08-24
4