...Jordan ...
Estávamos na praia naquela manhã jogando bola, o sol forte tinha decidido sair no sábado por sorte do destino.
A praia nem tão vazia, por ser sábado tinha uma boa concentração de pessoas, sendo no geral a típica família brasileira, o que em nada me perturbava estar sozinha numa praia era assustador em minha opinião era difícil imaginar que seria divertido estar sozinho a menos que quisesse um momento de reflexão, e as nove da manhã estar sozinho numa manhã de sábado ensolarado no Rio era impossível, até mesmo a água parecia calma e mais azul do que o costume.
Tinha vestido Henry com uma sunguinha azul marinho e me vesti um biquíni simples listrado preto e branco.
O calor estava de matar e o mar geladinho calmo, a decisão de sair para praia nunca pareceu tão perfeita por hora Henry não faria as aulas de natação como de costume na rotina pois ele mal queria sair de casa, quase tive que o arrastar para fora do apartamento prometendo sorvete e doces.
E com relutância, MUITA relutância veio. Ele mal sabia do acidente com o ônibus escolher e bem verdade era que nem conseguia imaginar como reagiria ao saber sobre...
O delegado como devia saber alguma forma de falar sobre a situação com tato, por trabalhar justamente com pessoas. Okay, poderia ser o oposto por ser seu filho e estar emocionalmente envolvido porém ninguém podia fazer isso melhor que ele sendo o pai.
Henry chutou a bola chutando a areia quase caindo para trás mas a queda o fez rir e logo levantou tentando chutar a bola de novo e foi longe o suficiente para ir perto da água.
Ele cobriu a boca rindo, fingi ficar brava colocando as mãos na cintura.
"Fingi mal Jordan!" Gritou correndo até mim. O peguei pela mão e caminhei até a bola a tirando da água.
"OLHA O SORVETE! OH SORVETINHO.." o vendedor chamava e os olhinhos pidões de Henry saltaram.
Revirei os olhos.
"Certo sorvete, promessa é divida " disse revirando os olhos.
Ele pegou o sorvete de chocolate e escolhi beijinho, paguei apesar do vendedor jogar aquele papo que moças bonitas não pagavam mas também não levavam e sentamos na toalha estendida no chão.
"Tá gostoso" disse com a boca lambuzada. Concordei olhando o mar nem tão calmo o vento vinha numa brisa que começava a virar vento, a previsão dizia que o tempo viraria amanhã para chuvas intensas.
"Jordan por quê você tem essas marcas?" perguntou apontando para as laterais do meu corpo e meu braço. Eu não sentia dor porém ficaram os hematomas curando em marcas já verdes que demoravam a desaparecer.
Suspirei e menti como sempre: "A tia vive caindo" falei, ele aceitou com facilidade acreditando nas palavras ditas e foi pegar os seus baldinhos de areia da bolsa desistindo do futebol, decidindo fazer um castelo enfeitado com conchas e pedrinhas sem querer minha ajuda falando "Deixa eu faço " reclamando emburrado a cada palpite que dava o provocando.
Achei fofo demais sua birra por querer independência varias conchas fizeram o telhado do castelinho e ele colocava o a bandeirinha nele quando apontou para trás.
"Papai tá vindo" disse batendo as palminhas limpando a areia excessiva, acabei por olhar na mesma direção apontada achando que estava enganado, difícil acreditar que o delegado viria a praia com reles mortais como nós, não combinava no cenário montado no meu cérebro.
O delegado vinha em toda sua imponência de sunga. Ganhando olhares das garotas e das senhoras da praia. Causando calor nelas obviamente, e em mim.
Como estava enganada, oh o delegado combinava sim com a praia.. combinava com que quisesse.
Caramba já imaginava que fosse um gato debaixo dos ternos só não imaginava que o veria como era debaixo deles, minha imaginação não fazia jus ao que via, seu corpo sarado e bem torneado de forma que parecia não exagerada em nenhuma área.
O delegado era nada menos que perfeito para meus sonhos quentes como aquele dia.
Lembrei do beijo que compartilhamos a sensação de como me senti no meio do fogo e de uma corrente elétrica prazerosa, voltou a memória de forma saudosa e necessitada como uma droga. Apertei as pernas juntas sentindo um leve desconforto nas áreas baixas quando ele sorriu nos achando e tive que lembrar de respirar, eu ainda estava irritada com ele.
Muito irritada.
Mas faça me cérebro pensar olhando aquilo... não rolava o homem era sexy!
Olhei para a cena dele pegando o filho com carinho e o beijando.
Sexy e fofo. Eu escutava o suspiro das tias observadoras de plantão que compunham a típica família brasileira.
E Era tão compreensível a situação que mal podia culpa-las por seca-lo com os olhos. Coloquei óculos escuros que tive comprado de um camelô na rua para evitar que percebesse caso fizesse o mesmo inconscientemente, podia admitir que era fraca para ele e poupando minha vergonha já que passava muito tempo com ele e não pontualmente como as senhoras dali me preservei.
Isso! Não tinha nada de errado em me preservar certo? Eu estava chateada e lembrando do beijo antes de estar chateada ao lado de alguém que nunca me pareceu tão sexy mas era meu patrão!
Coloquei os óculos não me deixando ficar na histeria por esses pensamentos, foque! Foque você é uma babá... uma babá incrível e forte porém uma babá! repeti o mantra e relaxei.
Ele sentou na toalha com Henry no colo, verdade seja dita pelo que constatei antes o delegado já era um pai exemplar porém com os últimos acontecimentos estava no olhar, nas falas, no tratar... O receio de algo acontecer com o filho.
Quero dizer mais coisas ruins acontecerem.
Pedro Cabrinni era o tipo de pai que perderia tudo pelo filho, por amor. As lágrimas quiseram vir por emoção em ver isso como boa chorona que o trabalho de babá estava me transformando.
Estava aprendendo muito com o menino e com o delegado por mais que tivesse altos e vivendo os baixos com o delegado, como na vida toda trajetória e válida e deve ser levada para aprendizado...
Estava sofrendo porém aprendendo...
Aprendi a amar mais... aprendi a me dedicar mais.... aprendi a me valorizar mais... a ser mais corajosa...
Apesar de tudo o que aconteceu o crédito a aquela família de jeito nenhum poderia ser desmerecido.
"O vendedor ficou querendo namorar a Jordan " Henry disse num dado momento, ao contar o seu dia para o pai. Virei tão rápido a cabeça que o mundo pareceu girar me dando torci colo.
Pensei em rebater, o menino mentiroso!
O delegado virou o rosto para mim ele ainda parecia alegre seus olhos vagaram por mim por segundos que pareceram horas para mim e me senti sem o biquíni mas duvidava que sua intensão fosse me constranger. Seus olhos pareceram mais escuros que habitual "Jordan é linda e incrível, quem não ia querer namorar com ela filho?" Perguntou desviando o olhar para Henry finalmente.
Ainda bem estava sentada, minhas pernas estavam bambas e meu coração disparado como se fosse enfartar.
A frase me abalou mais do que deveria, talvez fosse o contato visual durante a frase que me fez surtar, eu estava criando teorias demais por me sentir atraída irrevogavelmente.
"Jordan é minha babá ela não pode namorar, se não ela vai me largar papai!" disse com cara de choro levantando.
E todo o encanto foi quebrado era como a rachadura num espelho perfeito... não melhor dizendo era um espelho que parecia ser perfeito porém tinha rachadura que foi coberta por um disfarce.
E era bom arrancar o disfarce e realmente consertar a rachadura.
O problema de ser abandonado me veio a mente o delegado tinha o rosto chocado pela explosão do filho repentina que era dócil e manso nas falas.
Claro que Henry uma hora teria uma reação ao que viveu... só não imaginava que fosse ser ali na praia lotada ao meio dia diante dos meus olhos tão rápido.
"Oh.. amor não vou te largar não " prometi o pegando no colo, ele começou a chorar no meu colo olhei o delegado que levantou com o rosto preocupado o choque pareceu ter saído.
Ao redor as pessoas olhavam. Sentindo que estava na hora de ir, o delegado começou a recolher nossas coisas.
Uma gota de chuva caiu na teta de Henry se misturando com seu choro compulsivo. A diferença era que a lágrima do Henry era quente a chuva era fria.
Ele se acalmou no apartamento trazendo os brinquedos para sala. O delegado tinha o celular vibrando mas ignorou em favor de estar com o filho naquele momento.
Saí de cena os deixando.
Fui preparar o almoço, o tempo estava muito corrido pois a cozinheira e faxineira não tinham sido escolhidas ainda, e sinceramente se fosse eu o delegado teria mais cuidado em escolher, e estava certa que ele teria esse cuidado ainda mais.
Era caro o preço da negligência, era seu filho que estava colhendo os frutos dos anos trabalhados de Bia e Bloon com eles.
Nem sabia a quanto tempo os maltratos aconteciam nem como funcionavam.
Bem verdade era que nem tinha buscado saber se o delegado tinha denunciado o ocorrido.
Provavelmente sim.
Henry fungava brincando respirando melhor depois da crise na praia chegava até ser ingênuo ter acreditado que com a cadeia tudo ficaria bem...
Eu acreditei que sim confesso, eu torci para que sim.
Mas como era de esperar errei, não era assim na vida, o espelho estava rachado, e precisava ser concertado e nunca seria como antes pois as consequências ficavam... traumas ficavam.
Cortei carne e legumes decidindo fazer carne de panela e suspirei triste.
Eu não reclamaria de cozinhar para que pessoas confiáveis de verdade fossem escolhidas para ficarem trabalhando na casa a partir dali.
Fiz pavê com as trufas restante e já imaginava a cara de felicidade de Henry.
Eu desejei que sorrisse outra vez.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 60
Comments
Iasmin Lima
Como tu confia nisso mulher
2023-09-12
4
marlene cardoso dos santos
Muito bom continue assim
2023-02-04
1