...Jordan...
"JORDAN!" disse um grito infantil atrás de mim quando continuava sendo apresentada a família de trabalhadores da casa pelo delegado. Me virei vendo o pequeno Henry coçando os olhos na porta entre a cozinha e sala.
Ele sorriu me abraçando.
"Bom dia" disse me ajoelhando em sua altura.
"Você fica hoje?" Perguntou ignorando o bom dia.
"Henry diga bom dia primeiro" exigiu o delegado parecendo irritado, o olhei como Henry que parecia pouco preocupado com a repreensão do pai e conhecendo o delegado a pouco tempo podia dizer o mesmo que não parecia muito irritado e sim frustrado de qualquer jeito eu não ligava muito pela falta de boas maneiras de Henry que era um bom menino travesso, mas eu não podia me meter na autoridade paternal alheia.
"Bom dia, Jordan" resmungou, olhando para o pai que pediu a Bia que preparasse seu café.
"Veem vamos conhecer meu quarto, Jordan" disse Henry me puxando.
"Henry!" Gritou o pai e o menino revirou os olhos.
"Por favor Jordan venha conhecer meu quarto?" disse o menino que olhava o delegado com impaciência, os dois eram idênticos nas expressões.
"Estou explicando a sua rotina a ela filho depois antes de Jordan ir ela vai brincar com você okay" falou seu pai.
"Mas e os doces?" disse todo preocupado, a veia latejando na testa do delegado indicava sua irritação.
Achei melhor dizer algo antes que Henry ganhasse um castigo.
"Eu prometo que terá seus doces pequeno" disse e ele me olhou e estreitou os olhos antes de erguer a mão com o dedo mindinho estendido.
"Jura de mindinho?" Perguntou estendi a mão e o dedo mindinho.
"Juro de mindinho" prometi.
"Vai escovar os dentes e tomar café quando terminar de falar com Jordan eu a libero " disse o delegado se dando por vencido. O menino riu.
Se inclinando para mim quando seu pai foi falar com Bia sobre sua liberação mais cedo aquela tarde.
"Você pode adiantar agora o almoço e deixar que depois esquentamos" pediu o delegado com as mãos nos bolsos olhou para o casal "Bloon e Rafael vocês também estão liberados por hoje eu não vou sair de casa e a casa já está limpa" disse.
"Certo senhor Cabrinni" disse Rafael. Bia me olhou de forma estranha depois da fala do delegado mas pareceu desaparecer no segundo seguinte. Está com abobrinhas na cabeça Jordan! a minha mente acusou.
"Vai ser muito divertido hoje " sussurrou Henry na minha orelha sorri levantando e ele foi correndo pela casa gritando:
"Pai vou escovar os dentes!"
Respirando profundamente o delegado me mostrou os cômodos da casa como Henry iria para a escola ele me mostrou passo a passo da sua rotina anotando numa folha os horários de estudo das lições extracurriculares. Descobri que aos finais de semana o menino fazia natação e ia estudar inglês e matemática numa escolar no centro levado pelo motorista e nas aulas de natação a babá anterior o acompanhava quando o pai não podia.
Tudo era controlado na rotina havia hora de comer, estudar, assistir, mexer no celular, estudar de novo, dormir, lanchar. Tinha um cronograma detalhado da semana grudado na geladeira fazendo impossível se perder.
"Entendi" disse o delegado saiu por um momento para procurar as chaves reservas da casa, pensei até em recusar mas estava certa que perderia a discussão no final.
"Escute garota se você tropeçar eu farei de sua vida um inferno, talvez faça mesmo que não tropesse" disse uma voz feminina olhei para identificando Bia como a responsável ela picava os legumes na bancada de mármore bege na pia com uma longa faça cortando com precisão os legumes. Vagamente recordava que durante a apresentação dela com seus pais que o delegado citou que Bia fora premiada com uma bolsa de gastronomia numa faculdade particular sendo o orgulho dos pais após se formar e por ser filha única. A jovem muito bonita com cabelos vermelhos e olhos grandes e expressivos como de uma boneca não pareceu angelical quando me ameaçava desse jeito, por pelo jeito ter ciúmes do delegado.
"Não quero problemas" disse eu sem querer lidar com uma maluca eu só queria o emprego não problemas.
"Então fique longe de forma romântica de Pedro" avisou ela, confirmando o que desconfiava.
Pobre delegado tinha uma cobra dentro de casa. Não era inteligente discutir quando alguém tinha mais tempo de casa do que eu e quando sua família era considerada muito importante para seu chefe.
"Tenho namorado " menti e ela parou de cortar os legumes e me olhou desconfiada depois balançou a cabeça e voltou a cortar.
"É melhor assim, ficar com alguém da sua laia assim você não se decepciona. Pedro é muito para uma morta de fome preta favelada " disse ela.
E as palavras me doeram eu desejei dar um tapa na cara da garota.
Racismo e preconceito doíam como o inferno. Quase a mandei para P-U-T-A- Q-U-E- A- P-A-R-I-U. Mas o delegado surgiu antes e tive que bancar a plena, Bia a desgraça cantarolava a música Haleluia do grupo Pentatonix.
O todo poderoso com toda certeza não a permitiria entrar no Reino do céus com esse preconceito Ele não fazia acepção de pessoas, ele era amor...
"Chefinho vou deixar tudo preparado para noite também" disse docemente sorrindo os dentes alinhados e rosto sedutor Pedro olhava o celular e balançou a cabeça.
"Não precisa a noite vou pedir pizza " disse ele " Jordan pode me acompanhar ao mercado? eu não sei o que preciso comprar" perguntou continuando e já explicando e fiquei aliviada de sair da cozinha seguindo o delegado ao quarto de Henry " E será bom Henry sair um pouco ele tem ficado muito dentro de casa" avisou guardando o telefone.
Henry pegava a bola de futebol " A gente passa no parque na volta do mercado depois a gente faz os doces" explicou o menino quando cruzei os braços e ergui as sobrancelhas perguntando silenciosamente.
Claro que de zoeira era minha cara. O menino saiu pela tangente dando de ombros sorri de volta.
Foi um alívio escutar da Bia que não estaria quando voltassemos pois teria terminado de fazer o almoço.
Esperei com Henry apertando o botão de subir o elevador enquanto seu pai trancava a porta.
O caminho foi tranquilo o clima bonito e clareando mais no mercado a marca dos cones de sorvete e chocolate foram minha prioridade os olhos de Henry quase brilharam com o saco de um quilo de chocolate ao leite fracionado, depois o creme de leite, leite condensado, etc... foram escolhidos.
Ajudei a ensacar os ingredientes enquanto o delegado pagava no cartão. Ele levou as sacolas sem reclamar.
A preocupação de seu filho era se seriam doces o suficiente para todos.
"Para um batalhão" prometi exagerando e ele arregalou os olhos perguntando se era sério. Na minha cabeça um batalhão de um homem só pequeno, por isso disse que sim confirmando a pequena mentira antes que o menino tentasse nos convencer a voltar e comprar mais ingredientes.
Seu pai pegou a pequena mentira dando uma risada rouca e sorriso de lado e me peguei suspirando.
Paramos no parque como combinados e já estávamos a quase duas horas longe do apartamento.
Eu fui a goleira do gol improvisado entre duas árvores enquanto pai e filho corriam atrás da bola claro que permiti a entrada de todas as bolas de Henry e nenhuma do delegado. Eu era fera no futebol de rua meu amor, para completa surpresa dele.
O suor escorria na cabeça de Henry pelo esforço e estava certa que precisaria de outro banho antes do almoço e como se pensasse o mesmo o delegado sugeriu que voltassemos para tristeza de Henry.
"Mas já?" reclamou batendo na calça repleta de folhas e grama.
Seu pai balançou seus cabelos e o levou nos ombros e as reclamações cessaram.
No apartamento comemos lasanha com arroz carreteiro, com suco natural de abacaxi, tive que admitir que Bia era uma cozinheira de mão cheia.
Comemos na ilha da cozinha que era toda em mármore e porcelanato branco e cinca com a pegada mais industrial na decoração com o extremo do luxo e pensei nas palavras da jovem cozinheira éramos mesmo de mundos diferentes. A menina podia ser um preconceituosa de merda mas não mentira quando falava das diferenças óbvias.
Fui despertada quando o delegado pegou meu prato que já tinha terminado e se pôs a lavar a louça.
Estava determinada ao ajudar a pelo menos secar a louça quando ele negou dizendo que podíamos começar a fazer os doces.
Com podíamos ele quis dizer eu fazer e receber o apoio moral do seu filho.
Henry se empoleirou na bancada contando os pedaços de chocolate que não usariamos na receita, ele contava e comia até que seu pai guardou o saco de chocolate na geladeira para sua tristeza fingida.
E o pobre querido delegado passou a me ajudar mexendo no recheio para que não grudasse enquanto preparava as cascas para as banhar.
Doze cones foram feitos do sabor dois amores.
Limpei a testa satistei com o resultado de cones lindos crocantes.
E na primeira mordida Henry já avisou sendo o primeiro a experimentar que estavam muito gostosos.
"Trabalho em equipe" disse. Um pouco nervosa esperando a reação do delegado em comer.
Ele mordeu e fechou os olhos apreciando " Bom.." disse e gemeu em prazer.
Por imaginar demais caminhei até a janela mais próxima e a abri o máximo que pude.
"Porque abriu a janela?" Henry perguntou.
"Calor" respondi apenas.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Jossileide cardeal
calor que subiu pelas pernas 🦵
2024-12-04
2
Marina Lopes
tomara que tenha câmera na cozinha para delegado ver ,que feio ser racista quem ela pensa que é,e tao boa que deixa os pais trabalhar de empregados
2022-11-21
8