Capitulo 6

Tia Selma era além de uma mulher com dedo podre, ela amava trabalhar no salão de beleza fazendo unhas, cozinheira talentosa, ela gostava de dançar samba, gostava de sair com as amigas era uma perita e fofoca e exalava vida, tudo isso ia além da reportagem lançada que tinha visto focada exclusivamente em sua morte, eu sei que era uma reportagem simples de um caso comum e mostrava um problema grave no Brasil a violência contra a mulher eu sei... não era um documentário da vida dela Jordan, podem dizer e sim concordo, eu sei... só  não  parece justo o Brasil conhecer sua história de fim apenas isso era pesado e triste demais.

"Ela era amada" a voz do delegado disse ao meu lado olhando ao redor das pessoas que ainda  chegavam quando o pastor falava o discurso antes de baixarem o caixão.

O discurso falava do fim não ser fim pois uma eternidade nos esperava além da vida onde não haveria mais dor nem tristeza..

Olhei ao redor reconhecendo os rostos das pessoas que faziam parte da nossa rotina no morro, as cores imperavam como o desejo de Selma . Eram todos amigos, naquele ambiente com o verde túmulos e estátuas de anjos de pedra escondendo o rosto.

"Ela era o tipo que no primeiro encontro você já se apegava" disse eu. O delegado se voltou para frente terminando de ouvir a pregação. As pessoas foram jogando as rosas nas últimas condolências.

Eu não comprei rosas incerta se ela teria gostado disso pois nunca gostou de flores por necessitarem de muitos cuidados.

"Vamos?" Chamei o delegado quando a terra começou a ser jogada, o surpreendendo eu tinha razões que incluiam sair rapidamente dali sem querer ouvir meus pêsames ou encontrar Carmem ou aproveitadores semelhantes sem simancol.

De longe vi Carmem indo para o lado oposto aproveitando que conversava com outro grupo de pessoas sendo o centro de atenção deles, puxei o delegado pela mão saindo dali. Brevemente vi Pardal e alguns dos seus parças chegando distraídos, vestidos normalmente sem fuzis e outras armas aparentes, e eles pareceram cidadãos de bem a pessoas que desconheciam a sua história de vida e ficha criminal.

Respirei aliviada quando entramos no carro.

"Você está bem?" a voz compreensiva do delegado disse após minutos em frente parados onde já  devia ter saído.

Virei o rosto encontrando me olhando preocupado, respirei fundo, tendo certeza que o devia sinceridade.

"Vou ficar" disse segurando a maçaneta, precisaria de tempo para curar tinha como certo. Ele pareceu querer falar algo mas interrompi, eu não queria pena de jeito nenhum "Amanhã de manhã  aqui?" Perguntei e ele balançou a cabeça concordando reforçando:

"Sim amanhã de manhã aqui" disse ele sai do carro dizendo até logo.

Subindo o morro Beraru estive pensativa escutava a música nos bares subindo, as pessoas sorridentes na sua rotina comprimentei os conhecidos de vista com sorriso e acenei sem querer um papo profundo quando ainda absorvia o acontecido.

Em casa peguei os utensílios que precisaria para limpeza e o que precisaria para passar a noite e fui para a casa que fora de minha tia e acabei herdando de maneira horrível.

A polícia já tinha vindo a fita amarela ainda envolvia a casa e teve que ser retirada.

As manchas no chão trouxeram a memória o ocorrido, e respirei fundo evitando o choro e náusea como podia. Tinha que seguir em frente. O cheiro metálico do sangue havia diminuído. Joguei água na casa não querendo que sobrasse mancha ou cheiro algum do ocorrido.

Retirei os tapetes da sala e o da cozinha, as cortinas que tinham também algumas manchas de sangue enrolei os tapetes e dobrei as cortinas. Não os querendo apesar do bom estado, daria a quem quisesse e precisasse.

Esfregei as paredes e móveis e armários, janelas  gastando as horas que tinha para manter a mente ocupada.

No quarto quando vi as roupas quase desabei em outra crise de choro mas me recompuz. Eu teria que doar, Selma tinha a estrutura um pouco maior  e um estilo de senhora com vestidos alegres e coloridos. Separei roupas e sapatos e os deixei perto da porta para facilitar para doação.

Se Carmem quisesse a geladeira e Tv que viesse pegar, mesmo que duvidasse que minha tia tivesse isso em mente, que levasse Carmem, eram apenas bens materiais.

A cozinha dela era mobiliada, muito bem pelo capricho de Selma na casa, os tapetes tinham tricôs coloridos em todos os cantos, se Carmem quisesse levar armários, os eletrodoméstico que usava para suas receitas, a mesa de vidro com as cadeiras eu não dava a mínima  sinceramente.

Estava a noite quando terminei, olhando a casa que cresci limpa tive a sensação que tinha preparado a casa para entrada da dona mas.. isso não ocorreria e precisava que aceitar isso por mais que doesse e Senhor como machucava!

Troquei as roupas de cama e enquanto me preparava para o banho, a origem da agua vinha da caixa que tinha também que ser enchida manualmente semanalmente.

Escutei o telefone vibrar.

Atendi no terceiro toque.

"Jordan você vai ser minha babá?" disse a voz infantil de Henry Cabrinni me causando um sorriso involuntário sentei na cama de casal, que era a única mobília do quarto fora o guarda roupa. 

"Provavelmente " disse eu me deixando cair na cama olhando o teto de telha as vigas aparentes com a lâmpada pendendo no ar.

"Pode me trazer um doce?" perguntou olhei o horário na tela, suspirei. Corri tanto com a limpeza que fazer os doces era inviável não ficaria pronto até amanhã.

"Eu teria que ter começado mais cedo.." disse e ele murmurou humm, e foi dizer algo a alguém ao ponto que escutei um já volto e passos de corrida  infantis fechei os olhos certa que aprontaria por isso esperei.

"Papai disse que você vai poder fazer aqui os doces" disse animado. Poderia imaginar o sorriso do garoto ao dizer isso. Duvidava com todas as forças que o garoto quisesse ajudar a cozinhar.

"Certo amanhã cozinhamos" eu disse o escutando bocejar.

"Jordan estou com sono " disse ele.

"Vai dormir menino" disse rindo.

O escutando rir o escutei dizer:

"Boa noite, Jordan " disse ele de volta antes de desligar.

Me movi para o banheiro e quando voltei para o quarto o sono logo veio.

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Comments

Terezinha De Jesus Carvalho Ponce

Terezinha De Jesus Carvalho Ponce

Estou adorando a história. Parabéns muito boa história.

2024-04-28

3

marlene cardoso dos santos

marlene cardoso dos santos

Muito bom parabéns

2023-01-20

4

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