Capítulo 13

...Jordan...

Caminhei pela praia pensando olhando o mar.

Eu não estava engolindo aquelas mulheres. Logo que saíssem buscaria o contato das antigas babás para entender o que aconteceu... claro isso se conseguisse falar com elas.

Aquela família era estranha e traiçoeira, pelo menos até onde os tinha conhecido, no começo tive a inocente esperança de Bia ser ruim escondido de todos mas não, pelo jeito a mãe incentivava a ser ruim... aquele ditado que dizia filha de cobra cobrinha é nunca pareceu tão verdade.

Filhote de víbora, cascavel, peconhenta, jararaca...eu podia xingar o dia inteiro se quisesse, como disse se eu quisesse mas de jeito e maneira nenhuma iria perder muitas horas falando do que não prestava.

Eu podia até investigar o que aconteceu com as meninas antes de mim, para saber onde pisava mas, ficar xingando cobra-mãe e cobra-filha.

Nem ferrando.

Por volta das catorze o delegado me ligou avisando da prisão do tal Bola agradeci aliviada.

Um problema a menos, na verdade um grande problema a menos.

Quando voltei para a casa por volta das catorze  e meia elas já tinham ido. Procurei nos armários alguma agenda com os números das babás e com tantas pastas e papéis aleatórias trouxe mais confusão do que solução.

Impossível achar ali eu mal entendia o significado daqueles arquivos, apenas que não eram agendas.

Grande merda.

Desisti de procurar daquela maneira devolvendo tudo aos devidos lugares, quando o telefone tocou, atendi rápido imaginando ser importante.

A voz de Gislaine falou aflita do outro lado da linha esperei ansiosa:

" Oi Jordan, você pode falar agora?"

"Claro Gi" respondi levantando batendo nas roupas pelo pouco pó nos papéis antigos que em nada me ajudaram.

"Deu BO nega! O Bola foi pego pela polícia" disse ela brava com algo que o mesmo merecia.

"Nossa por quê?" disse e me fiz de desentendida. Quase senti culpa por ter relatado a localização de Bola quase, morreu o arrependimento com a frase que se seguiu.

"Ele tinha um mandado porque executou um nóia que o devia, sabe como é, se deve e não paga a ordem é que pegue sete palmos de terra, servindo de exemplo senão tudo desanda e perde a moral" disse ela com naturalidade de quem apoiava tal situação.

"Humm, moral é importante né" disse mordendo a ponta da unha nervosa, ela bufou do outro lado da linha como se fosse óbvio. Estaria lascada se soubesse do meu envolvimento, era certo que a garota pediria minha cabeça com resquício de crueldade.

"MUITO,  gata desculpa mas por enquanto não vou comprar seu barraquinho não " disse Gislaine, sem imaginar como estava feliz com a não  compra.

"Super entendo Gi" disse antes de nos despedirmos com tchau beijos. Quando desliguei respirei aliviada pela intervenção do delegado, não queria ter que conviver a aquela garota e seu amor Bola por mais que conhecesse Carmem.

Eu fugia de problemas ultimamente

Olhei o relógio estava na hora de buscar Henry lá embaixo desci no elevador... que tinha a música do Zeca pagodinho tocando:

^^^"..Deixa vida me levar! Vida..."^^^

Seria bom se a vida fosse no ritmo samba, leve e divertido, mas não era bom pelo menos onde morávamos.

Brasil.

Tinha tanto caos que as pessoas carregavam o medo e desconfiança, quando não eram as cruéis eram às vítimas.

"Jordan!" gritou Henry me abraçando baguncei seu cabelo na portaria, o ônibus saiu em seguida.

"Como foi a escola?" perguntei e ele deu de ombros dizendo que fora normal.

"Vamos fazer doces?" pediu piscando com olhos pidões. Suas mãos seguravam as alças da mochila com expectativa.

"Bora" falei. Apertando o botão do elevador para o décimo primeiro andar.

Enquanto fazia derretimento do chocolate fraccionado e ele assistia o desenho na TV da cozinha que estava suspensa no ar segurada apenas pelo suporte que permitia a movimentação  e ajuste da tela, perguntei como quem não queria nada das outras babás.

"Chatas!" Disse olhando a tela.

Cobri a parte do cone de dentro com chocolate "Todas?" Perguntei deixando que escorressem e fui fazer o recheio de Nutella com brigadeiro.

"Sim e não... elas sempre me culpavam para papai por algumas coisas que não fiz ou se eram legais logo desistiam" disse ele com os braços cruzados e voz irritada como que frustrado olhando a TV mas se virou completando:

"e a última me largou sozinho na praça, Jordan! Sozinho!" a voz saiu alta para dar ênfase.

"Entendi... péssimas babás "falei concordando e ele deu de ombros pedindo a colher.

"Se pergunta cada coisa, Jordan!" Disse balançando a cabeça olhando a TV.

E você se irrita com cada coisa moleque, pensei aproveitando o embalo para a última pergunta: "e a família que trabalha aqui o que acha deles?"

"Rafael é legal comigo" disse Se virando na cadeira giratória com a mãozinha virada no rosto.

Concordei com um "Humm"

Ele se voltou para o desenho e eu para os doces. As casquinhas tinham se acabado assim como os ingredientes para os próximos recheios...

Mas para esses tiveram. O recheio estava pronto e frio coloquei nas casquinhas  e as cobri deixando que secassem.

"Sala?" Perguntei, ele concordou pedindo ajuda para descer retirando os sapatos.

O observei de longe, seria complicado falar com Henry pois, pareceu não gostar de falar do que vivia com as duas mulheres ou com as babás, teria de arranjar outro caminho para respostas... melhor dizendo confirmações.

Nem adiantavam me dizer para não fazer julgamentos precipitados porquê sério... daquelas duas e das resposta de Henry apenas vieram negativas, entre elas e Henry gente?  puffs o menino tinha 100% do meu voto.

Suspirei terminando separando dois cones prontos para Henry e um para mim e o restante na bancada pois não era louca de deixar o menino comer tudo de uma vez.

O menino acabou por dormir assistindo ao meu lado enquanto alisava seus cabelos, o cobri com um dos cobertores que estavam no meu quarto lá no guarda roupa ainda cheiravam a lavando do amaciante, fechei as janelas quando o tempo começou a virar para a chuva como dito na previsão do tempo no joranal da manhã no dia anterior.

Infelizmente o jornal estava certo, apesar de ter torcido para que uma tempestade não viesse, ela viria grandona.

Tudo nos céus mostram que uma grande se armava, a velocidade do vento, os raios de sol sumindo entre as nuvens.

Me preocupei de imediato, por uma razão...

Eu não gostava de tempestades e odiava o som de trovões e ver os relâmpagos por medo, bem verdade era que desde de pequena tinha esse pavor.

Quando criança porém,  podia ficar escondida debaixo das cobertas ou em qualquer armário pensando estar segura, agora adulta as trovoadas não podia me impedir de fazer nada.

Por isso acelerei o que tinha que fazer, rapidamente recolhi as roupas na sacada. E as pendurei na lavanderia.

Voltei para limpar a cozinha e desliguei a TV com as nuvens escuras tomando o céu sendo iluminadas por relâmpagos que se iniciavam anunciando o toró.

"Ixiii" resmunguei, evitando o palavrão.

Saltei alto no lugar com um trovão forte, o coração disparou e gotas fortes vieram com força após isso.

O mundo pareceu cair...

Caminhei em passos lentos ao Henry para ver se tinha acordado, pelo trovão a segundos atrás...nada! O menino prosseguiu dormindo virando o corpo para o outro lado apenas. Levantei a coberta até o pescoço pelo frio.

Olhei em direção à sacada para ver o tempo recuando logo das portas da sacada transparentes "Vai demorar a passar" disse sozinha com pesar voltando para a cozinha.

Tentava me concentrar apenas na limpeza e consegui por um tempo mas quase tive um treco quando a porta da sala se abriu do nada fazendo barulho, estava escuro por eu ter desligado pelo mundo parecer cair lá fora em tempestade, até peguei uma panela de pressão para usar nossa defensa contra o possível ladrão, logo abaixando quando vi que era delegado entrando.

O responsável por causar todo o barulho de entrada, felizmente não  um ladrão conclui. Respirei fundo deixando meu coração se acalmar e abaixei a panela.

"Suponho que a panela de pressão seja melhor para defesa do que uma frigideira " disse com a testa franzida em vincos, podia ser uma paranoia minha atitude... podia, eu via porém como uma precaução de aço que controlava com perfeição.

Devolvi a panela de volta ao armário e liguei a luz da cozinha.

Estar tudo iluminado melhorava pouco o meu pânico por raios, queria estar mesmo debaixo das cobertas onde não veria nada.

"Mais pesada" respondi pulando como uma pulga com o outro raio e relâmpago batendo a cintura no mármore com força "Merda" reclamei baixinho de dor.

"Tem medo?" A pergunta veio de trás de mim me virei o encontrando próximo, a menos de um palmo de distância.

A expressão de preocupação me fez perceber que  se moveu automaticamente para me ajudar.

Apenas ajudar novamente, suspirei eu não devia estar aborrecida com isso era uma atitude nobre.

Me afastei devagar ganhando distância, olhei para a sala o sofá onde seu filho dormia "Medo não.. sei lá apenas não gosto" disse tentando parecer confiante na mentira "Henry dormiu mesmo com essa barulhada de tempestade" continuei e ele concordou. O delegado não pareceu acreditar no que disse porém, nada falou, apenas pegou o filho no colo e o levou para o quarto.

Voltei a arrumar a cozinha e me preparei para entrar no quarto mas desisti sentando no sofá me segurando nas cobertas a única coisa pior que a tempestade era atravessar o corredor sozinha até o quarto no meio de uma, com toda a sorte que estava tendo no próximo pulo derrubados todos os quadros da parede do corredor  no susto.

O medo era absurdo e infantil eu sei... Mas a tempestade apenas me trazia lembranças ruins.

Olhei para trás escutando passos notando  ser delegado que  estava na cozinha fiquei em silêncio olhando a paisagem de luzes barulhentas fechando os olhos algumas vezes os dedos estavam grudados na coberta com força.

A sensação ruim não passava.

Me recompuz quando o delegado me ofereceu um cone que tinha preparado e uma caneca de chocotino "Obrigada " disse me sentando no sofá de maneira que ele pudesse sentar também.

Ele comia de maneira calma e desviei os olhos quando percebeu ser observado até então olhava a tempestade com tranquilidade. Suas roupas estavam secas e impecáveis por isso achava que tinha saído antes da chuva da delegacia o condomínio tinha a garagem coberta o que fazia fácil para evitar a chuva, devia ter um bom guarda-chuva em algum lugar também...

Claro que agora pensava nisso para evitar a vergonha de ter mentido sobre o medo de raios e o trovões quando praticamente tremia diante da janela grande.

"Como foi o dia?" Pergunto não gostando do silêncio como não gostava daquele tempo.

Ele se sorriu de canto "Produtivo" disse.

E revirei os olhos para a simplicidade homens!

"Simples assim?" Pergunto bebendo da xicara.

"Podemos decidir o que complicamos"  respondeu "Nós gostamos de coisas simples e diretas "

Um pedaço de chocolate ficou preso no canto de sua boca me inclino e limpo com um guardanapo a sujeira demorando mais tempo do que o necessário olhei seus lindos lábios que me beijaram pelo vinho segundo ele. Seus olhos se fixam nos meus e segundos se passam e eu recuo certa que tinha esquecido a tempestade nos segundos que o ajudava. Limpo a garganta. Me voltando para as cobertas ignorando seu rosto atordoado  "Estava sujo" disse explicando a atitude, continuei revirando os olhos:

"Nós gostamos de detalhes "

Sua boca se abre como se fosse dizer algo mas se fecha.

Sinceramente não me importei com o que teria sido, pois o delegado tinha ficado até o fim da tempestade e me ajudou a esquentar o jantar aquela noite.

A reportagem da prisão de Bola passou na TV enquanto mechiamos na cozinha. Gislaine apareceu no depoimento a repórter falando da inocência do seu namorado. Henry estava jogando no celular deitado no tapete felpudo da sala.

"Ele é inocente, quem faz esse tipo de denúncia Deus dá o castigo" disse ela revoltada ignorando o repórter logo em seguida Gislaine estava linda na câmera.

Se ele era culpado bem Deus era a favor da justiça, a única justiça que a filha de Carmem queria era dos homens.

"Ela desconfia" disse preocupada olhando o delegado que encarava a tela de TV.

"Ninguém sabe onde consegui a informação, fui pessoalmente coordenar essa missão, você está segura Jordan" disse ele.

Nem por um momento duvidei das palavras do meu querido delegado.

Mais populares

Comments

Miriam Ramos

Miriam Ramos

quero que a jordan desmascarar a bia

2023-09-20

4

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!