A noite havia caído, e Lucas ainda não conseguia encontrar descanso. Sua mente estava em constante agitação, os pensamentos se entrelaçando em uma espiral de dúvidas, arrependimentos e, principalmente, uma sensação de impotência. Ele se sentia dividido, perdido entre o que queria e o que era esperado dele. O peso das responsabilidades que a família havia colocado sobre seus ombros parecia mais esmagador a cada dia, e, apesar do conforto que encontrava nos braços de Sofia, ele não conseguia ignorar as consequências de suas escolhas.
Sentado à beira da janela de seu quarto, Lucas observava as estrelas cintilando no céu, mas mesmo a tranquilidade daquela noite não conseguia acalmar o turbilhão dentro de si. Ele sabia que estava prestes a tomar uma decisão que mudaria tudo, mas o que mais o angustiava não eram as expectativas de sua família, mas a dor que ele causaria àqueles que ele amava.
A imagem de Clara, com seus olhos esperançosos e o coração fragilizado, não saia de sua mente. Ele sabia que a irmã mais velha não merecia ser tratada como um troféu em um jogo de interesses familiares. Clara tinha sido uma aliada em muitos momentos de sua vida, e agora, ele estava prestes a virar as costas para ela, e isso o fazia se sentir um traidor.
“Eu preciso falar com ela”, murmurou Lucas, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa. Mas, ao pronunciar as palavras, uma sensação de urgência tomou conta dele. Ele sabia que não poderia mais adiar essa conversa. O peso da culpa estava se tornando insuportável, e ele precisava encarar Clara, não apenas como a irmã que ele deveria proteger, mas como uma mulher que havia sido parte de seus próprios planos e sonhos, mesmo que esses planos agora se desmoronassem.
Com determinação, ele se levantou e saiu de seu quarto. O castelo estava silencioso, como sempre ficava nas madrugadas, mas naquele momento, tudo parecia amplificado. Cada passo parecia ecoar mais alto enquanto ele caminhava em direção ao quarto de Clara.
Ao chegar à porta, ele hesitou por um momento. Não sabia o que esperar dela. Clara sempre fora forte, sempre soubera o que queria, mas e agora? Como ela reagiria quando soubesse que ele estava começando a se afastar do caminho que ela havia imaginado para os dois? A promessa que ele fizera parecia distante, quase irreal, agora que seus sentimentos por Sofia haviam se tornado tão claros e poderosos.
Respirando fundo, Lucas bateu na porta.
"Quem é?" a voz de Clara veio do outro lado, sem nenhuma surpresa, como se ela já soubesse que ele estava ali.
"Sou eu, Lucas", respondeu ele, tentando manter a voz firme, mas falhando ao perceber o tremor em suas palavras.
A porta se abriu, e Clara apareceu, com os olhos levemente inchados, como se tivesse chorado antes de dormir. Sua expressão era séria, mas não havia raiva, apenas uma tristeza silenciosa que parecia preencher o ambiente.
“Lucas, o que você está fazendo aqui?” Ela o observava com um olhar de quem já sabia a resposta, mas queria ouvir dele mesmo.
"Eu... eu preciso falar com você", disse Lucas, a voz falhando novamente. "Eu não posso mais ignorar o que está acontecendo. Eu não posso seguir esse caminho, Clara."
Clara deu um passo para trás, convidando-o a entrar, e ele o fez, sentindo o peso do ambiente se fechar sobre ele. O quarto de Clara estava impecável, como sempre, com suas cortinas finas dançando suavemente com a brisa da noite. Mas, agora, ele via a verdade nos olhos dela, uma verdade que ele não queria enxergar, mas que, ao mesmo tempo, precisava entender.
"Você está falando de Sofia, não é?" Clara disse calmamente, como se já soubesse o que ele estava prestes a dizer.
Lucas sentiu um nó na garganta. Como ela sabia disso? Será que seus sentimentos eram tão evidentes assim? Ele não queria machucar Clara, mas não podia mais viver em negação.
"Sim", ele respondeu, finalmente deixando a verdade sair. "Eu não posso continuar com esse casamento, Clara. Não posso me casar com você só porque é o esperado. Eu... eu me apaixonei por Sofia."
Clara permaneceu em silêncio por um longo momento, o olhar distante, como se estivesse processando as palavras dele. Ele viu a dor crescer em seus olhos, mas também uma resignação, como se ela já tivesse esperado por isso, mesmo sem querer admitir.
"Eu sempre soube", Clara murmurou. "Sempre soube que algo estava diferente. Você não me olhava mais da mesma maneira, Lucas. E eu... eu estava tentando ignorar, tentando acreditar que o tempo faria tudo voltar ao normal, mas não fez. Eu vi o jeito que você olha para ela, e eu vi como você se afasta de mim, sem saber como lidar com isso. E eu me senti... traída, mas mais do que isso, eu me senti solitária."
As palavras de Clara atingiram Lucas como um soco no estômago. Ele havia imaginado muitos cenários para essa conversa, mas nunca pensou que Clara admitiria a dor que ela sentia tão abertamente. Ele sempre a viu como alguém forte, alguém capaz de lidar com qualquer coisa, mas agora ele via sua vulnerabilidade, sua própria dor, e isso o dilacerava.
"Eu nunca quis te machucar, Clara", Lucas disse com a voz embargada. "Eu me sinto tão perdido. Mas eu não posso viver uma mentira. Não posso continuar com algo que não é verdadeiro para mim."
Clara olhou para ele com uma tristeza profunda, mas também com um olhar que parecia carregado de compreensão. "Eu sei, Lucas", ela disse finalmente, sua voz suave. "Eu sei que você não pode. E eu não quero que você viva uma vida infeliz por causa de uma promessa que fizemos. Eu sempre soube que você iria seguir seu coração. O que me dói é que, quando você o fez, não me incluiu nessa decisão."
Lucas sentiu as lágrimas surgirem nos olhos, mas ele as conteve. Não era sobre ele agora. Era sobre Clara, sobre a dor que ele havia causado.
"Eu sou uma pessoa egoísta, não é? Mas eu só quero ser feliz", ele disse, as palavras saindo com dificuldade. "Eu espero que você possa me perdoar. Eu quero que você também encontre o que te faz feliz."
Clara o olhou por um momento longo, o silêncio pesado entre eles, antes de finalmente dar um passo à frente e abraçá-lo. “Eu não sei se posso te perdoar agora, mas eu entendo, Lucas. Eu entendo que você está seguindo o que o seu coração manda. E, no final, espero que todos nós encontremos a nossa felicidade.”
Eles permaneceram ali, em silêncio, nos braços um do outro, enquanto as palavras de Clara se infiltravam lentamente em sua alma. Não importava o quanto ele tentasse, não poderia mudar o fato de que ele havia ferido alguém que ele amava. Mas o que ele podia fazer, naquele momento, era buscar o perdão e lutar pela verdade do seu coração.
A história de Lucas e Clara estava se transformando em algo que ele nunca poderia ter previsto, mas o que estava claro era que a busca pelo perdão e pela felicidade verdadeira só estava começando.
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Atualizado até capítulo 45
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