A Verdade Sobre o Passado

O dia amanheceu frio, e o vento cortante parecia sussurrar segredos entre as árvores do castelo. Lucas acordou cedo, sua mente ainda presa aos eventos de ontem à noite. As palavras de Sofia, a conversa com Clara e a sensação de estar entre dois mundos diferentes atormentavam seus pensamentos. Como ele chegou a esse ponto? Como havia permitido que seus sentimentos tomassem conta de sua vida de maneira tão avassaladora?

Enquanto ele se preparava para o dia, um pensamento persistente se formava em sua mente: a verdade precisava ser dita. Ele não podia mais viver com o peso dos segredos. Não apenas os segredos com relação ao seu amor por Sofia, mas também os segredos que envolviam o passado de sua família, um passado que agora parecia mais relevante do que nunca.

Na sala de estar, Dona Helena, sua mãe, estava sentada em frente à lareira, seu rosto sério e focado. Ela estava lendo alguns documentos, mas parecia perceber a presença de Lucas sem sequer olhar para ele.

“Lucas, você está bem?” Ela perguntou, sua voz suave, mas com um tom que indicava preocupação. “Notei que você estava distante nos últimos dias. Algo está te incomodando?”

Lucas respirou fundo. Era o momento. “Mãe, há algo que você precisa saber. Algo que eu acabei de descobrir sobre o nosso passado. Algo que talvez mude tudo.”

Dona Helena ergueu as sobrancelhas, interrompendo seu trabalho. Ela olhou para Lucas com um olhar atento, mas sem pressa de interrompê-lo. “O que você quer dizer, meu filho?”

Lucas hesitou por um momento, sentindo o peso daquilo que estava prestes a revelar. Ele sabia que esse era o ponto sem volta. O que ele falaria agora mudaria a percepção de sua mãe sobre muitas coisas. Mas ele não podia mais esconder.

“Eu... descobri algo sobre o passado de papai e o relacionamento dele com a família de Clara. Algo que foi guardado a sete chaves por todos esses anos”, começou Lucas, com a voz tensa. “Eu não sei tudo, mas sei que a nossa aliança com a família de Clara não é apenas uma questão de negócios. Existe uma história muito mais profunda entre as famílias. Algo que envolve meu pai e o passado dele antes de se casar com a senhora.”

Dona Helena parecia surpreso, mas não foi o choque imediato que Lucas esperava. Ela se levantou calmamente e caminhou até a janela, olhando lá fora. Seus olhos estavam fixos no horizonte, mas seus pensamentos pareciam estar muito longe dali.

“Eu sabia que algo não estava certo”, disse ela em voz baixa, mais para si mesma do que para Lucas. “Mas não queria acreditar. Seu pai e a família de Clara... Eles têm mais em comum do que as aparências dizem. Fico imaginando por quanto tempo poderíamos esconder isso.”

Lucas sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele não sabia o quanto sua mãe sabia ou o que estava implicado nessa história. Mas algo dentro dele dizia que essa revelação não era boa, que havia muito mais por trás dessa aliança do que ele jamais imaginara.

“Então é verdade? O que aconteceu entre meu pai e a família de Clara?”, perguntou ele, a ansiedade tomando conta de suas palavras.

Dona Helena suspirou profundamente e se virou para ele, seus olhos sombrios. “Quando seu pai era mais jovem, ele se envolveu com uma mulher da família de Clara. Uma mulher chamada Elisa. Ela era... como posso dizer? Alguém que ele amava profundamente, mas que, por razões que nunca fomos capazes de compreender completamente, não pôde casar com ele.”

Lucas sentiu o estômago revirar. Elisa? Ele nunca ouvira esse nome antes. Ele não conseguia entender. “E o que aconteceu com ela? Por que ele nunca falou sobre isso?”

A mãe dele hesitou. “Essa mulher, Elisa, era a irmã mais velha de Clara. Ela morreu tragicamente, Lucas, e a história foi encoberta para proteger a imagem da nossa família e evitar escândalos. Mas seu pai nunca a esqueceu. Ela foi a grande paixão dele, e o que aconteceu entre ele e ela... não podemos falar disso agora.”

“Então, o que isso significa para mim? Para a nossa família?”, Lucas perguntou, o medo tomando forma em sua voz. Ele sentia que o mundo estava desmoronando à sua volta.

“Significa que a aliança com a família de Clara não é apenas uma formalidade, como pensamos”, Dona Helena disse, sentando-se novamente. “Há um débito moral que seu pai sente por tudo o que aconteceu com Elisa. A aliança entre os Almeida e os Oliveira, a promessa do casamento entre você e Clara, tudo isso faz parte do acordo que foi feito há muitos anos. E você, Lucas, sempre foi o meio para que essa dívida fosse paga.”

As palavras de Dona Helena ecoaram na mente de Lucas como um trovão. Ele estava preso não apenas pela promessa que fizera a Clara, mas também pelo peso de uma dívida de que nem ele sabia. A pressão era insuportável, e ele se sentiu traído pela falta de transparência de sua família.

“Então, tudo isso não é sobre mim e Clara? Não é sobre amor ou escolha? É sobre pagar uma dívida que nem eu pedi para ser parte?”, perguntou Lucas, sua voz embargada de frustração.

Dona Helena não respondeu imediatamente. Ela se levantou, caminhando até a porta. Antes de sair, ela olhou para Lucas, e seus olhos estavam cheios de uma tristeza que ele nunca vira antes nela.

“Eu entendo como isso é difícil para você, meu filho. Mas essa é a realidade. O amor não foi a razão pela qual você e Clara foram prometidos. Foi o passado. O que você decidir fazer com isso agora é uma escolha sua. Mas lembre-se, as consequências de suas ações podem ser mais profundas do que você imagina.”

Com isso, Dona Helena saiu, deixando Lucas sozinho, com os ecos de suas palavras ressoando em sua mente. Ele sentiu uma onda de revolta e tristeza, um misto de sentimentos conflitantes que o faziam questionar tudo o que ele achava que sabia sobre sua vida, sua família e, acima de tudo, sobre o amor.

Enquanto ele ficava ali, perdido em seus próprios pensamentos, a porta do quarto se abriu suavemente, e Sofia apareceu. Seus olhos estavam cheios de preocupação, mas também de uma leve tristeza.

“Lucas, eu... eu ouvi o que aconteceu. E eu sei que você está lidando com muitas coisas agora, mas eu quero que saiba que eu estarei ao seu lado. Não importa o que aconteça.”

Lucas a olhou, sentindo uma onda de alívio por ver Sofia ali, com sua presença serena e acolhedora. Era nela que ele agora confiava, mais do que em qualquer outra pessoa.

“Eu não sei o que fazer, Sofia. A verdade... Ela muda tudo.”

Ela se aproximou dele, pegando sua mão com delicadeza. “Às vezes, a verdade nos liberta. E outras vezes, ela nos desafia a ser mais fortes. Mas, independentemente de onde isso nos levar, você não está sozinho.”

E, naquele momento, Lucas soube que, embora o passado fosse uma sombra que pairava sobre ele, o que ele faria a partir daquele momento seria o que realmente importava. Ele tinha o poder de decidir seu próprio futuro, e Sofia estava ao seu lado para ajudar a construir esse caminho.

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