A noite parecia mais densa do que nunca no castelo dos Almeida. O brilho suave das velas iluminava os corredores longos e silenciosos, mas dentro do coração de Lucas, a escuridão estava começando a tomar conta. As palavras que ele acabara de ouvir de sua mãe, Dona Helena, ecoavam em sua mente como um trovão. O jantar de família havia sido marcado para discutir os planos para o seu casamento com Clara, mas Lucas sabia que, ao tomar sua decisão, teria que enfrentar algo ainda mais complexo: a reação de sua família. Ele não podia ignorar que sua escolha não afetaria apenas a sua vida, mas também o futuro da família Almeida.
Enquanto caminhava pelos corredores, tentando processar as informações que acabara de receber, seus passos foram interrompidos por uma figura familiar. Era Clara. A tensão estava visível em seus olhos, e sua postura rígida indicava que algo estava prestes a acontecer.
“Lucas, precisamos conversar”, ela disse, sua voz tensa, mas controlada.
Ele sabia que a conversa que ela queria ter não seria fácil. Havia muito em jogo, e Clara, com toda sua inteligência, já deveria ter começado a perceber que as coisas entre eles estavam mudando.
“Eu sei o que você está prestes a dizer, Clara”, Lucas começou, tentando evitar o confronto direto, mas sua voz soou mais ríspida do que ele desejava. “Eu já tomei a minha decisão.”
Clara o observou atentamente, como se estivesse estudando sua expressão, buscando alguma falha na firmeza de suas palavras. “Você tomou uma decisão? Ou foi apenas mais uma escolha impulsiva, Lucas?” Sua voz estava mais fria, cortante, como um aviso.
“Não foi impulsivo”, Lucas respondeu, sentindo a tensão aumentar. “Foi uma escolha que fiz com o coração. Eu não posso mais seguir o que minha família planejou para mim. Não posso mais viver em um casamento sem amor. Eu escolhi ser honesto com os meus sentimentos.”
Clara deu um passo atrás, como se o impacto de suas palavras tivesse atingido-a com força. “Então é isso”, ela disse, com a voz baixando um pouco, mas ainda assim firme. “Você vai simplesmente jogar tudo fora por causa de... dela?”
Lucas sentiu a raiva tomar conta dele, mas controlou-se. Ele sabia que Clara estava ferida, mas as palavras dela o magoavam também. “Sim, Clara. Eu escolhi Sofia. Eu não vou fingir que não sinto o que sinto por ela. Não posso continuar com uma promessa que não é verdadeira.”
Clara ficou em silêncio por um longo momento, e Lucas percebeu que ela estava tentando processar tudo o que ele havia dito. Por fim, ela falou novamente, com uma frieza que parecia vinda de um lugar muito profundo.
“Eu entendo, Lucas. Mas não pense que isso será fácil para você. Você vai perder mais do que pode imaginar. E eu... eu não vou deixar isso acontecer sem lutar.”
As palavras dela foram como uma ameaça velada, mas Lucas sabia que o que estava em jogo era muito maior do que apenas a relação deles dois. Ele sabia que a situação estava prestes a escalar, que o casamento com Clara nunca foi apenas sobre os sentimentos dela, mas também sobre a posição social e o futuro da família.
Quando a conversa entre ele e Clara terminou, Lucas sentiu-se mais vazio do que nunca. Ele sabia que a partir daquele momento, nada seria mais simples. Não seria só uma questão de escolha pessoal; ele estava desafiando as expectativas de uma geração inteira. Mas, por outro lado, ele não conseguia mais negar o que sentia por Sofia, o que seu coração clamava a cada momento.
Na manhã seguinte, Lucas foi convocado para um jantar com seu pai, o patriarca da família Almeida. A sala estava decorada com toda a pompa característica da família, mas o ar estava carregado de uma tensão que ele não conseguia ignorar. Seu pai, Don Henrique, o esperava com o semblante sério de sempre, e ao seu lado estava Dona Helena, que não escondia a decepção nos olhos.
“Lucas, você tem noção do que está fazendo?” Don Henrique perguntou, a voz grave, cortante. “Está colocando em risco tudo o que a nossa família construiu. Clara é a esposa perfeita para você. Você tem uma obrigação com a linhagem Almeida. Não pode simplesmente jogar isso fora por causa de uma paixão passageira.”
Lucas sentiu uma onda de frustração tomar conta dele, mas tentou manter a calma. “Não é uma paixão passageira, pai. Eu escolhi o que é verdadeiro. Não posso viver uma mentira.”
Dona Helena, que até então estivera em silêncio, interveio, seus olhos fixos no filho. “Você está falando de Sofia, não é? Essa... garota não é digna de você, Lucas. Ela não tem a posição que você precisa. Não tem a educação, a linhagem. Você não pode simplesmente abandonar tudo por ela. Isso é tolice.”
O coração de Lucas bateu mais forte ao ouvir as palavras de sua mãe. Mas ele sabia que sua decisão estava tomada, e não havia mais volta. Ele havia encontrado o que realmente importava.
“Eu não escolhi Sofia por sua linhagem, mãe”, Lucas disse, tentando ser firme. “Eu a escolhi porque ela é verdadeira, porque ela me entende de uma forma que ninguém mais entende. Eu não posso viver para agradar a todos ao meu redor. Tenho que ser verdadeiro comigo mesmo.”
Don Henrique bufou, sua frustração evidente. “Então, que se dane a nossa linhagem! Que se dane o que construímos!” Ele levantou-se bruscamente, a cadeira rangendo. “Você vai destruir tudo, Lucas. Vai destruir sua família, sua herança, por causa de uma mulher que não pertence a esse mundo!”
Lucas sentiu as palavras de seu pai como uma faca cravada em seu peito, mas ele não vacilou. Ele sabia que, ao escolher Sofia, ele estava desafiando um sistema que o aprisionara a vida inteira. Ele havia feito a escolha certa para si mesmo, mesmo que os outros não entendessem.
E assim, enquanto a tensão dentro do castelo aumentava, Lucas se viu ainda mais determinado a lutar por aquilo em que acreditava — o amor verdadeiro. Mas sabia que, ao fazer isso, ele estava prestes a enfrentar os maiores desafios de sua vida, e a batalha mais difícil ainda estava por vir.
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Atualizado até capítulo 45
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