A manhã seguinte foi fria, com um vento suave que balançava as folhas das árvores do jardim. Lucas acordou com a sensação de que tudo o que ele fizera até agora era irrevogável. A conversa com seus pais ainda estava fresca em sua mente, e o peso das palavras de seu pai, especialmente, continuava a pesar em seu coração. Ele sabia que aquilo não seria fácil. Mas, ao mesmo tempo, uma parte dele não podia negar que, mesmo com todas as ameaças e obstáculos que viriam, ele estava no caminho certo.
O encontro com Sofia, no entanto, parecia ser a única coisa que o fazia esquecer momentaneamente as expectativas de sua família. Ela havia se tornado sua fuga, a razão pela qual ele ainda acreditava que existia algo além das obrigações e pressões familiares.
Após o almoço, Lucas se encontrou com Sofia novamente no jardim. Era um lugar onde eles se sentiam livres, sem a presença impositiva da família Almeida. Sofia estava deitada sobre a grama, os olhos fechados, como se estivesse absorvendo a tranquilidade ao seu redor. Seus cabelos castanhos espalhados pela grama pareciam uma moldura perfeita para o sorriso sereno que ela tinha nos lábios.
Ele se aproximou com passos leves, não querendo interromper o momento. No entanto, ao perceber sua presença, Sofia abriu os olhos e sorriu ao vê-lo.
“Oi”, ela disse, sua voz suave, mas carregada de uma energia que sempre fazia Lucas sentir que o mundo se tornava mais leve quando ela estava perto. “Não sabia que você vinha. Aconteceu algo?”
Lucas olhou para ela, tentando encontrar as palavras certas. “Eu... estava pensando em você.” Ele disse, sentindo um calor no peito ao perceber que a sinceridade em suas palavras transparecia sem esforço. “Sobre tudo o que está acontecendo. Eu... estou perdendo o controle da minha própria vida.”
Sofia se levantou devagar, observando-o com os olhos atentos, mas sem julgamentos. Ela parecia entender sua dor sem precisar que ele explicasse mais. “Você está tentando agradar a todo mundo, Lucas. Isso não é viver, é ser um espectador da própria vida.”
Ele balançou a cabeça, o peso das palavras dela atingindo-o como uma verdade inescapável. “Eu sei disso. Eu deveria ter percebido antes, mas tudo sempre pareceu tão... inevitável. Eu sou o herdeiro. Eu tenho responsabilidades. Minhas escolhas nunca foram minhas. Até agora.”
Sofia deu um pequeno sorriso triste. “Às vezes, nossas escolhas mais difíceis são as que nos definem, Lucas. E você já fez a sua, não fez?”
Lucas olhou para ela com um misto de gratidão e insegurança. Ele queria dizer algo mais, algo que expressasse toda a profundidade de seus sentimentos, mas as palavras pareciam falhar quando chegavam aos seus lábios. Foi então que Sofia deu um passo mais próximo dele, seu olhar intenso, como se estivesse olhando diretamente para a alma dele.
“Eu sei o que você sente”, ela disse, com um tom que lhe deu coragem. “E, se você está pronto, talvez possamos descobrir juntos o que vem depois.”
O silêncio entre eles era carregado de uma energia que nenhum dos dois conseguia ignorar. O coração de Lucas batia rápido, sua respiração mais pesada. Ele sabia o que estava prestes a acontecer, mas, ao mesmo tempo, não conseguia resistir à sensação de que aquele momento era inevitável. O desejo, o medo, a expectativa — tudo se misturava em sua mente.
Ele não pensou duas vezes. Lucas se aproximou de Sofia, e seus lábios se encontraram com a suavidade de um primeiro toque. O mundo ao redor desapareceu instantaneamente. Era como se o tempo tivesse parado, e o único som fosse o bater acelerado de seus corações. O beijo deles foi suave no início, exploratório, como se estivessem se perguntando se o que estavam sentindo era real, se realmente poderiam se entregar a isso. Mas, conforme o momento avançava, a paixão começou a se intensificar. Lucas a segurou mais perto, sentindo a energia de Sofia envolver seu corpo, e se deu conta de que não havia mais volta.
Quando eles se separaram, seus olhos se encontraram, e nenhum dos dois parecia capaz de falar imediatamente. A intensidade do beijo ainda pairava no ar, e a conexão que haviam compartilhado parecia mais profunda do que qualquer um de seus pensamentos havia preparado.
“Isso... isso foi... real?” Sofia perguntou, com um sorriso tímido, ainda tocando os lábios como se tentasse absorver a sensação.
“Sim”, Lucas respondeu, sua voz rouca, ainda surpreendido com a força do que havia acontecido entre eles. “Foi mais real do que qualquer coisa que eu já senti.”
Sofia sorriu, mas havia uma tristeza escondida em seus olhos. “Você sabe que, agora, não há como voltar atrás, não é? Tudo vai mudar depois disso.”
Lucas respirou fundo. Ele sabia disso. Ele estava ciente das consequências de suas ações. Mas, naquele momento, ele não queria pensar nas dificuldades à frente. Ele só sabia que o que sentia por Sofia era mais forte do que qualquer expectativa ou obrigação que sua família pudesse colocar sobre ele.
“Eu sei”, ele disse, e embora a sensação de incerteza o rodeasse, ele também sentia algo que nunca experimentara antes — a sensação de que, finalmente, ele estava fazendo o que realmente queria.
Sofia olhou para ele mais uma vez, com a determinação de quem sabia que o futuro deles seria desafiador, mas que, de alguma forma, valeria a pena.
E, naquele momento, no jardim silencioso e imenso, Lucas fez uma promessa silenciosa a si mesmo: ele não se deixaria mais prender pelas expectativas dos outros. A partir de agora, ele seguiria o que seu coração mandava, não importando os obstáculos que apareceriam à frente.
Mas, acima de tudo, ele estava pronto para lutar por Sofia, pelo amor deles. E sabia que aquele beijo, aquele primeiro beijo, seria apenas o começo de uma jornada cheia de desafios e descobertas.
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Atualizado até capítulo 45
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