A festa de noivado

A casa dos Almeida estava mais agitada do que nunca. O grande salão, onde tantas festas e reuniões haviam ocorrido ao longo dos anos, agora estava sendo decorado para uma ocasião muito especial: o noivado oficial de Lucas com Clara. A decoração estava impecável, com flores brancas e douradas enfeitando as mesas, e a música suave tocava ao fundo, criando uma atmosfera elegante e sofisticada.

Lucas caminhava pelo corredor principal, os passos ecoando nas pedras do piso antigo. Ele usava um traje formal, um terno bem ajustado, mas a sensação de desconforto o acompanhava. Não era por causa da roupa, nem da festa em si, mas pela ausência de algo que parecia faltar em sua vida.

Ele sabia o que se esperava dele naquela noite: ser o noivo perfeito, sorrir, cumprimentar os convidados, falar de planos futuros com Clara. Mas tudo o que ele conseguia pensar era em Sofia, em seus olhos brilhando sob a luz do sol e nas palavras que continuavam a ecoar em sua mente. "Às vezes, precisamos arriscar e seguir o que sentimos."

Lucas suspirou, parando por um momento à frente de um grande espelho. Ele olhou para o reflexo e se viu ali, pronto para seguir o caminho que todos haviam traçado para ele, mas o que o fazia realmente feliz? Era isso? A promessa de um casamento perfeito, a responsabilidade, ou o desejo de algo mais genuíno?

"Lucas," a voz de sua mãe o chamou suavemente, interrompendo seus pensamentos. "Você está bem? Todos estão esperando por você."

Dona Helena, com seu sorriso calmo e a postura rígida, se aproximou dele. Ela sempre parecia tão segura de tudo, tão certa de cada passo que dava, e agora, ela queria garantir que Lucas cumprisse o papel que lhe havia sido dado.

"Sim, mãe," Lucas respondeu, tentando disfarçar a turbulência interna que sentia. "Estou indo."

Ela o observou por um momento, seus olhos avaliando-o. "Você sabe que este é um grande dia para nossa família. Não podemos permitir que nada, nem ninguém, nos desvie do que é certo. Clara é uma ótima escolha. Eu só quero que você tenha certeza de que tudo o que você faz é pelo bem de todos."

Lucas assentiu, mas as palavras de sua mãe o atingiram de maneira diferente. Ele não estava tão certo quanto ela. O que era o "bem de todos"? Ele sabia o que sua mãe queria, mas seu coração dizia algo completamente diferente.

Ele deu meia-volta e se dirigiu para a sala principal. Os convidados já haviam chegado, e a atmosfera estava carregada de expectativas. Ele foi cumprimentado por diversos parentes e amigos da família, todos oferecendo palavras de felicitação e entusiasmo pelo noivado. Ele sorriu educadamente, respondendo aos cumprimentos, mas a sensação de que algo estava errado persistia em sua mente.

Quando ele finalmente encontrou Clara, ela estava radiante, como sempre. Seu vestido longo e elegante a fazia parecer ainda mais imponente, e seu sorriso era aquele sorriso de "eu sou a mulher que todos esperam que eu seja". Mas, por dentro, Lucas sabia que algo estava faltando. Não era que ele não gostasse de Clara — ela era inteligente, graciosa e perfeita para o papel que ela desempenhava em sua vida — mas algo no fundo de seu ser dizia que ela não era a mulher que ele realmente queria ao seu lado.

"Lucas, meu amor," Clara disse, ao se aproximar dele com um sorriso doce. "Estou tão feliz que finalmente chegamos até aqui. Tudo está perfeito, não é?"

"Sim, tudo está perfeito," ele respondeu, tentando esconder o vazio em sua voz. "Eu também estou feliz."

Clara, como sempre, parecia acreditar em cada palavra, e talvez isso fosse o mais doloroso. Ela acreditava em sua felicidade, em sua dedicação. Mas Lucas não conseguia mais se convencer. Ele sentia falta de algo que ele não sabia explicar, algo que Sofia trouxe à tona em sua vida. A liberdade, a leveza, a sensação de ser ele mesmo sem a necessidade de atender às expectativas de todos.

Quando ele olhou para o canto da sala, seus olhos encontraram Sofia. Ela estava lá, com um vestido simples, mas elegante, longe do glamour das outras mulheres da festa, mas, de alguma forma, irradiando algo que todas as outras não tinham: autenticidade. Ela estava conversando com um dos jardineiros da casa, rindo e gesticulando com a mesma leveza de antes.

O coração de Lucas deu um pulo. Ele não podia negar o que sentia. Sofia era diferente, e era nela que ele pensava, sempre que fechava os olhos. Ela não fazia parte dos planos, mas ela era real, e isso o atraía de uma maneira que ele não conseguia mais ignorar.

"Você está olhando para ela novamente," Clara comentou, sua voz fria e direta. Lucas se virou para ela, surpreso pela sinceridade de suas palavras.

"Desculpe, Clara," ele respondeu, sem saber o que mais dizer. "Eu estava apenas... pensando."

"Pensando?" Clara ergueu uma sobrancelha. "Pensando no quê, Lucas? No que realmente importa ou no que está além do que você deveria querer?"

O tom da sua voz deixou claro que Clara não estava satisfeita com sua resposta, mas Lucas não sabia como reagir. Ele não queria ferir seus sentimentos, mas ao mesmo tempo, não podia mais ignorar o que estava acontecendo dentro de si. Ele tentou desviar o olhar, mas seus olhos voltaram a encontrar Sofia, e foi como se o mundo ao seu redor desaparecesse por um instante.

"Eu só preciso de um momento, Clara," ele disse suavemente, e antes que ela pudesse responder, ele já estava se afastando.

Ele caminhou em direção a Sofia, seu coração batendo forte, cada passo mais pesado que o anterior. Quando ele chegou até ela, Sofia olhou para ele com aquele sorriso discreto, mas cheio de entendimento.

"Está tudo bem?" ela perguntou, sua voz suave, mas cheia de curiosidade.

"Eu... não sei," Lucas respondeu, sentindo a sinceridade da pergunta ressoar em seu peito. "Eu só queria estar em algum lugar onde pudesse ser eu mesmo, Sofia. Aqui, eu não sei quem estou tentando agradar mais — minha família ou a mim mesmo."

Sofia olhou para ele, sua expressão suave, mas seus olhos brilhavam com uma intensidade que ele reconhecia como compreensão.

"Você vai descobrir," ela disse, "O importante é que você escolha o que é melhor para você, Lucas. O que te faz feliz."

O que Sofia disse ressoou em sua mente, e naquele momento, ele soubera que, de alguma forma, ela estava certa. Ele não sabia como tudo isso iria se resolver, mas uma coisa ele sabia: as escolhas que ele fazia agora seriam as que moldariam seu futuro.

E o futuro, ele sentia, estava mais distante de Clara e mais perto de Sofia do que ele jamais imaginara.

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