A Coragem de Amar

O vento fresco da tarde soprou suavemente pelos jardins, mas Lucas estava imerso em seus próprios pensamentos. Ele se afastou do castelo, buscando um lugar onde pudesse refletir longe dos olhos atentos de sua família. As palavras de Clara ecoavam em sua mente, mas ele sabia que havia feito a escolha certa. Agora, o desafio era enfrentar as consequências dessa escolha, e mais importante ainda: ser fiel a seus sentimentos, que há muito estavam enterrados sob a pressão das expectativas.

A relação com Clara, embora sincera, nunca havia sido uma questão de desejo verdadeiro, de paixão. Era uma união criada para manter a linha de sucessão dos Almeida intacta, uma união feita de compromissos e deveres. Mas o que ele sentia por Sofia... isso era diferente. Era algo que não podia ser contido, algo que o desafiava a romper com tudo o que sempre conheceu.

Ele se sentou no banco de pedra do jardim, os olhos fixos no horizonte. Cada folha que caía das árvores parecia simbolizar uma mudança, algo se desfazendo e, ao mesmo tempo, algo se formando. O que ele faria agora? O que Sofia sentiria quando soubesse da decisão que ele havia tomado? Ela havia sido a primeira pessoa que, de alguma forma, tocou seu coração de uma maneira verdadeira. Ela não o via como o herdeiro dos Almeida, nem o tratava como um símbolo de status. Ela o via apenas como Lucas.

As emoções de Lucas estavam em um turbilhão. O amor, como ele agora percebia, não era algo que poderia ser controlado ou planejado. Ele não poderia forçar o que sentia por Sofia a ser algo que não fosse genuíno. O problema, porém, era o preço desse amor. O que ele perderia por escolher ser verdadeiro com seus sentimentos? A responsabilidade que ele teria que carregar seria imensa, mas ele sentia, no fundo, que não poderia viver de outra forma.

Sofia. Só de pensar nela, seu peito apertava. Ela era como a brisa suave que trazia consigo um aroma de liberdade, algo que Lucas desejava profundamente, mas que, por muito tempo, foi privado. Ele se levantou e, com uma decisão renovada, começou a caminhar pelos caminhos tortuosos do jardim. Ele precisava vê-la. Precisava dizer-lhe o que sentia, independentemente do que isso significasse para o futuro.

Enquanto se aproximava da pequena fonte onde costumava encontrá-la, o som da água corrente parecia aliviar um pouco a ansiedade que ele carregava. E ali, em meio ao perfume das flores e ao brilho suave do sol, ele a viu. Sofia estava de costas para ele, com as mãos entrelaçadas atrás da cabeça, olhando para o céu. Era a imagem de alguém completamente livre, sem amarras, sem medo.

"Oi," Lucas disse, sua voz baixa, mas firme. Sofia virou-se rapidamente, e os olhos dela brilharam ao vê-lo. Algo em seu sorriso o tranquilizou, como se o simples fato de vê-la ali significasse que, por um momento, ele poderia deixar de lado todos os pesos do mundo.

"Lucas!" ela exclamou, e sua voz tinha a leveza de uma brisa. "Você está bem?"

Ele deu um sorriso fraco, tentando não mostrar a luta interna que ainda o consumia. "Eu estou, agora."

Sofia o observou atentamente, como se estivesse procurando algo em seus olhos. "Você parece... diferente. Algo aconteceu?"

Ele respirou fundo. As palavras estavam ali, presas em sua garganta, mas ele sabia que não podia mais esconder o que sentia. Não podia mais viver para agradar aos outros.

"Eu falei com Clara," Lucas começou, sua voz mais baixa. "Eu não posso mais seguir esse caminho. Não posso mais continuar com o que está sendo imposto a mim. Eu... eu escolhi."

Sofia franziu a testa, como se não tivesse entendido completamente o que ele estava dizendo. "Escolheu o quê?"

"Escolhi você, Sofia," Lucas respondeu, com uma sinceridade que parecia ter sido libertada depois de uma vida inteira de dúvidas. "Escolhi ser fiel ao que eu sinto, e o que eu sinto por você é mais forte do que qualquer obrigação que me foi colocada. Eu não posso viver uma mentira, e não posso ignorar o que meu coração realmente deseja."

Sofia ficou em silêncio por um momento, sua expressão indecifrável. Lucas observou cada reação dela, tentando ler o que ela estava pensando. Ele sabia que a decisão que tomara poderia mudar tudo entre eles, mas ele precisava saber se ela sentia o mesmo.

Finalmente, ela deu um passo à frente, e seus olhos se suavizaram. "Lucas..." Ela hesitou, mas depois continuou. "Eu sempre soube que havia algo entre nós, mas eu... eu não sabia o que você sentia. Eu pensei que talvez fosse só uma ilusão."

Ele estendeu a mão, tocando levemente seu braço, buscando a conexão que sempre soubera que existia entre eles. "Não é uma ilusão, Sofia. Eu não posso mais ignorar isso. Eu sei que o caminho à frente será difícil, mas quero enfrentar isso ao seu lado."

Os olhos de Sofia brilharam com uma mistura de emoções — surpresa, alívio, e uma felicidade tímida que ela não conseguiu esconder. "Você não tem ideia do quanto isso significa para mim, Lucas," ela disse, a voz cheia de emoção. "Eu... eu também escolhi você. Eu sempre escolhi você."

E, naquele momento, o peso do mundo pareceu se dissipar. Lucas e Sofia estavam juntos em algo mais do que apenas sentimentos; estavam unidos em uma decisão, uma escolha corajosa que desafiava tudo o que era esperado deles. Eles não sabiam o que o futuro reservaria, mas sabiam que agora, finalmente, estavam sendo verdadeiros consigo mesmos.

Era o começo de algo novo. Um amor que desafiava as regras, que quebrava as correntes da tradição. Mas, mais do que tudo, era a promessa de que, juntos, eles enfrentariam os desafios que viriam. Porque, naquele momento, Lucas soubera de uma coisa com certeza: o amor verdadeiro era uma coragem que valia a pena ser vivida.

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