A Promessa Quebrada

O vento da manhã penetrava pelas frestas das janelas, carregando consigo o som suave das folhas ao vento. Lucas acordou cedo, ainda sentindo a tensão da noite anterior. A decisão que tomara estava clara em sua mente, mas o peso da responsabilidade não deixava de pesar em seu peito. Ele sabia que havia quebrado uma promessa, uma promessa feita não apenas a Clara, mas a toda a sua família. E as consequências disso poderiam ser devastadoras.

Ele se levantou da cama e caminhou até a janela. Olhou para o jardim que, embora bonito, não trazia mais o mesmo encanto de antes. Agora, cada flor parecia lembrar-lhe da dor que ele causara, da escolha que fizera. Havia uma luta interna em seu coração, mas também uma clareza. Ele não se arrependia do que sentia por Sofia. Mas isso não tornava a situação menos difícil.

O som de uma batida na porta interrompeu seus pensamentos.

“Pode entrar,” disse Lucas, sem se virar.

A porta se abriu lentamente, e Clara entrou. Sua presença imponente encheu o quarto, como se ela dominasse todo o espaço ao seu redor. Lucas sentiu seu corpo tenso. Era impossível não perceber a raiva em seus olhos.

“Precisamos conversar,” Clara disse, sua voz fria e controlada. Ela fechou a porta atrás de si e caminhou até ele. “Você me prometeu, Lucas. Você me prometeu que se casaria comigo. Que seríamos um time, que essa aliança entre nossas famílias seria cumprida. E agora, o que eu encontro? Você fugindo para os jardins à noite com Sofia.”

Lucas a olhou, sentindo a intensidade da dor em seu coração. Clara não tinha ideia do que ele realmente sentia. Não sabia que ele estava se afogando em um mar de expectativas e obrigações que nunca haviam sido suas. Ele nunca teve a liberdade de escolher.

“Clara…” ele começou, mas ela o interrompeu, com a voz ainda mais firme.

“Não me venha com desculpas. Eu vi vocês dois, Lucas. Eu vi os olhares, vi o que você está fazendo.” Clara deu um passo à frente, seu tom de voz aumentando. “Você não vai destruir tudo o que construímos. Não vai jogar nossa família para o lixo. Eu não vou permitir.”

A pressão do momento fazia o peito de Lucas apertar. Ele queria gritar, queria libertar-se daquela prisão de promessas quebradas, de um amor imposto, mas sabia que não seria fácil. A dor nos olhos de Clara era real. Ele ainda a via como a mulher que ele deveria amar, mas algo dentro dele se partia ao pensar nela agora.

“Eu não estou destruindo nada, Clara,” ele disse com firmeza, mas com uma tristeza evidente na voz. “Eu só estou tentando viver minha própria vida. Eu não posso mais fazer isso por obrigação. Eu não posso mais mentir para mim mesmo.”

Clara ficou em silêncio por um momento, sua expressão transformando-se de raiva para algo mais sombrio. Ela parecia entender, de algum modo, o que ele estava dizendo, mas sua dor era mais forte que a compreensão.

“Você vai se arrepender disso, Lucas,” ela disse finalmente, a voz suave, quase sussurrada. “Você acha que Sofia vai ser diferente? Que ela vai te entender quando a pressão começar? Quando sua família se virar contra você? Você vai ver que o que temos, o que somos, é mais forte do que qualquer sentimento passageiro.”

Lucas olhou para ela, o coração apertado. Clara estava certa em alguns aspectos. A pressão de sua família seria intensa, e Sofia, apesar de sua liberdade, não estava imune a isso. Mas, ao olhar para Clara, ele sabia que aquilo não era mais sobre o que era certo para sua família ou para ele. Era sobre ser verdadeiro consigo mesmo.

“Eu não posso mais viver com medo do que os outros pensam. Não posso mais viver para satisfazer expectativas que nunca foram minhas,” ele disse, sua voz mais calma, mas firme. “Eu vou lutar pelo que sinto, Clara. Não importa o que aconteça.”

O silêncio que se seguiu foi denso. Clara olhou para ele, a raiva agora dando lugar a uma tristeza profunda. Ela respirou fundo, como se estivesse tentando reunir forças para o que viria a seguir.

“Você quebrou uma promessa, Lucas,” ela disse com um tom resignado. “E a partir de agora, nada será como antes.”

Ela deu as costas e se dirigiu para a porta, mas antes de sair, olhou para ele uma última vez. “Você vai pagar por isso. Não vai ser fácil. Eu vou fazer com que você perceba o que está perdendo.”

A porta se fechou suavemente atrás dela, e Lucas ficou ali, paralisado. Ele sabia que as palavras de Clara não eram vazias. Ele havia quebrado algo muito maior do que uma simples promessa. Ele havia quebrado a confiança de uma irmã, e talvez fosse tarde demais para consertar isso.

Mas, ao mesmo tempo, ele sabia que sua vida não poderia continuar da maneira que estava. Sofia o fazia se sentir vivo, fazia seu coração bater de forma diferente. Ele não sabia o que o futuro reservava, mas uma coisa ele tinha certeza: não importava o que acontecesse, ele não iria mais viver para agradar aos outros. Ele tinha que ser verdadeiro consigo mesmo, mesmo que isso significasse enfrentar as consequências de suas escolhas.

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