O dia parecia mais pesado do que Lucas poderia suportar. Após a conversa com sua mãe, e as palavras de Clara ainda ecoando em sua mente, ele sentia o peso das expectativas da família sobre seus ombros. Mas, no fundo, havia algo que se recusava a ignorar. A leveza de Sofia, seus olhos brilhando de forma descomplicada, contrastava com a obrigação de um futuro já traçado para ele.
Lucas se afastou do castelo com a desculpa de precisar de um pouco de ar fresco. A verdade era que ele não conseguia mais ficar em um ambiente onde a pressão e as responsabilidades o sufocavam. O jardim parecia o único lugar onde ele ainda se sentia livre para respirar. Quando ele chegou lá, algo o fez sorrir involuntariamente: Sofia. Ela estava ali, como sempre, entre as flores, em uma dança quase mística com o vento.
Sofia estava tão imersa no momento, com os braços levantados e os cabelos ondulando ao vento, que não percebeu sua presença até que ele já estava bem perto.
“Oi, Lucas,” ela disse, com um sorriso aberto e genuíno, como se ele fosse a parte que faltava naquele cenário perfeito. “Você parece... distraído.”
Lucas sorriu, um sorriso sincero, mas com uma ponta de tristeza. “Eu só... estou tentando entender o que está acontecendo comigo.”
Sofia o observou atentamente, como se quisesse entender as palavras não ditas. “E o que está acontecendo, exatamente?”
“Tudo,” Lucas disse, balançando a cabeça. “Meu futuro está decidido, mas eu não sei se é esse o futuro que eu quero.”
Sofia deu um passo mais perto, sentindo a tensão em seus ombros. “Você tem a sensação de estar preso em algo que não escolheu?”
Ele olhou para ela, e por um momento, tudo ao redor parecia desaparecer. O jardim, o castelo, a pressão de sua vida, tudo se desvanecia. “Sim. Eu tenho essa sensação o tempo todo.”
Sofia sorriu suavemente, como se ela soubesse exatamente como ele se sentia. “Talvez seja hora de encontrar o que você realmente quer, Lucas. Às vezes, seguimos um caminho porque ele foi traçado para nós, mas nem sempre ele é o certo.”
“E o que você sugere que eu faça?” Lucas perguntou, mais curioso do que nunca. Sua voz tremia levemente, como se o próprio ar ao redor fosse mais denso quando se tratava de suas emoções por ela.
“Eu não posso te dizer o que fazer. Mas talvez seja o momento de seguir o seu coração, em vez de fazer o que é esperado de você,” Sofia respondeu com um brilho provocador nos olhos. “Você tem o direito de ser feliz, não acha?”
“Eu... não sei se isso é possível para mim,” Lucas confessou. “A felicidade nunca foi uma opção. Pelo menos, não a felicidade que eu imaginei para mim. Desde pequeno, fui ensinado que o que importava era o legado, o nome da família...”
Sofia o interrompeu, colocando uma mão gentil sobre o braço dele. “Mas você não é apenas o sobrenome da sua família. Você é mais do que isso, Lucas. Você é uma pessoa, com sonhos, com desejos próprios. Não deixe que o peso das expectativas apague isso.”
Lucas ficou em silêncio, imerso em suas palavras. Ele sabia que ela estava certa, mas a pressão era grande. Olhando para Sofia, ele sentia que algo mais forte do que qualquer obrigação o estava puxando. Era como se, pela primeira vez, ele estivesse começando a enxergar uma possibilidade de algo mais, algo que ele nunca havia experimentado antes.
“Eu não sei o que fazer com isso tudo,” Lucas murmurou, sentindo-se vulnerável como nunca antes.
“Você não precisa saber tudo de uma vez,” respondeu Sofia, com um sorriso tranquilizador. “Às vezes, o mais importante é dar o primeiro passo, mesmo sem saber onde ele vai te levar.”
Lucas respirou fundo, sentindo uma mistura de medo e alívio. Sofia tinha uma calma inabalável que o acalmava de uma forma que ele não entendia, mas que ele não queria questionar. Ela fazia as coisas parecerem mais simples, como se fosse possível, talvez, encontrar a liberdade que ele tanto desejava.
“O que eu sei é que... eu não quero perder o que estamos construindo aqui, entre nós,” ele disse, a voz mais firme agora. “Eu não quero perder você, Sofia.”
Sofia olhou para ele, os olhos brilhando com algo que ele não conseguia identificar. “Eu nunca vou deixar você se perder, Lucas. Se você tiver coragem de ser quem você realmente é, sempre estarei ao seu lado.”
Mas antes que eles pudessem continuar a conversa, o som de passos apressados interrompeu o momento. Clara apareceu à distância, sua presença tão imponente quanto o castelo em que viviam. Seus olhos estavam focados em Lucas, e a expressão no rosto dela não deixava dúvida sobre a razão de sua chegada.
“Lucas!” Clara chamou, sua voz alta e clara, interrompendo o que estava acontecendo entre ele e Sofia.
Lucas sentiu um aperto no peito ao ver Clara. Não era apenas a noiva prometida. Clara também era uma mulher forte e determinada, e ele sabia que a presença dela nunca era por acaso.
“Eu preciso falar com você, agora,” Clara continuou, aproximando-se com passos firmes. Seus olhos estavam firmes e, embora houvesse um sorriso em seus lábios, o tom de sua voz não era amigável. “Eu já te procurei em todo o castelo.”
Sofia percebeu a tensão no ar e deu um passo atrás, como se soubesse que seu tempo com Lucas estava chegando ao fim por aquele dia. Ela sorriu para ele e, sem mais palavras, se afastou, deixando Lucas e Clara sozinhos novamente.
“Eu te ouvi, Lucas. Vamos conversar sobre nosso futuro.” Clara disse, olhando-o diretamente nos olhos, como se estivesse aguardando uma resposta que ele não estava pronto para dar.
Lucas suspirou. A tempestade estava prestes a começar.
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Atualizado até capítulo 45
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