Os dias seguintes ao encontro com Sofia estavam turvos para Lucas. Seu coração, que antes batia em um ritmo mecânico, agora pulsava de forma errática, como se estivesse preso entre dois mundos. Por um lado, havia o compromisso com sua família, a promessa feita a Clara. Por outro, havia a atração irresistível que sentia por Sofia, uma garota que, ao contrário de Clara, trazia luz e liberdade para sua vida.
Ele tentou se concentrar nas obrigações do dia a dia. Sua mãe, Dona Helena, estava constantemente ao seu lado, lembrando-lhe de todos os compromissos familiares, de como ele precisava se comportar para honrar o nome dos Almeida. Ele sabia que Clara também esperava o mesmo. Ela era sempre impecável, sempre no lugar certo, fazendo as coisas da maneira correta. Era difícil para ele não comparar.
Naquela tarde, após uma reunião com sua mãe sobre os detalhes do casamento, Lucas decidiu dar uma volta pelos jardins. Ele precisava de uma pausa, de uma chance para colocar seus pensamentos em ordem. O ar fresco e o perfume das flores eram um consolo, mas a paz parecia sempre momentânea. As palavras de Sofia ecoavam em sua mente, desafiando tudo o que ele sempre acreditou ser a verdade.
"Às vezes precisamos arriscar e seguir o que sentimos."
E naquele momento, ele realmente se perguntava: e se arriscar fosse a única maneira de ser feliz? Ele ainda não tinha a resposta, mas seu coração lhe dizia que a verdade estava mais perto do que ele imaginava.
Mas, como se fosse uma ironia do destino, naquele momento, ao virar a esquina do jardim, ele se deparou com Clara. Ela estava ali, parada, como sempre, com um olhar que misturava expectativa e controle. Seu rosto estava calmo, mas havia algo em seus olhos que não passava despercebido.
"Lucas," ela disse, com um sorriso que não parecia completamente genuíno, "Eu pensei que você estava ocupado com os preparativos para o nosso futuro. Mas me parece que você está... perdido em seus próprios pensamentos."
Lucas se endireitou, sentindo uma tensão crescente. "Eu só precisava de um pouco de ar fresco, Clara."
Ela deu um passo em sua direção, seus olhos fixos nos dele, analisando cada movimento seu. "Acontece que tenho percebido que você está se afastando. E, sinceramente, não gosto disso. O que está acontecendo, Lucas? Eu sou a mulher com quem você vai casar. Deveria ser eu a pessoa em quem você pensa, não é?"
Havia uma leve acusação em suas palavras, algo que tocava uma parte sensível de Lucas. Ele sabia que Clara esperava a perfeição, a devoção, mas ele não sabia como corresponder a isso quando seus sentimentos estavam tão bagunçados, tão confusos.
"Eu… eu estou apenas tentando entender as coisas," ele disse, a voz mais baixa do que gostaria.
Clara olhou para ele por um momento, seus olhos se estreitando. "Entender? Entender o quê? Você tem tudo o que precisa aqui, Lucas. Eu sou sua promessa. E você está começando a falhar comigo." Ela pausou, deixando suas palavras pairarem no ar. "E se você está pensando em outra pessoa, então me diga agora. Eu mereço saber a verdade."
A pressão de suas palavras quase o sufocou. Lucas sentiu como se estivesse sendo esmagado pela expectativa dela. O que ele diria? Ele não podia negar o que sentia por Sofia, mas também não podia dizer isso a Clara. Ela não compreenderia. Ela nunca compreenderia.
"Clara, você sabe que isso não é sobre você," ele tentou, sua voz um pouco mais firme. "É sobre o que é certo para todos nós. O que é esperado."
Ela balançou a cabeça lentamente, como se estivesse absorvendo cada palavra, mas não parecia convencida. "Esperado? Ou o que você realmente quer, Lucas? Eu vejo você olhando para o lado, vejo como se estivesse perdido. Eu posso lidar com muitos problemas, mas não com a deslealdade. Não de você."
Aquelas palavras foram como um golpe direto em seu peito. Ele sentiu o peso da responsabilidade, o peso da família, e, acima de tudo, o peso do medo de perder o que sempre conheceu. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro dele gritava que não poderia continuar vivendo para satisfazer os outros, para fazer os outros felizes enquanto ele mesmo estava morrendo por dentro.
"Eu não sou desleal," ele disse, a voz mais firme agora, "Eu estou apenas tentando entender o que é o melhor para todos. Eu prometi a você, Clara, e vou cumprir essa promessa. Mas eu preciso de tempo. Preciso de tempo para… entender o que isso significa."
Clara não respondeu imediatamente. Ela apenas olhou para ele, os olhos fixos, como se estivesse estudando cada palavra que ele dissera. Ela então suspirou, passando uma mão pelo cabelo, visivelmente frustrada.
"Você tem tempo," ela disse finalmente, mas sua voz estava tensa. "Mas não por muito tempo. Eu vou esperar, Lucas. Não vou ser deixada para trás."
Ela se virou, caminhando em direção ao castelo, deixando Lucas ali, com o coração pesado e uma sensação crescente de que não conseguiria manter sua promessa por muito tempo.
Enquanto ele permanecia parado no jardim, uma sombra passou pelo seu coração. Ele sabia que Clara tinha razão, de certa forma. Ele não queria machucá-la. Mas o que ele sentia por Sofia, aquela liberdade, aquela autenticidade, era algo que ele não poderia ignorar para sempre. O problema era que, com cada passo que dava em direção ao que ele desejava, ele sentia a distância de sua vida atual aumentar.
Foi então que ele a viu. Sofia estava ali, parada perto da entrada do jardim, observando-o com uma expressão curiosa. Quando seus olhos se encontraram, um silêncio se estabeleceu entre eles. Não havia palavras, apenas a compreensão mútua de que ambos estavam cientes da tensão crescente, de algo que os ligava mais do que eles podiam entender ou admitir.
Sofia não disse nada. Ela apenas sorriu suavemente, e Lucas sentiu uma onda de conforto, mas também de conflito. Ele sabia que algo em sua vida estava prestes a mudar — mas até onde ele estaria disposto a ir para fazer essa mudança acontecer?
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Atualizado até capítulo 45
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