O clima no castelo estava tenso naquele dia. A verdade sobre o passado, revelada por sua mãe, ainda martelava na mente de Lucas como um tambor. Mas havia algo mais, algo que ele sabia que não podia ignorar: a inevitável confrontação com Clara. Ela havia notado sua ausência nos últimos dias, os olhares trocados entre ele e Sofia, e a tensão no ar. Clara era observadora demais para não perceber que algo estava acontecendo, e ele sabia que não poderia mais esconder os sentimentos que tinha por Sofia. Mas a questão era: como enfrentaria Clara?
Quando a manhã finalmente cedeu lugar à tarde, Lucas soubera que o confronto era iminente. Clara não demoraria muito para procurar explicações e exigiria respostas. No fundo, ele sabia que não havia mais como negar. Tudo estava prestes a desmoronar.
Enquanto ele caminhava pelos corredores do castelo, a porta de um dos salões se abriu bruscamente. Clara apareceu, seus olhos, sempre tão afiados, fixados em Lucas. Ela o observava com uma intensidade desconcertante.
“Precisamos conversar, Lucas. Agora.” A voz dela era firme, mas havia uma nuance de preocupação que ele reconheceu.
Lucas respirou fundo. Sabia que aquilo não seria fácil, mas também sabia que não podia mais continuar com as mentiras. Ele a seguiu até o salão, onde os dois ficaram em pé diante da grande janela que dava para o jardim. Clara olhou para ele com um olhar que misturava indignação e um toque de tristeza.
“Eu sei que algo está acontecendo. Algo está diferente entre nós, e você está me evitando.” Clara cruzou os braços, encarando-o com expectativa. “Você está com Sofia, não está?”
Lucas sentiu o peso da acusação, mas não recuou. A verdade estava ali, esperando para ser dita. “Sim, Clara. Eu... Eu estou me apaixonando por ela.”
As palavras caíram pesadas no ar, e Clara ficou em silêncio por um momento, como se o impacto tivesse a deixado sem palavras. O rosto dela ficou pálido, e seus olhos, que costumavam brilhar com tanta confiança, agora pareciam vazios de emoção.
“Você... você está dizendo isso de verdade?” A voz dela estava quase inaudível. “Depois de tudo o que fizemos, depois de todo o esforço, você vai me deixar por ela?”
Lucas se aproximou, sentindo o peso da dor em suas palavras. “Clara, eu não queria que fosse assim. Nunca desejei magoar você. Mas o que eu sinto por Sofia... não é algo que eu possa controlar. Não é algo que eu posso ignorar.”
Clara deu um passo para trás, como se estivesse em choque. Ela parecia prestes a chorar, mas se conteve. “Você acha que isso é fácil para mim? Eu sou sua noiva, Lucas! E você está me dizendo isso agora, quando já está tudo acertado, quando todo mundo espera que nós dois nos casemos?”
Ela estava perdida em suas emoções, e Lucas percebeu que não era apenas a decepção que ela sentia. Era também o medo de perder tudo o que ela achava que tinha construído. Era uma perda de identidade, de controle. Ele sabia que Clara sempre fora obcecada por sua posição, pela família Almeida e o status que isso trazia. Mas ele também sabia que, por mais que ela estivesse cega pela conveniência, Clara também tinha sentimentos.
“Clara, eu sei o que isso significa. Eu sei o que estou perdendo também. Mas eu não posso viver uma mentira. Não posso fazer um casamento baseado em algo que não existe entre nós.”
Aquelas palavras foram como um soco no estômago de Clara. Ela olhou para ele com uma raiva silenciosa, mas também com uma dor que não conseguia esconder. Depois de alguns segundos, ela se afastou dele e caminhou até a grande mesa de madeira do salão, onde uma carta estava repousada. Ela a pegou com as mãos trêmulas e olhou para Lucas, seus olhos queimando de fúria.
“Então você prefere a ilusão que ela criou para você? Você vai jogar tudo o que a nossa família construiu fora por causa dela? Você é um tolo, Lucas. Não sabe o que está fazendo. Não sabe o que está perdendo.”
Lucas ficou parado, sua dor refletida nas palavras dela, mas ele também sabia que era necessário passar por aquele momento difícil. “Eu sei o que estou fazendo, Clara. Eu não posso mais ignorar o que está dentro de mim. Não posso mais me esconder.”
Clara, com os olhos cheios de lágrimas que ela estava tentando controlar, deu um passo em direção a ele, mas sua expressão de raiva era inconfundível. “Você vai se arrepender disso. Quando todo mundo virar as costas para você, quando a sua família te rejeitar, você vai perceber o quão errado você estava. E aí, será tarde demais.”
Lucas a olhou com pesar. Ele não queria que ela sofresse, mas sabia que não podia mais ser o homem que ela queria que ele fosse. “Eu nunca quis que você sofresse, Clara. Mas este não é o meu caminho. Não é o meu destino.”
Clara soltou um riso seco, quase sem vida. “Seu destino? Você acha que tem controle sobre isso? Que você pode simplesmente escolher quem amar e quem não amar? Eu sou a sua noiva, Lucas. Você me deve isso. Você me deve a nossa família, a nossa história.”
Lucas balançou a cabeça, o peso daquelas palavras mais uma vez apertando seu peito. Ele sabia que Clara tinha sido criada para acreditar que o casamento deles era uma obrigação, uma questão de honra e posição. Mas ele também sabia que, no fundo, não era só isso que ela queria. Ela queria o controle, queria a certeza. Mas ele não podia mais dar-lhe essa garantia.
“Eu não te devo mais nada, Clara. E eu nunca te prometi que o amor poderia ser forçado.” Ele disse com firmeza. “Sei que você não vai me entender agora, mas espero que, algum dia, consiga me perdoar.”
Clara olhou para ele por mais alguns segundos, os olhos agora cheios de uma mistura de raiva e tristeza. Ela não respondeu, apenas se virou e caminhou em direção à porta.
Antes de sair, ela se virou uma última vez, seu olhar congelante encontrando o de Lucas.
“Você vai se arrepender disso, Lucas. E quando o fizer, talvez já seja tarde demais para voltar atrás.”
Com essas palavras, Clara saiu pela porta, deixando Lucas sozinho no salão, seu coração pesado, mas, de alguma forma, mais leve. Ele sabia que o confronto havia sido doloroso, mas também sabia que aquela era a única maneira de ser verdadeiramente livre. E, de algum modo, ele sentia que esse era apenas o começo de algo novo, algo que ele não podia mais negar.
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Atualizado até capítulo 45
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