Lucas acordou no dia seguinte com uma sensação estranha. A conversa com Sofia ainda ecoava em sua mente, como se as palavras dela tivessem plantado uma semente em seu coração, uma semente que ele não sabia se seria capaz de ignorar.
Ele se levantou da cama e foi até a janela, o sol já alto iluminando os jardins do castelo. O perfume das flores ainda parecia pairar no ar, como um lembrete de sua conversa com a jovem e misteriosa Sofia. Mas, como sempre, as responsabilidades logo vieram à mente, pesando sobre seus ombros. Ele era o herdeiro da família Almeida, e com isso, vinha uma grande carga de expectativas e obrigações.
“Lucas, você não pode escapar da realidade para sempre,” disse uma voz suave atrás dele.
Era sua mãe, Dona Helena, que entrou no quarto com uma expressão que mesclava preocupação e autoridade. Ela já sabia da tensão que estava tomando conta de seu filho, mas, para ela, o casamento com Clara era uma necessidade, não uma escolha. Clara era o casamento arranjado desde o nascimento de Lucas. Era a continuidade da linhagem dos Almeida, a conexão com famílias poderosas que garantiriam o futuro da dinastia. O amor poderia esperar — ou, quem sabe, nunca aparecer.
“Estou pronto para o café, mãe,” Lucas disse, tentando desviar o foco de suas próprias inquietações. Ele sabia que a conversa que se seguia não seria fácil.
“Não se trata de café, Lucas. A conversa precisa ser feita.” Dona Helena se aproximou e o olhou nos olhos, com uma seriedade que só ela tinha. “Você entende a importância de sua promessa a Clara, não é? Isso não é apenas sobre você, filho. É sobre o legado, o futuro da nossa família. O casamento com Clara é essencial para garantirmos a estabilidade da nossa posição.”
Lucas sentiu o peso das palavras de sua mãe, mas, por dentro, algo se opunha àquilo. Ele sempre soubera que o casamento seria um compromisso, mas, agora, com Sofia aparecendo em sua vida de maneira tão inesperada, ele não sabia como seguir com esse destino que lhe fora imposto. A memória de Sofia, com seus cabelos dançando ao vento e seu sorriso livre, parecia um reflexo do que ele mais desejava: liberdade.
“Eu entendo, mãe,” ele respondeu, tentando esconder o turbilhão interno. “Eu não estou esquecendo da minha responsabilidade.”
Dona Helena observou-o por um momento, percebendo que algo estava acontecendo dentro dele. Ela sabia que seu filho era inteligente e, até certo ponto, compreendia suas emoções, mas o futuro de toda a família estava em jogo, e ela não podia permitir que ele fosse distraído por algo tão passageiro quanto um sentimento.
“Não se deixe levar por caprichos juvenis, Lucas. O que você sente agora pode não durar. Clara é uma mulher forte e preparada, e ela será a parceira perfeita para você. Não se deixe seduzir pela ideia de algo proibido.”
A palavra “proibido” bateu no coração de Lucas como um martelo. Algo em suas palavras parecia mais uma advertência do que um conselho materno. Ele sabia que sua mãe tinha razão sobre a importância do casamento arranjado, mas ao mesmo tempo, sua alma se rebelava contra isso. Clara, com toda a sua beleza e perfeição, não era quem ele queria de verdade. E, pior, Sofia, a irmã “menos importante”, estava tomando um espaço em sua vida que ele não sabia como preencher.
“Eu sei, mãe,” ele disse, respirando fundo. “Eu não vou esquecer de minhas responsabilidades.”
Dona Helena sorriu, aliviada, mas não sem lançar um olhar de preocupação. Ela se afastou, deixando Lucas sozinho com seus pensamentos. O que ele não sabia era que esse sentimento crescente por Sofia era mais do que uma simples distração. Ele estava prestes a enfrentar um dilema que mudaria o curso de sua vida.
Ao sair de seu quarto, Lucas se dirigiu ao jardim. O céu estava limpo, sem nuvens, e o vento suave acariciava seu rosto. Ao longe, ele avistou Clara, sua noiva prometida. Ela estava de pé, olhando com serenidade para os jardins, mas havia algo em seu olhar que ele não conseguia identificar. Uma expressão que misturava desafio e impaciência.
Quando ela o viu, Clara caminhou em sua direção, seu vestido elegante balançando suavemente ao vento. Ela sorriu, mas seus olhos estavam mais atentos, como se estivesse observando cada movimento de Lucas.
“Bom dia, Lucas,” ela disse, sua voz suave, mas firme. “Precisamos conversar.”
Aquelas palavras fizeram o coração de Lucas acelerar. Ele sabia o que vinha a seguir. A cobrança, as expectativas, a obrigação de cumprir o que foi prometido. Mas, ao mesmo tempo, o rosto de Sofia, seu sorriso, continuava a surgir em sua mente, como uma sombra que não o deixava em paz.
“Claro, Clara,” ele respondeu, forçando um sorriso. “O que você precisa?”
“Você sabe que nosso casamento está se aproximando,” ela começou, observando-o atentamente. “E eu quero ter certeza de que você está tão comprometido quanto eu. Não podemos deixar que nada nos desvie desse caminho.”
As palavras de Clara eram firmes, mas havia um toque de vulnerabilidade em sua voz. Ela não sabia da crescente amizade de Lucas com Sofia, mas algo em seu comportamento recente parecia mostrar que ela pressentia a distância crescente entre eles.
“Eu estou comprometido, Clara,” Lucas respondeu, mas suas palavras saíam com dificuldade. “Mas há algo que eu preciso... entender.”
Clara o observou, suas sobrancelhas franzidas com preocupação. Ela sabia que algo estava acontecendo, mas não sabia exatamente o que.
“Eu só quero que você entenda, Lucas,” Clara disse com uma sinceridade que o surpreendeu. “O que estamos fazendo não é apenas para nós. É para todos ao nosso redor. Para a nossa família. Para o nosso futuro.”
Ela se aproximou dele, colocando a mão suavemente sobre seu braço. “Eu preciso saber que você está 100% comigo, não apenas por obrigação, mas porque realmente acredita no que estamos construindo juntos.”
Lucas ficou em silêncio, o peso de suas palavras recaindo sobre ele. Ele sabia o que a família dele esperava, mas seu coração ainda batia por Sofia. E, ao olhar para Clara, ele se perguntava se seria possível, um dia, amar alguém por pura obrigação, ou se o amor verdadeiro realmente existia em algum lugar fora das promessas e contratos que a sociedade impunha.
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Atualizado até capítulo 45
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